sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
A VIAJANTE - DEDICADO A CAROLINA NANAN, por Tádzio Nanan
A viajante irradia luz como a capital francesa
A todos encanta com sua sabedoria e beleza
A viajante é cosmopolita como a capital teutônica
Versada em filosofia e línguas, é uma figura icônica
A viajante tem a perenidade da histórica Roma
É eterna em nossos corações, a quem a gente mais ama
A viajante é altiva como a mediterrânea capital catalã
Pois conhece seus méritos, a briosa Ana Carolina Nanan
Traz em si todo o charme e sabedoria do velho mundo
Como ele, possui ideais e sentimentos profundos
Ela pertence àquelas praças, museus, àquela efervescente atmosfera
E eles também sempre estiveram destinados a ela
Ela pertence àquela magia, ao sonho de união na diversidade
E enquanto ela viaja na história ficamos cá chorando a saudade
A viajante já é parte da paisagem europeia, poética e erudita (assim como ela)
E com seu sorriso torna a paisagem de lá ainda mais bonita!
domingo, 8 de fevereiro de 2015
ANEDOTA NIILISTA, por Tádzio Nanan
Andava procurando desesperadamente pela Verdade quando me deparei com Deus. Aceitei-O sem questionamentos, tomei-O como a um remédio. Fui feliz neste casamento imaginário até me dar conta de que a Verdade não poderia ser algo tão opaco, silente, incognoscível. A Verdade tem de ser reluzente como um dia ensolarado, barulhenta como as cidades, autoexplicativa como um beijo na boca.
Então recomecei minha busca. Desta vez, deparei-me com a ciência. Mas a Verdade não poderia ser algo tão evanescente, fugaz. Sem falar que a ciência explica mas não traduz, trata dos comos mas não dos porquês. Fica faltando o sentido das coisas, que é o que nos interessa emocionalmente falando.
Uma nova busca, um novo achado: a filosofia. Não... Hermética e pretensiosa!
E quanto à beleza? Mesquinha, competitiva, superficial...
E quanto ao amor? Alienado, egoísta, tendencioso...
O bem? A Verdade não poderia ser algo que não é comum a todos os homens.
O real, a realidade? Algo que cada um interpreta de uma forma peculiar e sempre diferente não pode ser a Verdade...
Então a sabedoria deve ser! Mas a sabedoria despreza erros e desejos, ignorando que eles são a força motriz da existência humana...
Até que intui que a Verdade (com V maiúsculo) não existe. Palavrinha de sentido nebuloso cuja missão é transtornar nossa inteligência, torturar nossas emoções. Vetusta ideia espalhando confusão e desentendimentos entre os humanos, já tão propensos a elas.
Desde então, muito me interessam as verdades com v minúsculo, as pequenas verdades, como, por exemplo, as deliciosas mentiras que perpetramos uns contra os outros cotidianamente (tão bem contadas que, às vezes, nós mesmos acreditamos nelas!)...
Então recomecei minha busca. Desta vez, deparei-me com a ciência. Mas a Verdade não poderia ser algo tão evanescente, fugaz. Sem falar que a ciência explica mas não traduz, trata dos comos mas não dos porquês. Fica faltando o sentido das coisas, que é o que nos interessa emocionalmente falando.
Uma nova busca, um novo achado: a filosofia. Não... Hermética e pretensiosa!
E quanto à beleza? Mesquinha, competitiva, superficial...
E quanto ao amor? Alienado, egoísta, tendencioso...
O bem? A Verdade não poderia ser algo que não é comum a todos os homens.
O real, a realidade? Algo que cada um interpreta de uma forma peculiar e sempre diferente não pode ser a Verdade...
Então a sabedoria deve ser! Mas a sabedoria despreza erros e desejos, ignorando que eles são a força motriz da existência humana...
Até que intui que a Verdade (com V maiúsculo) não existe. Palavrinha de sentido nebuloso cuja missão é transtornar nossa inteligência, torturar nossas emoções. Vetusta ideia espalhando confusão e desentendimentos entre os humanos, já tão propensos a elas.
Desde então, muito me interessam as verdades com v minúsculo, as pequenas verdades, como, por exemplo, as deliciosas mentiras que perpetramos uns contra os outros cotidianamente (tão bem contadas que, às vezes, nós mesmos acreditamos nelas!)...
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
DO NOT GO THERE... OR GO!, por Tádzio Nanan
I strongly believe in my ideals, but, darling, my ideals are skepticism, addiction and sin. In other words, I strongly believe in disobedience!
I strongly believe in my feelings, but, darling, my feelings are wild and dangerous. In other words, I strongly believe in chaos!
I strongly believe in my heart, but, darling, my heart is promiscuous and unfaithful. In other words, I strongly believe in licentiousness!
I strongly believe in my mind, but, darling, my mind creates the truths I believe. Forget me! Try an ordinary guy!
I strongly believe in my soul, but, darling, my soul is very deep and you do not have wings to a soft landing! So take my advice: do not go there, you can lose yourself on this journey!
You better believe me... Or not!
I strongly believe in my feelings, but, darling, my feelings are wild and dangerous. In other words, I strongly believe in chaos!
I strongly believe in my heart, but, darling, my heart is promiscuous and unfaithful. In other words, I strongly believe in licentiousness!
I strongly believe in my mind, but, darling, my mind creates the truths I believe. Forget me! Try an ordinary guy!
I strongly believe in my soul, but, darling, my soul is very deep and you do not have wings to a soft landing! So take my advice: do not go there, you can lose yourself on this journey!
You better believe me... Or not!
domingo, 1 de fevereiro de 2015
MELHORES FILMES VISTOS EM 2014, por Tádzio Nanan
De olhos bem
fechados
O grande
Gatsby
A caça
Antes da
meia-noite
As sessões
Coisa mais
linda – histórias e casos da Bossa Nova
Thor – mundo
sombrio
É o fim
Gravidade
O lado bom
da vida
Um tiro na
noite
Repulsa ao
sexo
Acossado
Terra em
transe
O dragão da
maldade contra o santo guerreiro
Veludo azul
Azul é a cor
mais quente
O capital
Rush – no limite
da emoção
Ninfomaníaca
I e II
O lobo de
Wall Street
Vidas
amargas
Juventude transviada
Assim caminha
a humanidade
Jovem e bela
Capitão Phillips
Blue Jasmine
12 anos de
escravidão
Clube de
compras Dallas
Invocação do
mal
Ela
Trapaça
Álbum de
família
Até o fim
Sob a pele
O lobo atrás
da porta
O grande
hotel Budapeste
Tim Maia
Balada de um
homem comum
A história
oficial
Noites de
Cabíria
Z
A grande
beleza
Garota exemplar
sábado, 31 de janeiro de 2015
I DO NOT BELIEVE, BUT..., por Tádzio Nanan
I do not believe in god, but I believe in those who have true faith.
I do not believe in utopia, but I believe in those who strive to improve things every day.
I do not believe in love, but I believe in those who love unconditionally.
I do not believe in peace, but I believe in the goodwill of people.
I do not believe in democracy, but I believe in the freedom of speech, in the debate.
I do not believe in the future, but I firmly believe in the new generations.
I do not believe in salvation, but I believe in saving others.
I do not believe in happiness, but I believe in wide smiles and bright eyes.
I do not believe in me, but I believe in my fellow man.
I do not believe in utopia, but I believe in those who strive to improve things every day.
I do not believe in love, but I believe in those who love unconditionally.
I do not believe in peace, but I believe in the goodwill of people.
I do not believe in democracy, but I believe in the freedom of speech, in the debate.
I do not believe in the future, but I firmly believe in the new generations.
I do not believe in salvation, but I believe in saving others.
I do not believe in happiness, but I believe in wide smiles and bright eyes.
I do not believe in me, but I believe in my fellow man.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
HUMANIDADE!, por Tádzio Nanan
Tudo caminha decididamente... Para trás!
Quanto mais concertamos, mais longe da paz!
De dias temerários caem noites repletas de voracidade!
Assim os homens se relacionam: com demencial periculosidade!
O tempo transcorreu e não evoluímos moralmente!
As instituições que criamos, lar de facínoras impenitentes!
Ele continua uma ideia fixa em nossa mente primitiva!
A religião, seu rastro de sangue, suas verdades elusivas...
Cada qual crê ser o centro do eterno infinito!
Desconhece o semelhante, não ouve seu grito!
Cada qual crê que sua verdade é a verdade universal!
E pensando fazer o bem espalha e aprofunda o mal!
Com a mesma origem, mas radicalmente divididos!
Por ódios e preconceitos hediondos carcomidos!
Nosso futuro parece uma inescapável regressão ao passado!
E se temos uma chance é ouvir aos alertas desesperados!
Minha intuição diz que o porvir revelará triste surpresa:
A tecnologia não nos libertará; seremos sua presa!
E como fera que é, segue seu instinto irrefreável,
E o destino da humanidade não nos será agradável!
Assim nossa história termina: a noite cai, hora de dormir!
E nesse instante só os loucos e profetas poderão rir!
Quanto mais concertamos, mais longe da paz!
De dias temerários caem noites repletas de voracidade!
Assim os homens se relacionam: com demencial periculosidade!
O tempo transcorreu e não evoluímos moralmente!
As instituições que criamos, lar de facínoras impenitentes!
Ele continua uma ideia fixa em nossa mente primitiva!
A religião, seu rastro de sangue, suas verdades elusivas...
Cada qual crê ser o centro do eterno infinito!
Desconhece o semelhante, não ouve seu grito!
Cada qual crê que sua verdade é a verdade universal!
E pensando fazer o bem espalha e aprofunda o mal!
Com a mesma origem, mas radicalmente divididos!
Por ódios e preconceitos hediondos carcomidos!
Nosso futuro parece uma inescapável regressão ao passado!
E se temos uma chance é ouvir aos alertas desesperados!
Minha intuição diz que o porvir revelará triste surpresa:
A tecnologia não nos libertará; seremos sua presa!
E como fera que é, segue seu instinto irrefreável,
E o destino da humanidade não nos será agradável!
Assim nossa história termina: a noite cai, hora de dormir!
E nesse instante só os loucos e profetas poderão rir!
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
ONLY OVER MY DEAD BODY!, por Tádzio Nanan
I was left to die in the desert of my loneliness.
But I have faith I will find the path to the fullness.
Being the opposite of myself, my existential condition.
But I'm willing to face and overcome my inner confusion.
The more I search the more I get lost.
But somehow I know I'll find what I want, no matter how long it takes, no matter how much it costs.
Be misunderstood in my actions, in my words is my particular pain.
But I can feel in my heart that my efforts will not be in vain.
Jealous people try to bring me down, overshadow my light.
But make no mistake: I will never give up this fight.
Surrender? Only over my dead body!
Step by step I´ll reach the gates of Glory!
But I have faith I will find the path to the fullness.
Being the opposite of myself, my existential condition.
But I'm willing to face and overcome my inner confusion.
The more I search the more I get lost.
But somehow I know I'll find what I want, no matter how long it takes, no matter how much it costs.
Be misunderstood in my actions, in my words is my particular pain.
But I can feel in my heart that my efforts will not be in vain.
Jealous people try to bring me down, overshadow my light.
But make no mistake: I will never give up this fight.
Surrender? Only over my dead body!
Step by step I´ll reach the gates of Glory!
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
DO NOT FOOL YOURSELF, by Tádzio Nanan
You´re not so marvelous
You´re not so generous
You´re not so powerful
You´re not so beautiful
You´re not so memorable
You´re not so capable
You´re not so healthy
You´re not so wealthy
You´re not a gift
You´re not the shift
You´re not his/her dream
You´re not what you seem
You´re not so conscious
You´re not so gracious
You´re not so smart
Nor the most important part
You´re not so fair
Nor the escape from despair
You´re not so divine
Nor delicious like wine
You´re not the best
You failed the test
You´re not so helpful
Sometimes you´re dreadful
You´re not the solution
Frequently you increase the confusion
You´re not the example
(We don´t need another temple)
You´re not the future
You don´t have enough culture
You´re not the exit
You don´t have the courage to face it
You´re not the light
You´re crazy to fight
You´re not an unanimity
You even make charity
You´re not the cure
(Sometimes you´re very obscure)
But relax: at least, you are better than me!
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
I WISH YOU, by Tádzio Nanan
I wish
you...
Much
knowledge and ridiculous superstitions
Great
wisdom and irrepressible desires
A
comforting silence and the drums of war
Temperance
and greed
Sense and
insanity
I wish
you...
The lights
of morning and the shadows of the night
The truth
and everyday lies
Forgiveness
and revenge
Friendship
and loneliness
Successes
and failures
I wish
you...
The
ordinary life and the most beautiful dreams
Tradition
and the freest imagination
Respect for
the law and transgression
Words of
love and acts of hate
A handshake
and a low blow
Because you
have to know the both sides of life.
Because you
have to fly among the clouds and fall over the precipice.
This is the
true meaning of life!
domingo, 28 de dezembro de 2014
HOPE, by Tádzio Nanan
The world is bad...
But you are good and fair.
Have faith in God, in life, in yourself; not
ever give up!
Life is hard...
But you are a survivor, you are a warrior.
Have faith in God, in life, in yourself; not
ever give up!
The dream is over?
Find a new one (there is always a dream
waiting to be discovered).
Have faith in God, in life, in yourself; not
ever give up!
Your heart is broken...
Be brave: invite her(him) to go out with you.
Have faith in God, in life, in yourself; not
ever give up!
Your soul is in a deep sadness...
Immerse yourself in the magic, in the beauty,
in the mysteries of life.
Have faith in God, in life, in yourself; not
ever give up!
You got lost on the way to happiness...
Stop and rethink the whole strategy.
Have faith in God, in life, in yourself; not
ever give up!
Your eyes can only see in shades of gray...
Open your heart to life and the colors will
come back.
Have faith in God, in life, in yourself; not
ever give up!
They left you alone...
Be your best friend, take care of yourself,
love yourself.
Have faith in God, in life, in yourself; not
ever give up!
You are getting old...
Old, but more experienced!
Have faith in God, in life, in yourself; not
ever give up!
You are tired of carrying your cross...
Gather every little piece of you, renew your
strength and go make your work.
Have faith in God, in life, in yourself; not
ever give up!
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
LAUGH AND CREATE, by Tádzio Nanan
I prefer some daily laughters than the erudition of the great men.
It is biblical: the more you know the more you suffer.
Besides: castigat ridendo mores.
And everyone knows: laughter is the best medicine.
Yes, I prefer to be the funny guy than to be “a serious guy", immersed in everyday problems, exchanging dreams by food, enslaved by rivalry, power and money.
I prefer to have the head on the moon than to have it full of useless information. The ordinary life does not satisfy me. I was born to the different, to the unexpected, because I want more. My soul impels me to that.
I renounced the quest for success, the struggle for power and money. My goal is simpler, but more noble: create with originality. Do art and imagine new paths and possibilities to life.
People laugh at me, because they think I´m a fool. I laugh at them, because I know how wrong they are about life and its delicate beauty.
Laugh and create: my civilizing mission!
It is biblical: the more you know the more you suffer.
Besides: castigat ridendo mores.
And everyone knows: laughter is the best medicine.
Yes, I prefer to be the funny guy than to be “a serious guy", immersed in everyday problems, exchanging dreams by food, enslaved by rivalry, power and money.
I prefer to have the head on the moon than to have it full of useless information. The ordinary life does not satisfy me. I was born to the different, to the unexpected, because I want more. My soul impels me to that.
I renounced the quest for success, the struggle for power and money. My goal is simpler, but more noble: create with originality. Do art and imagine new paths and possibilities to life.
People laugh at me, because they think I´m a fool. I laugh at them, because I know how wrong they are about life and its delicate beauty.
Laugh and create: my civilizing mission!
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
CLOSED FOR BALANCE, by Tádzio Nanan
My soul is
in deep silence. Not the silence full of meanings of the wisdom. Not the placid
silence of the illumination. It´s a painful silence of a tortured soul, that
now inquires itself: have I been wrong about life for all these years?
My heart is
in silence, too. Not the comforting silence of a shared love. Not the silence
full of plenitude of a generous and fearless heart. It´s a silence of an
abandoned heart, that now inquires itself: why did I hide myself for so long?
Paralised,
between so distressful silences, I search in the images of my unconscious the
source of my unhappy choices. Why did I run away from myself, from people, from
life? How did it happen?
To find out
these answers means begin to live again...
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
PARA LAÍS AYRES BARREIRA, EM SEU ANIVERSÁRIO (11/12/2O14)
Um coração
sensível, para aceitar as gentes...
A mão acolhedora
sempre estendida ao próximo...
Somos todos
teus filhos, Laís!
Filhos da
tua inteligência e coragem.
Filhos da
tua benevolência, também.
Crescemos
com teu exemplo de amor à vida e esperança.
Um coração e
uma mente atentos, acompanhando os ventos, as mudanças, alvoreceres novos, novos
tempos. Um coração e uma mente mutantes, juntando, unificando pureza de
criança, mistérios juvenis, brios de mãe, avó, bisavó, mulher.
Parabéns
pela grandeza de ânimo, pela grandeza de caráter.
Gratidão e
amor eterno dos teus.
Família
Nanan
A CROOKED GUY!, por Tádzio Nanan
I´m a crooked
guy, gauche. I was born this way, I will
die this way. There is no remedy to my obliquity.
I ´m a crooked
guy. Metaphorically and literally.
For example:
I can not think accurately. My thoughts are confused, they can not penetrate
the mysteries of life, even the ones of the everyday life. I think confusedly, with
no method and direction.
And my feelings?
Dark and conflicting, laden of sadness and despair. Most of them are unbearable
to me. A cross that I carry every day.
I have
crooked legs, crooked teeth, back problems, an asymmetrical face (as you can
see, I have very bad genes...). Again: there is no remedy to this. Perhaps born
again?
And worst of
all: people say I´m a fool and I guess they are right. Look at the whole
situation: insignificant talents, trivial points of view, unrealistic dreams...
A wasted life? Apparently, yes...
I walk and
walk and don´t get anywhere. I imagine a thousand things but I can´t concretize
them. I study a lot and what I find out? The obvious, of course. Waste of time?
Apparently, yes...
I´m a crooked
guy, tell me all the voices, all the clues.
But someone benevolent,
knowing my problems, reminded me of an old saying: God writes straight with crooked lines.
That night,
I renewed my hopes, and slept in peace, thinking that perhaps through my
obliquity God is writing a singular and universal work!
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
UM CARA TORTO, por Tádzio Nanan
Sou um cara torto, todo errado, gauche. Nasci assim, assim vou morrer. É como me quiseram as forças superiores. É como me fizeram aqui embaixo. Pena que ainda não inventaram remédio contra a obliquidade...
Sou um cara torto, metafórica e literalmente falando. Por exemplo: não consigo pensar com acuidade. Meus pensamentos não penetram a fundo os mistérios da vida. Penso confusamente, me expresso confusamente, confusamente ajo. Não tenho método, roteiro, direção. Percorro uma trajetória impossível de ser prevista ou calculada, como uma pluma ao vento. Puro caos.
E meus sentimentos? Sombrios, conflituosos, carregados de tristeza com uma pitada de desespero. Tipo de coisa com a qual se nasce e não nos livramos nunca. Um açoite diário.
Torto, todo torto, torto deveras. Dentes tortos, pernas tortas, torta a coluna, o rosto torto (veja aí a qualidade dos genes que me legaram...).
Como se não bastasse a obliquidade generalizada, a boca miúda me tem na categoria de tolo, e acho que ela está certa, mesmo. Invisto em talentos insignificantes, publico pensamentos superficiais, baseio minha história em sonhos irrealistas... Uma vida desperdiçada? Aparentemente, sim!
Eu ando, ando, ando e não chego a lugar algum (estarei preso numa maldição a la mitologia grega?). Imagino uma miríada de coisas, mas não consigo realizá-las em qualquer grau. Passo horas estudando, e qual é a minha grande descoberta? O óbvio, claro! Perda de tempo? Aparentemente, sim!
Sou um cara torto, todo errado, gauche. É o que me dizem todas as pistas.
Mas alguém caridoso, próximo a mim e conhecedor de minha delicada situação, lembrou-me de um antigo ditado popular que diz: Deus escreve certo por linhas tortas. É verdade, inescrutáveis são os caminhos Dele...
Naquela noite até remocei, renovei as esperanças, dormi em paz, cheio de fé, pensando que, talvez, através da minha obliquidade, Ele esteja escrevendo uma grandíssima e singular obra!
domingo, 7 de dezembro de 2014
THE GIRL, por Tádzio Nanan
A lovely
girl and her beautiful dream facing life and its circumstances.
She spreads
love everywhere she goes. And she spreads doubts, too. She´s dangerous: a
philosopher of the new criticism of value.
Her smile is
the biggest smile on the face of the Earth, pure and sincere. It illuminates
her family and everyone around her.
But in her eyes we can see flames: the flames of hope, courage and change.
Her dream is
huge: a better civilization, a better future, a new era of peace,
cooperation and self-development.
She never
gives up because of her dream.
She never
surrenders because of her dream.
She has no
fear because her dream is at her side.
The dream
makes her wiser. The dream impels her to the future.
And she
impels the dream, too.
The dream
never gives up of her: she makes “him” more believable.
The dream
never surrenders to the circumstances because she taught “him” to be stronger.
What a
spectacular couple: the girl and her dream. Not any girl and any dream: the
tireless Caroline and her wonderful dream: to change the world for better.
Good luck,
Caroline, in life and in fight.
Dedicated to
my brilliant and talented sister Caroline.
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
DESINTOXICAÇÃO, por Tádzio Nanan
Preciso
desintoxicar-me, urgentemente. A droga que me assola? Eu mesmo! Meus pensamentos
e ações descolados da vida real, dissonantes do ritmo frenético que move o
mundo. A vida que tenho levado, as coisas que ando fazendo, o modo como traduzo
o mundo, puro delírio, pura ilusão. Preciso desintoxicar-me das verdades que me
inventei, pois, agora, elas me entontecem, me fazem perder o equilíbrio, o coração
bater descompassadamente, as ideias ficarem confusas.
Preciso desintoxicar-me
de mim mesmo. Livrar-me de toda esta bagagem intelectual, e renascer,
tornar-me outro. Trocar este sangue envenenado pela fantasia. Assimilar, de uma
vez por todas, as verdadeiras leis que regem os homens e a natureza, saindo do
meu universo paralelo de almoços grátis, de sombra e água fresca.
Preciso
desintoxicar-me destes sonhos pretensiosos, que nunca me renderam nada além da
desconfiança alheia; desintoxicar-me das minhas vãs certezas, que nunca me
renderam nada além de soberba e orgulho imerecido; desintoxicar-me dos delírios
juvenis a mim incutidos pelos irresponsáveis e idiotas; e ingressar na dura,
austera e difícil maturidade, ingressar na única vida que conhecemos e soubemos
construir.
Admitir o
fracasso e dar a cara a tapa, deixar de sonhar com ser um deus na Terra para
ser apenas homem, mais um mortal, entregue à brutal e cotidiana lida. Abortar
minha utopia particular para poder comprar o pão de cada dia, esquecer esta
sucessão de erros e dissonâncias cognitivas que me levaram a esta encruzilhada
doída, a este abismo sem pontes, ao ostracismo.
Não sou
especial como acreditei que fosse, que produziria coisas inteligentes e belas.
Não tenho reluzente caminho a trilhar. Meu caminho é o caminho do homem comum,
que não sonha, apenas come e habita. Depois morre. Porque ordinário me fiz ao
longo dos anos, porque ordinário me fez minha linhagem em sua aleatoriedade
amoral.
Eu quis
muito, mas não pude!
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
TRANSIÇÃO, por Tádzio Nanan
A vida
humana como a conhecemos em seus derradeiros instantes.
O mundo como
o conhecemos não se sustenta mais.
É o fim
desta civilização que optou por trocar equilíbrio duradouro por uma mistura irresponsável
de falta e excesso. Mais que isso: criou a falsa e perigosa identidade entre
felicidade e dinheiro.
Seu corpo
moribundo exala um cheiro de decadência, senilidade e morte.
Estamos empurrando
os limites, mas é só ilusão. Estamos prorrogando nosso tempo, artificialmente. Quanto
mais lutamos como indivíduos, mais malefícios acumulamos como sociedade, mais eclipsamos
nossa estrada comum, mais depauperamos nosso lar cósmico.
Quanto mais
temos, mais vazios ficamos. Quanto mais avançamos, concomitante e
paradoxalmente retrocedemos. O acúmulo de riqueza, poder, conhecimento por
parte de poucos nos dividem radicalmente. Logo nos dividirão irremediavelmente.
O paradigma
está caduco, baseia-se em premissas errôneas. A fonte, que parecia inesgotável,
secou. Nosso sonho envenena-nos dia após dia. Nossos desejos nos infligem dor, angústia,
desespero.
Como alguém
representativo desta noctígena era, também não tenho estrada a seguir, porto
para chegar, futuro para viver – terei de inventá-los a base da força, coragem,
imaginação, como os pioneiros de todos os tempos (pioneiros que precisam,
agora, urgentemente aparecer).
Eu sou o
mundo em sua confusão e perplexidade, o mundo sou eu na minha impotência e
paralisia.
Ou me
reinvento, tiro uma carta da manga, faço mágica, ou pó, nem lágrimas nem
lembranças: pó simplesmente. Ou a civilização se reinventa, faz um demorado
exame de consciência, reencontra-se com seu destino maior: a paz, a justiça, a sustentabilidade,
ou silêncio e inconsciência, ou nossa herança (a miríada de talentos humanos) se
perderá na poeira das estrelas!
Que passos
darei?
Que passos
daremos?
Uma coisa é
certa: eles nos farão viver ou morrer!
domingo, 23 de novembro de 2014
POESIA, por Tádzio Nanan
Era um poema
errante e flutuava sobre meu lar. Velozmente e com a magia da antigravidade lancei
minha vara de pescar para o céu e o puxei de entre as nuvens. Ele estava
vadiando por aí e encontrou este poetinha vagabundo neste meio-dia da vida. Eu
o senti nas entranhas, apaixonei-me por ele e dele me apossei. Assinei em baixo
sem ser seu autor, o autor dele foi a ventania que batera pouco antes, o tema
dele é o gozo que as folhas das árvores sentem quando o vento passa por elas,
acarinhando-as, fazendo-as assobiar.
Outras vezes,
no entanto, o poema vem das profundezas da alma, das vagas às vezes
tempestuosas às vezes tranquilas do nosso ser. Este tipo de poema leva anos
para se escrever (ele se escreve sozinho, a gente apenas o organiza), porque
ele é consequência da própria evolução de nossa existência, emoções,
entendimento. O poema vai se escrevendo na nossa pele, devagarinho; elaboramos,
sem perceber, um raciocínio que o pertencerá; nossa imaginação vai desenhando
as paisagens que nele estarão contidas; nossa inteligência o vai definindo aos
poucos, e um belo dia ele está no papel, pronto para se entregar aos olhos do
mundo.
O engraçado
é que, muitas vezes, o poeta nem desconfia de que o poema seja ele transfigurado.
É o poeta que está no papel, desnudo, entregue ao julgamento alheio...
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
MEU CAMINHO, por Tádzio Nanan
Madrugar,
trabalhar, jantar, dormir; não, não é o meu caminho!
Casar,
família, filhos, lar; não, não é o meu caminho!
O caminho
habitual, o consagrado caminho do homem de bem... Não é para mim; sou caótico e
complexo demais para ele, eu o transbordo, ele me reprime.
Será meu
caminho, então, um descaminho (há uma miríade deles)? Dificilmente... Sou muito
medroso; sou meio dado a loucuras, mas tenho forte instinto de autopreservação.
Será meu
caminho o abismo, ou seja, a completa ausência de caminho, o fim prematuro, ou
mesmo o fim autoinfligido?
Ou pode ser
que meu caminho exista por aí, confundindo outros transeuntes, outras almas
perdidas, e eu devo apenas procurá-lo com mais afinco. Sair mais por aí a ver
se as coisas me indicam o caminho, a ver se as pessoas me indicam o caminho. Mas
tenho medo das coisas e desconfio das pessoas...
Pode ser que
um caminho a mim endereçado não exista ainda e eu tenha que criá-lo, abri-lo a
golpes de facão na selva da civilização, ou pintá-lo surrealistamente com as
asas da minha imaginação feérica e nele cair vertiginosamente e lá viver para
sempre.
Enquanto o
caminho não surge neste deserto em que me encontro (quando surja, espero que
não seja miragem), sigo errando delirantemente por mundos e dimensões
paralelas, misturando loucura e sabedoria e fazendo arte desse exótico
encontro.
Sigo
orbitando à minha própria volta – como se eu fosse o planeta e a estrela; sigo
atraindo-me a mim mesmo, como um buraco negro que se engole e se extermina.
Mas sei de
uma coisa: meu caminho sou eu!
Talvez, como
obra inacabada que sou, não mereça (ainda) um caminho (um órfão de caminho!).
Talvez, Deus
esteja esperando que eu me decifre para apontar-me o caminho.
Mas, e se
for isso mesmo: se eu precisar decifrar-me?
Decifrar-se?
Poderá alguém?
A mim é
muito difícil. Por isso meus pais abandonaram-me, por isso meus irmãos
abandonaram-me, por isso meus amigos abandonaram-me, por isso as forças cósmicas
esvaíram-se de mim: eles nunca puderam entender-me e isso os assustou e os
levou para longe.
E com razão:
Sou Eros e
sou Tânato
Sou Prometeu
e Epimeteu
Sou Diógenes
e Alexandre
Sou Hitler e
o Nazareno
A dualidade
encarnada!
Também sei
de outra coisa: o caminho dos outros não sigo, não me interessa. Teimosia? Sim!
Não sigo, não me interessa!
Ou o meu
caminho ou nada!
Ou meus
passos marcados em terra virgem, ou nada!
Não sou dublê
de corpo, não sou dublê de alma!
Sou igual a
todo mundo, mas tenho meus tamanhos infinitos! Eu não caibo nos outros, os
outros não cabem em mim!
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