domingo, 1 de março de 2015

NATUREZA, por Tádzio Nanan

Minha natureza criativa
As coisas redefinindo
Tudo é devir, nada é findo
Assim, permanece viva

Minha natureza curiosa
Quer mistérios desvendar
Quer a profundidade do mar
Para descansar orgulhosa

Minha natureza poética
Busca beleza e harmonia
Transforma a dor em alegria
Segundo sua norma estética

Minha natureza sonhadora 
Quer mudar tudo sem fazer nada
Ainda acredita em contos de fada
Está em missão civilizadora

Minha natureza resiliente
Se é traída, perdoa; se cai, não quebra
É fluida como água e dura como pedra
É polimórfica e renitente

Minha natureza contraditória
Faz, desfaz; diz, desdiz
É venturosa e infeliz
Refém da confusão sensória

Minha natureza contemplativa
Considera mas não age
Não se levanta ou reage
Recolhe-se a si, meditativa

Minha natureza crepuscular
Anoitecendo precocemente
Esclerosada e demente
Sem combater ou amar

Minha natureza descansada
Está satisfeita com o que tem
Haveres? Pode viver sem
Sua meta é ficar sossegada

Minha natureza outonal
Caindo de cima das horas
Esperando por ti que demoras
Presa a uma existência banal




quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

PALAVRA, por Tádzio Nanan


A palavra planta sentimentos:
Amores, ódios, esperanças, desilusões...
A vasta gama das nossas emoções
A palavra espalha pelos ventos!

A palavra é cheia de ambiguidade,
Pois dúbio o coração que a produz.
Espalha trevas, espalha luz,
Canta o ódio, canta a saudade!

A palavra: do homem a tradução cabal.
Revela todo nosso drama, toda nossa glória;
O que há de hediondo e sublime em nossa história;
Revela um ser dividido entre o bem e o mal!

A palavra pode revelar-se força maldita
E em nossos corações sombras espalhar.
Pode neles semear mil razões para odiar,
Enchendo nossas vidas de desdita!

A palavra tem o poder de produzir a morte
Quando alia-se às trevas, ao sórdido, ao odioso.
Pode corromper tudo o que for virtuoso,
A serviço dos que tem o ódio como norte!

Mas também enche o mundo de felicidade.
Alimenta, salva, resgata, ressuscita.
A feitos magnânimos nos incita,
Como o sonho da universal fraternidade!

Mas também enche o mundo de beleza.
É primavera que nos colore a alma,
É carinho no coração que nos acalma,
É a luz da razão em nós acesa!

Tu, emissor de significados, cuida da palavra.
Escolhe-a com generosidade, com zelo e amor.
Não faz uso dela quando refém do rancor.
Torna a paz o doce fruto da tua lavra!


domingo, 22 de fevereiro de 2015

OXÍMOROS III, por Tádzio Nanan

abcdef_g_hijklmnopqrstuvwxyz
abcd_e_fghijklmnopqrstuvwxyz
abcdefghijklm_n_opqrstuvwxyz
abcdefgh_i_jklmnopqrstuvwxyz
abcdefghijklmn_o_pqrstuvwxyz

abcdefgh_i_jklmnopqrstuvwxyz
abc_d_efghijklmnopqrstuvwxyz
abcdefgh_i_jklmnopqrstuvwxyz
abcdefghijklmn_o_pqrstuvwxyz
abcdefghijklmnopqrs_t_uvwxyz
_a_bcdefghijklmnopqrstuvwxyz

*

t_uvwxyzabcdefghijklmnopqrs
i_jklmnopqrstuvwxyzabcdefgh
m_nopqrstuvwxyzabcdefghijkl
i_jklmnopqrstuvwxyzabcdefgh
d_efghijklmnopqrstuvwxyzabc
o_pqrstuvwxyzabcdefghijklmn

e_fghijklmnopqrstuvwxyzabcd
s_tuvwxyzabcdefghijklmnopqr
p_qrstuvwxyzabcdefghijklmno
a_bcdefghijklmnopqrstuvwxyz
l_mnopqrstuvwxyzabcdefghijk
h_ijklmnopqrstuvwxyzabcdefg
a_bcdefghijklmnopqrstuvwxyz
f_ghijklmnopqrstuvwxyzabcde
a_bcdefghijklmnopqrstuvwxyz
t_uvwxyzabcdefghijklmnopqrs
o_pqrstuvwxyzabcdefghijklmn
s_tuvwxyzabcdefghijklmnopqr
o_pqrstuvwxyzabcdefghijklmn

sábado, 21 de fevereiro de 2015

OXÍMOROS II, por Tádzio Nanan

A
                                               A
DA
                                             ZA
NDA
                                           EZA
ONDA
                                         LEZA
IONDA
                                        ELEZA
DIONDA
                                       BELEZA
EDIONDA
HEDIONDA
HEDIONDA                   BELEZA

*

O
                                                     L
TO
                                                   EL
NTO
                                                 VEL
ENTO
                                                ÍVEL
MENTO
                                              ZÍVEL
IMENTO
                                            AZÍVEL
RIMENTO
                                          RAZÍVEL
FRIMENTO
                                        PRAZÍVEL
OFRIMENTO
                                     APRAZÍVEL
SOFRIMENTO

SOFRIMENTO             APRAZÍVEL

MEDITAÇÃO, por Tádzio Nanan

O homem caindo vertiginosamente no abismo das próprias contradições.
Ódios e desigualdades a nos tornar dessemelhantes.
Olhamos uns para os outros e ficamos perplexos: o que será isto? De onde será que isto veio? O que será que isto quer?
Olhamo-nos no espelho e sequer nos reconhecemos mais, tão apartados que estamos da nossa forma essencial, tão deformados que estamos pela doentia ideologia da civilização do poder e do dinheiro.
Nossos medos e frustrações nos afastam mais e mais uns dos outros. Nossa raiva e ignorância nos separam mais e mais uns dos outros. E de tão separados é como se vivêssemos em mundos diferentes, ou mesmo opostos.
A religião, a economia, a política deveriam nos unir, mas só nos dividem. E precisamos delas para resolver nossos problemas comuns. Mas talvez tenhamos de reformulá-las, fazê-las funcionar de uma outra maneira, mais racional, democrática, transparente e ética.
A tecnologia, válvula de escape hodierna, é o parque de diversão de um homem egocêntrico e alienado, vidrado em algo que é parte insignificante, enquanto esquece o todo complexo e fundamental.
O que pode o gesto contra tiros e explosões?
O que pode a palavra entre surdos e brutos?
O que pode a delicadeza na civilização da força?
Não podemos concertar sem antes consertar nossas mentes e corações, nossas ideias e ideais, nossas democracias e economias.
Em meio ao caos instalado, o refúgio mais frequente é orar a um deus idiota ou comprar compulsivamente, desavergonhadamente (aqueles que podem), mas isto nada resolve. Nem para os que se dedicam a tal falaciosa tarefa, nem para o restante de nós.
Então é isso o que nos tornamos: covardes tentando nos esconder enquanto a noite se alastra e cai sobre a Terra?
Tudo está contra nós: a economia (o 1% mais rico já possui mais da metade da riqueza do mundo); a política (corrompida em sua relação espúria com o poder econômico); o clima (dois graus, ou mais, de aumento da temperatura média da Terra).
A ação é urgente, pois o homem chora, mortalmente ferido (refém de uma guerra fratricida).
Aonde isto vai parar? No agora. Paralisa, impotência, desespero, o caos no qual estamos submergidos.
Será que você começa a perceber que o modelo de civilização que criamos não atende à paz, à justiça, à sustentabilidade, à comunhão universal?
Será que você começa a perceber que é preciso sonhar com mais, ir além do que já foi feito e pensado?
A utopia talvez não existe, já a distopia... Dê uma olhada a sua volta: ela é coletiva, universal! Precisava ser desta forma? Não! Tenho certeza que existem outros caminhos a trilhar. Mas é preciso ter coragem.
Hora de reflexão e silêncio!


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

OXÍMOROS, por Tádzio Nanan

TPEARCRIOFRIISSTTAA
TEARCRIOFRIISSTTAA
P
TERCRIOFRIISSTTAA
PA
TERRIOFRIISSTTAA
PAC
TERROFRIISSTTAA
PACI
TERRORIISSTTAA
PACIF
TERRORISSTTAA
PACIFI
TERRORISTTAA
PACIFIS
TERRORISTAA
PACIFIST
TERRORISTA
PACIFISTA

*

EDXETMROECMRIASTTAA
EXETMROECMRIASTTAA
D
EXTMROECMRIASTTAA
DE
EXTROECMRIASTTAA
DEM
EXTRECMRIASTTAA
DEMO
EXTREMRIASTTAA
DEMOC
EXTREMIASTTAA
DEMOCR
EXTREMISTTAA
DEMOCRA
EXTREMISTAA
DEMOCRAT
EXTREMISTA
DEMOCRATA

domingo, 15 de fevereiro de 2015

RELAÇÃO, por Tádzio Nanan


Encher-te-ei de ósculos
Pois tua a alma atrás destes óculos

Encher-te-ei de abraços
E só seguirei teus passos

Encher-te-ei de calor
Com a sede do meu amor

Encher-te-ei de poesia
No raiar de outro dia

Encher-te-ei de luz
E nem lembrarás da cruz

Encher-te-ei o coração
No altar da adoração

E...

Matar-te-ei de tédio
Com a constância do meu assédio

Matar-te-ei de pena
Ao aprontar uma cena

Matar-te-ei de loucura
Ao te deixar insegura

Matar-te-ei de medo
Ao te tornar meu brinquedo

Matar-te-ei de dor
Quando descobrires quem sou

Matar-te-ei de drama
Quando eu deitar noutra cama!

sábado, 14 de fevereiro de 2015

EU NO MUNDO, O MUNDO EM MIM, por Tádzio Nanan

1)EU NO MUNDO

Reflito sobre eu no mundo
Entre nós abismo se abriu
Um distanciamento profundo,
Irreversível nos atingiu

Solitária é minha jornada
Sem glória, sem arrebatamento
Às vezes, os dias não trazem nada
Só mais um pouco de esquecimento

Silenciosamente, cumpro minha sorte
Nada ouço (nada me dizem!), nada digo
Todo esse silêncio se parece com a morte
No entanto, sublimando a dor, prossigo

Medrosamente pelo mundo passo
Sem alçar voo, sem acreditar no sonho
Tudo o que queria fazer, não faço
E de tempo já nem disponho
(...)

*

2)O MUNDO EM MIM

Reflito sobre o mundo em mim
Meu motivo, minha paixão
Toda manhã digo-lhe sim
E entrego-lhe meu coração

Seus fatos repercutem em minha mente
Cataclismos de ódio, vendavais de amor
Arde em mim o que cada homem sente
Gargalho sua alegria, pranteio sua dor

Arrebata-me a alma sua deslumbrante beleza
É tanta ousadia, inteligência, imaginação
É tanta luz concentrada, tanta delicadeza
Esteja na natureza ou na civilização

Sua complexidade me entontece
Mas persistentemente tento decifrá-lo
Vejo e ouço tudo o que nele acontece
E nem por um instante deixo de amá-lo!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A VIAJANTE - DEDICADO A CAROLINA NANAN, por Tádzio Nanan


A viajante irradia luz como a capital francesa
A todos encanta com sua sabedoria e beleza

A viajante é cosmopolita como a capital teutônica
Versada em filosofia e línguas, é uma figura icônica

A viajante tem a perenidade da histórica Roma
É eterna em nossos corações, a quem a gente mais ama

A viajante é altiva como a mediterrânea capital catalã
Pois conhece seus méritos, a briosa Ana Carolina Nanan

Traz em si todo o charme e sabedoria do velho mundo
Como ele, possui ideais e sentimentos profundos

Ela pertence àquelas praças, museus, àquela efervescente atmosfera
E eles também sempre estiveram destinados a ela

Ela pertence àquela magia, ao sonho de união na diversidade
E enquanto ela viaja na história ficamos cá chorando a saudade

A viajante já é parte da paisagem europeia, poética e erudita (assim como ela)
E com seu sorriso torna a paisagem de lá ainda mais bonita!

domingo, 8 de fevereiro de 2015

ANEDOTA NIILISTA, por Tádzio Nanan

Andava procurando desesperadamente pela Verdade quando me deparei com Deus. Aceitei-O sem questionamentos, tomei-O como a um remédio. Fui feliz neste casamento imaginário até me dar conta de que a Verdade não poderia ser algo tão opaco, silente, incognoscível. A Verdade tem de ser reluzente como um dia ensolarado, barulhenta como as cidades, autoexplicativa como um beijo na boca.
Então recomecei minha busca. Desta vez, deparei-me com a ciência. Mas a Verdade não poderia ser algo tão evanescente, fugaz. Sem falar que a ciência explica mas não traduz, trata dos comos mas não dos porquês. Fica faltando o sentido das coisas, que é o que nos interessa emocionalmente falando.
Uma nova busca, um novo achado: a filosofia. Não... Hermética e pretensiosa!
E quanto à beleza? Mesquinha, competitiva, superficial...
E quanto ao amor? Alienado, egoísta, tendencioso...
O bem? A Verdade não poderia ser algo que não é comum a todos os homens.
O real, a realidade? Algo que cada um interpreta de uma forma peculiar e sempre diferente não pode ser a Verdade...
Então a sabedoria deve ser! Mas a sabedoria despreza erros e desejos, ignorando que eles são a força motriz da existência humana...
Até que intui que a Verdade (com V maiúsculo) não existe. Palavrinha de sentido nebuloso cuja missão é transtornar nossa inteligência, torturar nossas emoções. Vetusta ideia espalhando confusão e desentendimentos entre os humanos, já tão propensos a elas.
Desde então, muito me interessam as verdades com v minúsculo, as pequenas verdades, como, por exemplo, as deliciosas mentiras que perpetramos uns contra os outros cotidianamente (tão bem contadas que, às vezes, nós mesmos acreditamos nelas!)...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

DO NOT GO THERE... OR GO!, por Tádzio Nanan

I strongly believe in my ideals, but, darling, my ideals are skepticism, addiction and sin. In other words, I strongly  believe in disobedience!

I strongly believe in my feelings, but, darling, my feelings are wild and dangerous. In other words, I strongly believe in chaos!

I strongly believe in my heart, but, darling, my heart is promiscuous and unfaithful. In other words, I strongly believe in licentiousness!

I strongly  believe in my mind, but, darling, my mind creates the truths I believe. Forget me! Try an ordinary guy!

I strongly believe in my soul, but, darling, my soul is very deep and you do not  have wings to a soft landing! So take my advice: do not go there, you can lose yourself on this journey!

You better believe me... Or not!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

MELHORES FILMES VISTOS EM 2014, por Tádzio Nanan

De olhos bem fechados
O grande Gatsby
A caça
Antes da meia-noite
As sessões
Coisa mais linda – histórias e casos da Bossa Nova
Thor – mundo sombrio
É o fim
Gravidade
O lado bom da vida
Um tiro na noite
Repulsa ao sexo
Acossado
Terra em transe
O dragão da maldade contra o santo guerreiro
Veludo azul
Azul é a cor mais quente
O capital
Rush – no limite da emoção
Ninfomaníaca I e II
O lobo de Wall Street
Vidas amargas
Juventude transviada
Assim caminha a humanidade
Jovem e bela
Capitão Phillips
Blue Jasmine
12 anos de escravidão
Clube de compras Dallas
Invocação do mal
Ela
Trapaça
Álbum de família
Até o fim
Sob a pele
O lobo atrás da porta
O grande hotel Budapeste
Tim Maia
Balada de um homem comum
A história oficial
Noites de Cabíria
Z
A grande beleza
Garota exemplar

sábado, 31 de janeiro de 2015

I DO NOT BELIEVE, BUT..., por Tádzio Nanan

I do not believe in god, but I believe in those who have true faith.

I do not believe in utopia, but I believe in those who strive to improve things every day.

I do not believe in love, but I believe in those who love unconditionally.

I do not believe in peace, but I believe in the goodwill of people.

I do not believe in democracy, but I believe in the freedom of speech, in the debate.

I do not believe in the future, but I firmly believe in the new generations.

I do not believe in salvation, but I believe in saving others.

I do not believe in happiness, but I believe in wide smiles and bright eyes.

I do not believe in me, but I believe in my fellow man.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

HUMANIDADE!, por Tádzio Nanan

Tudo caminha decididamente... Para trás!
Quanto mais concertamos, mais longe da paz!

De dias temerários caem noites repletas de voracidade!
Assim os homens se relacionam: com demencial periculosidade!

O tempo transcorreu e não evoluímos moralmente!
As instituições que criamos, lar de facínoras impenitentes!

Ele continua uma ideia fixa em nossa mente primitiva!
A religião, seu rastro de sangue, suas verdades elusivas...

Cada qual crê ser o centro do eterno infinito!
Desconhece o semelhante, não ouve seu grito!

Cada qual crê que sua verdade é a verdade universal!
E pensando fazer o bem espalha e aprofunda o mal!

Com a mesma origem, mas radicalmente divididos!
Por ódios e preconceitos hediondos carcomidos!

Nosso futuro parece uma inescapável regressão ao passado!
E se temos uma chance é ouvir aos alertas desesperados!

Minha intuição diz que o porvir revelará triste surpresa:
A tecnologia não nos libertará; seremos sua presa!

E como fera que é, segue seu instinto irrefreável,
E o destino da humanidade não nos será agradável!

Assim nossa história termina: a noite cai, hora de dormir!
E nesse instante só os loucos e profetas poderão rir!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

ONLY OVER MY DEAD BODY!, por Tádzio Nanan

I was left to die in the desert of my loneliness.
But I have faith I will find the path to the fullness.

Being the opposite of myself, my existential condition.
But I'm willing to face and overcome my inner confusion.

The more I search the more I get lost.
But somehow I know I'll find what I want, no matter how long it takes, no matter how much it costs.

Be misunderstood in my actions, in my words is my particular pain.
But I can feel in my heart that my efforts will not be in vain.

Jealous people try to bring me down, overshadow my light.
But make no mistake: I will never give up this fight.

Surrender? Only over my dead body!
Step by step I´ll reach the gates of Glory!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

DO NOT FOOL YOURSELF, by Tádzio Nanan


You´re not so marvelous
You´re not so generous

You´re not so powerful
You´re not so beautiful

You´re not so memorable
You´re not so capable

You´re not so healthy
You´re not so wealthy

You´re not a gift
You´re not the shift

You´re not his/her dream
You´re not what you seem

You´re not so conscious
You´re not so gracious

You´re not so smart
Nor the most important part

You´re not so fair
Nor the escape from despair

You´re not so divine
Nor delicious like wine

You´re not the best
You failed the test

You´re not so helpful
Sometimes you´re dreadful

You´re not the solution
Frequently you increase the confusion

You´re not the example 
(We don´t need another temple)

You´re not the future
You don´t have enough culture

You´re not the exit
You don´t have the courage to face it

You´re not the light
You´re crazy to fight

You´re not an unanimity
You even make charity

You´re not the cure
(Sometimes you´re very obscure)

But relax: at least, you are better than me!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

I WISH YOU, by Tádzio Nanan

I wish you...
Much knowledge and ridiculous superstitions
Great wisdom and irrepressible desires
A comforting silence and the drums of war
Temperance and greed
Sense and insanity

I wish you...
The lights of morning and the shadows of the night
The truth and everyday lies
Forgiveness and revenge
Friendship and loneliness
Successes and failures

I wish you...
The ordinary life and the most beautiful dreams
Tradition and the freest imagination
Respect for the law and transgression
Words of love and acts of hate
A handshake and a low blow

Because you have to know the both sides of life.
Because you have to fly among the clouds and fall over the precipice.
This is the true meaning of life!

domingo, 28 de dezembro de 2014

HOPE, by Tádzio Nanan

The world is bad...
But you are good and fair.
Have faith in God, in life, in yourself; not ever give up!

Life is hard...
But you are a survivor, you are a warrior.
Have faith in God, in life, in yourself; not ever give up!

The dream is over?
Find a new one (there is always a dream waiting to be discovered).
Have faith in God, in life, in yourself; not ever give up!

Your heart is broken...
Be brave: invite her(him) to go out with you.
Have faith in God, in life, in yourself; not ever give up!

Your soul is in a deep sadness...
Immerse yourself in the magic, in the beauty, in the mysteries of life.
Have faith in God, in life, in yourself; not ever give up!

You got lost on the way to happiness...
Stop and rethink the whole strategy.
Have faith in God, in life, in yourself; not ever give up!

Your eyes can only see in shades of gray...
Open your heart to life and the colors will come back.
Have faith in God, in life, in yourself; not ever give up!

They left you alone...
Be your best friend, take care of yourself, love yourself.
Have faith in God, in life, in yourself; not ever give up!

You are getting old...
Old, but more experienced!
Have faith in God, in life, in yourself; not ever give up!

You are tired of carrying your cross...
Gather every little piece of you, renew your strength and go make your work.
Have faith in God, in life, in yourself; not ever give up!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

LAUGH AND CREATE, by Tádzio Nanan

I prefer some daily laughters than the erudition of the great men.
It is biblical: the more you know the more you suffer.
Besides: castigat ridendo mores. 
And everyone knows: laughter is the best medicine.
Yes, I prefer to be the funny guy than to be “a serious guy", immersed in everyday problems, exchanging dreams by food, enslaved by rivalry, power and money.
I prefer to have the head on the moon than to have it full of useless information. The ordinary life does not satisfy me. I was born to the different, to the unexpected, because I want more. My soul impels me to that.
I renounced the quest for success, the struggle for power and money. My goal is simpler, but more noble: create with originality. Do art and imagine new paths and possibilities to life.
People laugh at me, because they think I´m a fool. I laugh at them, because I know how wrong they are about life and its delicate beauty.
Laugh and create: my civilizing mission!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

CLOSED FOR BALANCE, by Tádzio Nanan


My soul is in deep silence. Not the silence full of meanings of the wisdom. Not the placid silence of the illumination. It´s a painful silence of a tortured soul, that now inquires itself: have I been wrong about life for all these years?
My heart is in silence, too. Not the comforting silence of a shared love. Not the silence full of plenitude of a generous and fearless heart. It´s a silence of an abandoned heart, that now inquires itself: why did I hide myself for so long?
Paralised, between so distressful silences, I search in the images of my unconscious the source of my unhappy choices. Why did I run away from myself, from people, from life? How did it happen?

To find out these answers means begin to live again...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

PARA LAÍS AYRES BARREIRA, EM SEU ANIVERSÁRIO (11/12/2O14)


Um coração sensível, para aceitar as gentes...
A mão acolhedora sempre estendida ao próximo...
Somos todos teus filhos, Laís!
Filhos da tua inteligência e coragem.
Filhos da tua benevolência, também.
Crescemos com teu exemplo de amor à vida e esperança.
Um coração e uma mente atentos, acompanhando os ventos, as mudanças, alvoreceres novos, novos tempos. Um coração e uma mente mutantes, juntando, unificando pureza de criança, mistérios juvenis, brios de mãe, avó, bisavó, mulher.
Parabéns pela grandeza de ânimo, pela grandeza de caráter.
Gratidão e amor eterno dos teus.



Família Nanan

A CROOKED GUY!, por Tádzio Nanan


I´m a crooked guy, gauche. I was born this way, I will die this way. There is no remedy to my obliquity.
I ´m a crooked guy. Metaphorically and literally.
For example: I can not think accurately. My thoughts are confused, they can not penetrate the mysteries of life, even the ones of the everyday life. I think confusedly, with no method and direction.
And my feelings? Dark and conflicting, laden of sadness and despair. Most of them are unbearable to me. A cross that I carry every day.
I have crooked legs, crooked teeth, back problems, an asymmetrical face (as you can see, I have very bad genes...). Again: there is no remedy to this. Perhaps born again?
And worst of all: people say I´m a fool and I guess they are right. Look at the whole situation: insignificant talents, trivial points of view, unrealistic dreams... A wasted life? Apparently, yes...
I walk and walk and don´t get anywhere. I imagine a thousand things but I can´t concretize them. I study a lot and what I find out? The obvious, of course. Waste of time? Apparently, yes...
I´m a crooked guy, tell me all the voices, all the clues.
But someone benevolent, knowing my problems, reminded me of an old saying: God writes straight with crooked lines.
That night, I renewed my hopes, and slept in peace, thinking that perhaps through my obliquity God is writing a singular and universal work!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

UM CARA TORTO, por Tádzio Nanan


Sou um cara torto, todo errado, gauche. Nasci assim, assim vou morrer. É como me quiseram as forças superiores. É como me fizeram aqui embaixo. Pena que ainda não inventaram remédio contra a obliquidade...
Sou um cara torto, metafórica e literalmente falando. Por exemplo: não consigo pensar com acuidade. Meus pensamentos não penetram a fundo os mistérios da vida. Penso confusamente, me expresso confusamente, confusamente ajo. Não tenho método, roteiro, direção. Percorro uma trajetória impossível de ser prevista ou calculada, como uma pluma ao vento. Puro caos.
E meus sentimentos? Sombrios, conflituosos, carregados de tristeza com uma pitada de desespero. Tipo de coisa com a qual se nasce e não nos livramos nunca. Um açoite diário.
Torto, todo torto, torto deveras. Dentes tortos, pernas tortas, torta a coluna, o rosto torto (veja aí a qualidade dos genes que me legaram...).
Como se não bastasse a obliquidade generalizada, a boca miúda me tem na categoria de tolo, e acho que ela está certa, mesmo. Invisto em talentos insignificantes, publico pensamentos superficiais, baseio minha história em sonhos irrealistas... Uma vida desperdiçada? Aparentemente, sim!
Eu ando, ando, ando e não chego a lugar algum (estarei preso numa maldição a la mitologia grega?). Imagino uma miríada de coisas, mas não consigo realizá-las em qualquer grau. Passo horas estudando, e qual é a minha grande descoberta? O óbvio, claro! Perda de tempo? Aparentemente, sim!
Sou um cara torto, todo errado, gauche. É o que me dizem todas as pistas.
Mas alguém caridoso, próximo a mim e conhecedor de minha delicada situação, lembrou-me de um antigo ditado popular que diz: Deus escreve certo por linhas tortas. É verdade, inescrutáveis são os caminhos Dele...
Naquela noite até remocei, renovei as esperanças, dormi em paz, cheio de fé, pensando que, talvez, através da minha obliquidade, Ele esteja escrevendo uma grandíssima e singular obra!

domingo, 7 de dezembro de 2014

THE GIRL, por Tádzio Nanan

A lovely girl and her beautiful dream facing life and its circumstances.
She spreads love everywhere she goes. And she spreads doubts, too. She´s dangerous: a philosopher of the new criticism of value.
Her smile is the biggest smile on the face of the Earth, pure and sincere. It illuminates her family and everyone around her.
But in her eyes we can see flames: the flames of hope, courage and change.
Her dream is huge: a better civilization, a better future, a new era of peace, cooperation and self-development.
She never gives up because of her dream.
She never surrenders because of her dream.
She has no fear because her dream is at her side.
The dream makes her wiser. The dream impels her to the future.
And she impels the dream, too.
The dream never gives up of her: she makes “him” more believable.
The dream never surrenders to the circumstances because she taught “him” to be stronger.
What a spectacular couple: the girl and her dream. Not any girl and any dream: the tireless Caroline and her wonderful dream: to change the world for better.
Good luck, Caroline, in life and in fight.



Dedicated to my brilliant and talented sister Caroline.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

DESINTOXICAÇÃO, por Tádzio Nanan

Preciso desintoxicar-me, urgentemente. A droga que me assola? Eu mesmo! Meus pensamentos e ações descolados da vida real, dissonantes do ritmo frenético que move o mundo. A vida que tenho levado, as coisas que ando fazendo, o modo como traduzo o mundo, puro delírio, pura ilusão. Preciso desintoxicar-me das verdades que me inventei, pois, agora, elas me entontecem, me fazem perder o equilíbrio, o coração bater descompassadamente, as ideias ficarem confusas.
Preciso desintoxicar-me de mim mesmo. Livrar-me de toda esta bagagem intelectual, e renascer, tornar-me outro. Trocar este sangue envenenado pela fantasia. Assimilar, de uma vez por todas, as verdadeiras leis que regem os homens e a natureza, saindo do meu universo paralelo de almoços grátis, de sombra e água fresca.
Preciso desintoxicar-me destes sonhos pretensiosos, que nunca me renderam nada além da desconfiança alheia; desintoxicar-me das minhas vãs certezas, que nunca me renderam nada além de soberba e orgulho imerecido; desintoxicar-me dos delírios juvenis a mim incutidos pelos irresponsáveis e idiotas; e ingressar na dura, austera e difícil maturidade, ingressar na única vida que conhecemos e soubemos construir.
Admitir o fracasso e dar a cara a tapa, deixar de sonhar com ser um deus na Terra para ser apenas homem, mais um mortal, entregue à brutal e cotidiana lida. Abortar minha utopia particular para poder comprar o pão de cada dia, esquecer esta sucessão de erros e dissonâncias cognitivas que me levaram a esta encruzilhada doída, a este abismo sem pontes, ao ostracismo.
Não sou especial como acreditei que fosse, que produziria coisas inteligentes e belas. Não tenho reluzente caminho a trilhar. Meu caminho é o caminho do homem comum, que não sonha, apenas come e habita. Depois morre. Porque ordinário me fiz ao longo dos anos, porque ordinário me fez minha linhagem em sua aleatoriedade amoral.
Eu quis muito, mas não pude!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

TRANSIÇÃO, por Tádzio Nanan

A vida humana como a conhecemos em seus derradeiros instantes.
O mundo como o conhecemos não se sustenta mais.
É o fim desta civilização que optou por trocar equilíbrio duradouro por uma mistura irresponsável de falta e excesso. Mais que isso: criou a falsa e perigosa identidade entre felicidade e dinheiro.
Seu corpo moribundo exala um cheiro de decadência, senilidade e morte.
Estamos empurrando os limites, mas é só ilusão. Estamos prorrogando nosso tempo, artificialmente. Quanto mais lutamos como indivíduos, mais malefícios acumulamos como sociedade, mais eclipsamos nossa estrada comum, mais depauperamos nosso lar cósmico.
Quanto mais temos, mais vazios ficamos. Quanto mais avançamos, concomitante e paradoxalmente retrocedemos. O acúmulo de riqueza, poder, conhecimento por parte de poucos nos dividem radicalmente. Logo nos dividirão irremediavelmente.
O paradigma está caduco, baseia-se em premissas errôneas. A fonte, que parecia inesgotável, secou. Nosso sonho envenena-nos dia após dia. Nossos desejos nos infligem dor, angústia, desespero.
Como alguém representativo desta noctígena era, também não tenho estrada a seguir, porto para chegar, futuro para viver – terei de inventá-los a base da força, coragem, imaginação, como os pioneiros de todos os tempos (pioneiros que precisam, agora, urgentemente aparecer).
Eu sou o mundo em sua confusão e perplexidade, o mundo sou eu na minha impotência e paralisia.
Ou me reinvento, tiro uma carta da manga, faço mágica, ou pó, nem lágrimas nem lembranças: pó simplesmente. Ou a civilização se reinventa, faz um demorado exame de consciência, reencontra-se com seu destino maior: a paz, a justiça, a sustentabilidade, ou silêncio e inconsciência, ou nossa herança (a miríada de talentos humanos) se perderá na poeira das estrelas!
Que passos darei?
Que passos daremos?
Uma coisa é certa: eles nos farão viver ou morrer!

domingo, 23 de novembro de 2014

POESIA, por Tádzio Nanan

Era um poema errante e flutuava sobre meu lar. Velozmente e com a magia da antigravidade lancei minha vara de pescar para o céu e o puxei de entre as nuvens. Ele estava vadiando por aí e encontrou este poetinha vagabundo neste meio-dia da vida. Eu o senti nas entranhas, apaixonei-me por ele e dele me apossei. Assinei em baixo sem ser seu autor, o autor dele foi a ventania que batera pouco antes, o tema dele é o gozo que as folhas das árvores sentem quando o vento passa por elas, acarinhando-as, fazendo-as assobiar.
Outras vezes, no entanto, o poema vem das profundezas da alma, das vagas às vezes tempestuosas às vezes tranquilas do nosso ser. Este tipo de poema leva anos para se escrever (ele se escreve sozinho, a gente apenas o organiza), porque ele é consequência da própria evolução de nossa existência, emoções, entendimento. O poema vai se escrevendo na nossa pele, devagarinho; elaboramos, sem perceber, um raciocínio que o pertencerá; nossa imaginação vai desenhando as paisagens que nele estarão contidas; nossa inteligência o vai definindo aos poucos, e um belo dia ele está no papel, pronto para se entregar aos olhos do mundo.
O engraçado é que, muitas vezes, o poeta nem desconfia de que o poema seja ele transfigurado. É o poeta que está no papel, desnudo, entregue ao julgamento alheio...

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

MEU CAMINHO, por Tádzio Nanan

Madrugar, trabalhar, jantar, dormir; não, não é o meu caminho!
Casar, família, filhos, lar; não, não é o meu caminho!
O caminho habitual, o consagrado caminho do homem de bem... Não é para mim; sou caótico e complexo demais para ele, eu o transbordo, ele me reprime.
Será meu caminho, então, um descaminho (há uma miríade deles)? Dificilmente... Sou muito medroso; sou meio dado a loucuras, mas tenho forte instinto de autopreservação.
Será meu caminho o abismo, ou seja, a completa ausência de caminho, o fim prematuro, ou mesmo o fim autoinfligido?
Ou pode ser que meu caminho exista por aí, confundindo outros transeuntes, outras almas perdidas, e eu devo apenas procurá-lo com mais afinco. Sair mais por aí a ver se as coisas me indicam o caminho, a ver se as pessoas me indicam o caminho. Mas tenho medo das coisas e desconfio das pessoas...
Pode ser que um caminho a mim endereçado não exista ainda e eu tenha que criá-lo, abri-lo a golpes de facão na selva da civilização, ou pintá-lo surrealistamente com as asas da minha imaginação feérica e nele cair vertiginosamente e lá viver para sempre.
Enquanto o caminho não surge neste deserto em que me encontro (quando surja, espero que não seja miragem), sigo errando delirantemente por mundos e dimensões paralelas, misturando loucura e sabedoria e fazendo arte desse exótico encontro.
Sigo orbitando à minha própria volta – como se eu fosse o planeta e a estrela; sigo atraindo-me a mim mesmo, como um buraco negro que se engole e se extermina.
Mas sei de uma coisa: meu caminho sou eu!
Talvez, como obra inacabada que sou, não mereça (ainda) um caminho (um órfão de caminho!).
Talvez, Deus esteja esperando que eu me decifre para apontar-me o caminho.
Mas, e se for isso mesmo: se eu precisar decifrar-me?
Decifrar-se? Poderá alguém?
A mim é muito difícil. Por isso meus pais abandonaram-me, por isso meus irmãos abandonaram-me, por isso meus amigos abandonaram-me, por isso as forças cósmicas esvaíram-se de mim: eles nunca puderam entender-me e isso os assustou e os levou para longe.
E com razão:
Sou Eros e sou Tânato
Sou Prometeu e Epimeteu
Sou Diógenes e Alexandre
Sou Hitler e o Nazareno
A dualidade encarnada!
Também sei de outra coisa: o caminho dos outros não sigo, não me interessa. Teimosia? Sim! Não sigo, não me interessa!
Ou o meu caminho ou nada!
Ou meus passos marcados em terra virgem, ou nada!
Não sou dublê de corpo, não sou dublê de alma!
Sou igual a todo mundo, mas tenho meus tamanhos infinitos! Eu não caibo nos outros, os outros não cabem em mim!

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

DUALIDADE, por Tádzio Nanan

Se a perspectiva é a eternidade, somos insignificantes.
Se a perspectiva é o instante, somos gigantes!
Se a perspectiva é o infinito, somos tão pequenos.
Se a perspectiva é o gesto, somos tão plenos!
Tádzio Nanan

Sou precioso:
O olhar transbordando desejo
O gesto expressando empatia
O sorriso difundindo a esperança
A palavra comunicando a saudade
Minha dor me faz mais humano
O esforço que me torna útil
O sonho que me faz singular
A espiritualidade me lança além de mim mesmo, além do aqui e agora
Posso imaginar tudo o que virá pela frente
Os universos prolongam-se na minha mente
Sou rei de um império interior, mais rico que o mais abastado dos homens
A natureza – minha mãe, gestou-me por bilhões de anos (você sabe tudo o que teve de ocorrer para estarmos aqui, agora?)
Tenho a faculdade de ser feliz e fazer felizes os outros
Vou morrer para a eternidade e o infinito

*

E sou insignificante:
O coração partido
A consciência solitária
Num corpo que se vai dissolvendo...
Insignificante: uma dentre sete bilhões de paixões humanas, ardendo no próprio fogo, num pequeno planeta que gira ao redor de uma estrela, que se assemelha a centenas de bilhões de outras estrelas da Via Láctea, que é uma dentre centenas de bilhões de galáxias que existem em nosso universo, que é apenas um dos muitos universos existentes e que compõe um multiverso inaudito, a bailar pela eternidade...
Entretanto, ser insignificante me deixa tão leve, permito-me errar, sem maiores dramas, e perdoo o erro alheio de forma mais frequente e tranquila; deixa-me mais ousado, vejo as coisas por diferentes prismas, experimento-as de outras maneiras; liberta-me da vaidade, do egoísmo, do medo, da posse; ensina-me o segredo da vida: viver no limite do que se acredita, e não esperar nada em troca; faz-me gargalhar com mais frequência; faz-me duvidar e rebelar-me mais amiúde; faz-me mais profeta e poeta e pateta; faz-me ver que o pouco que tenho é mais que o suficiente; dá-me sentidos extremamente aguçados; dá-me pensamentos não enviesados pelo poder, pelo dinheiro, pelo ódio, pela dor.
Sou tão pequeno, mas tenho infinitos mundos em mim!
Preciosamente insignificante!
Insignificantemente precioso!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

OS INCOMPREENDIDOS, por Tádzio Nanan



Nossas mutações genéticas apontam para o futuro.
Nossas sinapses seguem o padrão estelar.
Temos um sol resplandecendo no peito.
À noite, em silêncio, evoluímos.
Agimos a favor do nascituro.
Nosso coração acolhe mais gente.
Nossa consciência coaduna-se à consciência coletiva.
Não necessitamos de Deus, nem de dinheiro.
Nossos sonhos são simples, embora extraordinários.
De nossos passos brotam primaveras.
De nossas ações surgem mundos alternativos.
Nossas vozes ecoam cantos telúricos.
Moramos na ideia mais bela.
Nosso amor é dirigido a todas as coisas.
Reconhecemos a alteridade como um igual.
A porta pela qual eles entram, nós saímos.
Não queremos acumular coisas, queremos transitar pelos espaços.
Não temos um nome, uma identidade, nós somos maiores, nós somos mais.
No trivial vemos o precioso, no instante sentimos a eternidade, num gesto encontramos o infinito.
O secularmente instituído não nos representa mais.
Viemos de onde eles desconhecem, estamos indo aonde eles temem.
Estamos em cada um deles como potência.
Somos os filhos do Espírito do Tempo, e os pais das revoluções de amanhã.

sábado, 4 de outubro de 2014

O ESPAÇO ENTRE MIM E EU MESMO, por Tádzio Nanan



No espaço entre mim e eu mesmo:
A confusão do Homem
O chamado da selva
O vale das sombras
O ofensivo à verdade
O vício

No espaço entre mim e eu mesmo:
A queda do justo
A hora mais escura
O ovo da serpente
Aquilo que não se chama
O vazio

No espaço entre mim e eu mesmo:
O berço das contradições
O sono assassinado
A marca da maldade
Os ideais vendidos
A covardia

No espaço entre mim e eu mesmo:
O abismo convocando
A dúvida sufocando
A ferida supurando
O medo cerceando
A dor latejando

No espaço entre mim e eu mesmo:
O Grand Canyon
O Oceano Pacífico
Distâncias intergalácticas
O pretérito presente
O porvir esvaziado

No espaço entre mim e eu mesmo:
Gritos sufocados
Sonhos exauridos
Os sentidos adormecidos
A hora desperdiçada
A cicuta da paralisia

No espaço entre mim e eu mesmo:
O abraço da morte
A palavra não dita
O flagelo da solitude
A loucura da inteligência
O holocausto da moralidade

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

EU E DEUS, por Tádzio Nanan



deus me foi negado! deus me foi negado! Por um líder carismático com suprema autoridade? Não! Por uma sociedade opressiva que proibiu a religião? Também não!
deus me foi negado por mim mesmo, pela minha singular arquitetura corpóreo-mental, por cada célula ativa e cada neurônio vibrante neste “cadáver adiado”. deus foi subtraído de mim por mim mesmo, pela minha ancestralidade materialista, por meus genes ateus. Nada na minha inteligência recorre a deus, na verdade, sente desprezo por tal ideia, por seus seguidores também, rebanho de incautos e dementes. Cada pensamento meu é dedicado ao acaso, ele é mais crível e mesmo mais belo que uma suposta intencionalidade universal que redundaria na vida consciente.
Só que a questão é outra: meu drama íntimo existe porque minha sensibilidade pede por Ele, clama por Sua companhia, Seu perdão, Seu sistema moral, que oferecem ordem e sentido à vida (mas a vida não tem ordem nem sentido, tolinho!).
Minha materialidade – meu corpo, minha mente, os átomos hereges que em mim se agitam, o sangue irreligioso que me corre nas veias, jamais me deixarão ser arrebatado por ele. Meu corpo e minha mente são insensíveis, inflexíveis, rejeitam fantasias e delírios. Preferem levar-me ao desespero, ou à loucura, se for o caso, a me ceder o conforto e a serenidade da fé. A fé é um luxo que não está à minha disposição!
Assim, vivo uma guerra íntima, entre a eternidade da alma e o instante que fulge para nunca mais. Parte minha anseia por deus, parte minha gargalha dele, e neste corte profundo e doloroso as sequelas são confusão sensória e amargura. Eu queria deus, mas deus me soa absurdo e ridículo!
Meu coração pede por religião, senão pode ceder à impiedade, ao niilismo. Minha sensibilidade pede por deus ou poderá enregelar-se na indiferença. Mas minha inteligência mordaz afirma, de forma peremptória e tonitruante: “pó e sombras, tolinho, nada mais, nada de mais; som e fúria, tolinho, nada mais, nada de mais!”.
Triste daquele cuja mente prefere arriscar jogá-lo ao precipício a ofertar-lhe o reconfortante abraço da fé!
Eu queria crer, mas deus, a mim, é impossível!