domingo, 30 de agosto de 2015

INTERPRETAÇÕES, por Tádzio Nanan

O inelutável destino, o inescrutável acaso, a vontade divina...
Ao fim e ao cabo, tanto faz: as coisas são o que as coisas são.
A força motriz da vida, qualquer que ela seja, age à surdina
E de nada adianta praguejar ou entoar suplicante oração!

Sorrateiro, o inelutável destino trança sua fatídica teia.
Quando percebemos a armadilha, já estamos enleados.
Nela cai o caridoso e o ímpio, o que ama e o que odeia.
A moral fica alheia; os planos foram previamente traçados...

Furioso golpe, o inescrutável acaso desaba sobre nossas vidas.
Um formigueiro humano... E em nós justamente ele põe o olhar!
Imprevisíveis reações em cadeia, imponderáveis idas e vindas...
Saímos pro mundo, cheios de sonhos, mas sonhos se desmancham no ar...

A vontade divina, claro, é a interpretação que satisfaz à maioria.
É consolador crer que seremos recompensados no além-mundo
Por todo o sofrimento do dia a dia, por toda essa dor, essa agonia...
Deus faz recomeço do fim, faz da vida algo sublime e profundo!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

UM POETA, por Tádzio Nanan


Um poeta respirando a palavra, nutrindo-se da linguagem, habitando o sentido, paramentado de figuras de estilo e argumentos. Ousar a poesia é o sonho que ele corajosamente inventou para si. Escrever é seu heroico ato de resistência; é sua declaração de amor à vida, ao mundo; é sua irreprimível forma de existir.


Um poeta cantando todas as nuances da existência,  a luz, a treva, os opostos do mundo, às vezes, com versos singelos de fazer rir, outras vezes, com pungentes versos de machucar o coração, mas sempre com versos de transbordante verdade (a sua particular verdade), para que acusem seu texto de tudo -superficial? medíocre?- mas nunca de tíbio, morno, sem intensidade.


Um poeta investigando temas abissais, singrando mares quase nunca desbravados, a bordo da mística nau da intuição; ele não escreve porque sabe: é na construção do poema que a luz acontece, quando a esfera do extrassensorial abre suas portas e a alma do poeta se ilumina e pesca a exata palavra, o profundo sentido, e o mundo se descortina como revelação.


Um poeta versejando sua dor para que ela floresça em canteiros de arte e beleza; para que o homem que habita o poeta prossiga esperanças cultivando; ele pode morrer mil vezes (estas nossas mortes cotidianas...), mas sempre renasce, e renasce sonhando; dissolva o caos, horrorize a guerra, nada lhe amedronta ou o faz recuar se no solo uma flor resistir brotando.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

SEPARAÇÃO, por Tádzio Nanan

As primeiras folhas do nosso amor já se desprendem...
É o ciclo natural do tempo, da vida, dos sentimentos;
Fomos felizes juntos, eternizamos tantos momentos;
Mas contrariados, nossos corações já não se entendem!

Cá estamos para cumprir o roteiro do incontrastável destino...
As horas passam, e os sentimentos se exaurem, envelhecem.
As engrenagens do tempo não cessam; quantas mudanças tecem!
Aceitar isso sabiamente para não cometer nenhum desatino!

Separar-se é uma imposição da própria dinâmica da vida.
As pessoas mudam; maltratam a rotina e a convivência.
Críticas e desconfianças corroem a romântica experiência.
A história mais antiga do mundo, também a mais repetida...

As folhas do nosso amor começam a cair, melancolicamente...
Parto antes da procela, para conservarmos as boas lembranças;
Para não deixar o rancor aniquilar nosso riso, nossas esperanças...
De um amor tão terno à ojeriza que se apossou da gente!

sábado, 8 de agosto de 2015

CORAGEM!, por Tádzio Nanan

Existir dói. E não há contra isso qualquer elixir ou panaceia.
A confusão dos sentidos, dos sentimentos; as angústias existenciais...
Nossos conflitos internos, o interminável conflito com os demais;
Vicissitude, medo, fracasso, tudo parte da humana epopeia!

O sofrimento é parcela necessária -e fundamental- do existir.
Dói ir descobrindo a nós mesmos, construir nossa identidade;
Dói renunciar à vida, ao amor pela imortal causa da liberdade;
A vida maltrata, naturalmente; mas é nossa obrigação resistir!

Da árvore da vida, a coragem é o fruto imprescindível.
Sem ela, o instante é vão, a vida murcha, o sonho fenece;
O mundo esquece a gente, a gente do mundo se esquece;
Os dias não trazem nada, a treva cai de forma irreversível!

A coragem é ponte para o futuro; é imperiosa urgência.
Só ela pode transformar em realidade aquilo que é virtual;
Só ela é capaz de sonhar e lutar por um mundo ideal;
Superando, dia após dia, a escassez da nossa existência!

domingo, 2 de agosto de 2015

IRRESISTÍVEL, por Tádzio Nanan

Entre nós, meu amor, tanta crueldade e preconceito...
Mas não ajoelho ante o ódio deles, não vão me dobrar!
Se Deus encarnou na Terra para nos ensinar a amar,
Qualquer pregação em contrário, eu não aceito!

Entre nós, meu amor, tanta mesquinharia e ignorância...
Com argumentos infames, propagam inverdades sobre nós!
Cruzados em armas nas hostes de um deus iracundo e atroz!
Mas seus argumentos estão destinados à irrelevância!

Entre nós, meu amor, tantos muros, tantas grades...
Constroem masmorras para impedir nossos encontros apaixonados!
Que mundo é esse que faz amantes serem crucificados
Em nome de falsos profetas e suas pseudoverdades?!

Entre nós, meu amor, o abismo da lei insensível...
Os fanáticos creem poder criminalizar o amor!
E, assim, sufocar a paixão e conter nosso ardor;
Mas a gravidade que rege os corpos é irresistível!

terça-feira, 14 de julho de 2015

INVENTAR, por Tádzio Nanan


Inventar a vida, com intrepidez e criatividade
Para aliviar o peso do passar das horas na consciência.
Inventar a verdade com as mentiras da religião, da ciência,
Para a dúvida não nos furtar a tranquilidade.

Inventar deus, na aflitiva busca por sentido,
Para que tudo seja explicado, e o caos aplacado.
Inventar cristo, inventar o amor, inventar o cuidado
Para o coração selvagem chorar, condoído.

Inventar o livre-arbítrio para se destacar à natureza:
O sonho da autodeterminação, da vontade soberana.
Inventar a razão para se opor à percepção que engana;
Para que a chama do progresso continue acesa.

Inventar a utopia para alimentar a crença no futuro,
Para manter os homens unidos pelo ideal da salvação.
Inventar a paz para conflitos que nunca terão solução;
Inventar a sabedoria para se opor ao nosso lado escuro.

Inventar a civilização para que um por cento de nós enriqueça.
Inventar a normalidade para a maioria sossegadamente oprimir.
Inventar a felicidade pra gente casar, ter filho, laborar, consumir.
Inventar a esperança para que o desespero jamais prevaleça.

domingo, 5 de julho de 2015

ANTAGONISMOS(?), por Tádzio Nanan


O sonho alimenta a alma; com as cores da esperança pincela o futuro. O braço alimenta o corpo; de sol a sol, edifica o presente.
A razão segue decifrando o sentido das coisas. Já a emoção inventa outros sentidos: Deus, utopia, felicidade, arte, superação; ideias que nos mantêm ativos e resilientes.
O sábio em mim -estranhamente- não quer traduzir o Mistério, quer suavemente deslizar em suas ondas; o tolo em mim, ingênuo passageiro das horas, andarilho sem destino, anseia o riso fácil, a conversa despretensiosa, o existir sem regras ou resultados; não quer saber do Mistério: quer cama e mesa.
O instinto recorda-me de meus pressupostos biológicos, do sistema operacional que faz rodar minha máquina orgânica; já a cultura em mim é o refinamento do projeto humano, imaginado por nosso coração oceânico e nossa inteligência infatigável.
O ego em mim sou eu centro do universo, alienado em minha dor e alegria, concentrando tudo em si: black hole sentimental e pensante. O desapego em mim é a gente do mundo pulsando em meu peito, povoando minha mente; é o Nazareno a convocar-me para a revolucionária missão do Amor.
O corpo: ponte e abismo; encontro e saudade. A alma: sonho(vão?) de perfeição moral na Terra e bem-aventurança no Céu.


quinta-feira, 25 de junho de 2015

O MELHOR DO MUNDO, por Tádzio Nanan

A paz é a construção social mais desejada
Para os filhos da Terra: justiça e oportunidade
Que as diferenças se coadunem numa unidade
E com ética prossigamos nossa jornada

A beleza cativa a alma, encanta o coração:
O pensamento, a natureza, a arte, o amor...
Vencer na vida ou enfrentá-la como for...
O silêncio impávido, a mais sentida oração...

A bondade presta vital socorro ao semelhante
Intimorata, ergue-se para defender o oprimido
Só descansa quando o mal já definhou esquecido
E o infortúnio fica um pouco mais distante

O sonho da experiência pessoal é a sabedoria
A boa vida, a saúde, o discernimento, a temperança...
Ir envelhecendo com a fé e a alegria de uma criança...
Alçados à outra esfera, fruir plenamente o dia

sábado, 20 de junho de 2015

SENSAÇÕES, por Tádzio Nanan


Revolto mar de sensações: o retrato da vida!
Volúveis sensações, que irrompem e desaparecem;
Que nos confundem, atordoam, enlouquecem;
E trazem à tona toda sorte de dor esquecida!

Sob o jugo das sensações vive o humano!
É, a cada dia, por novas impressões provocado;
É, por uma vasta gama de emoções, assaltado;
E mal diferencia a realidade do engano!


Governado por sensações conflitantes,
Debato-me como peixe fora d´água e fico sozinho;
Afasto-me do antigo e promissor caminho;
Não sou nem sombra do que era antes!

Sensações enchendo, transbordando a inteligência...
A cada instante, vejo tudo sob um diferente prisma!
A cada instante, uma nova revolução, um novo cisma!
A cada instante, um brinde oferecido à incoerência...

Sensações enchendo, transbordando o coração...
É tão urgente e tão difícil traduzir o que se sente!
É tanto amor e tanto ódio atravessando a gente!
Almas cativas da sentimental confusão...

quinta-feira, 11 de junho de 2015

SUCCUBUS, por Tádzio Nanan

Esta mulher quem é que me assedia em visões?
Ela existe, é real, ou delírio da minha mente?
Será minha amada imortal ou maligno ente
Que através dos tempos sorve a força vital dos varões?

É imagem fixa aonde quer que pouse os olhares.
Sinto sua corporeidade se materializando no ar.
É também as sombras que se infiltram em meu lar.
Demônio implacável, sempre em meus calcanhares!

Irresistível, resplandece no horizonte do meu desejo.
Vem faminta, determinada a alcançar seu objetivo:
Roubar-me o entusiasmo, o elã que me faz vivo;
Despedaçar meu coração, cravar-me seu fatal beijo!

Alta madrugada, sai da treva, e me devora, consome.
Vou a pique, num misto de prazer e agonia, êxtase e estupor...
A vampira envolve sua presa com a armadilha do amor,
Depois se lambuza de sangue pois infernal é sua fome!

sexta-feira, 5 de junho de 2015

EXTREMOS, por Tádzio Nanan

Oscilo entre o desespero e a esperança
Pelo amor e pela morte ferozmente disputado
Não tenho par definido nesta dança
Nem script que prediga o resultado...

Oscilo entre a atitude e a resignação
Em um exasperador movimento pendular
Atado ao seio desta contradição
Que não me faz ir nem me faz ficar...

Oscilo entre o sonho e a realidade
Oscilo entre a sensatez e a paixão
Oscilo entre a presença e a saudade
Oscilo entre o olvido e a ambição...

Oscilo entre o desejo e a sabedoria
Mas amiúde os momentos confundo
E acabo ficando sem paz ou alegria
Sem gozo ou entendimento profundo...

Oscilo entre a ideologia e o niilismo
Metade do tempo, creio; noutra metade, duvido
Esta fissura é meu particular cataclismo
Que me alucina, mas que não afasto ou divido...

Oscilo entre Deus e o acaso
Oscilo entre a humanidade e a solitude
Oscilo entre o profundo e o raso
Oscilo entre a arte e o ataúde...

Oscilo entre a treva e a luz
No espelho, vejo eu e meu oposto
Vejo aquele que morreu na cruz
E a sombra do mal em meu rosto...
 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

ARMISTÍCIO, por Tádzio Nanan

Enfim, eu e a vida assinamos o tão esperado armistício, após décadas de visceral estranhamento, de incompreensão e ressentimentos recíprocos. Agora, seguimos na mesma direção (até uma nova encruzilhada fazer com que optemos, outra vez, por caminhos diversos...). Ambos nos transformamos, evoluímos, aprendemos a ceder para saudavelmente conviver, mas sempre mantendo nossas identidades profundas. Restabelecida a parceria, caminhamos nesta promissora estrada rumo ao futuro. Agora a vida é uma força benigna, que me impele adiante. Eu também me tornei uma força benigna na vida, e cultivo a generosidade com ações e palavras.
Antes, eu e a vida estivemos, quase sempre, em desacordo. Eu era arrogante, vaidoso, imaturo; ela era exígua, mesquinha, cruel. Tentávamos nos impor, nos sobrepor um ao outro. Eu não a compreendia bem, esperava dela coisas que ela não me podia oferecer; ela alimentava preconceitos e desconfianças em relação a mim, injustamente. Isto ocorreu porque temos convicções fortemente arraigadas, e muitas delas não se coadunam, na verdade, se chocam, irradiando energia potencialmente devastadora, energia esta que eu soube inteligentemente canalizar para fins profícuos e benfazejos.
Vivenciando tanto tempo este conflito acabei aprendendo algo importante, embora contraintuitivo: nem sempre estar em oposição à vida significa murchar ou padecer. Às vezes, ocorre o inverso: nesse embate existencial entre a personalidade de um e a realidade de todos, mergulhamos mais fundo em nós mesmos para descobrirmos quem realmente somos, o que realmente queremos, o quanto podemos; rompemos com estruturas petrificadas, superamos pensamentos antiquados; inconformados, imaginamos novas formas de estar no mundo;  acostumamo-nos à condições de vida mais austeras; tornamo-nos mais sensíveis às revoluções que acontecem em nosso íntimo e àquelas que acontecem ao nosso redor. Foi quando estive em oposição à vida que me inventei os sonhos mais lindos e sempre em oposição à vida os mimei e alimentei para agora os ver frutificar, cheios de glória.
Às vezes, estar em demasiada sintonia com a vida, receber suas bênçãos e afagos, pode nos desviar do caminho almejado, corromper nossos ideais, amolecer nossos músculos, enfraquecer nosso caráter, pode fazer com que fiquemos satisfeitos demais, sossegados demais, apaziguados demais, quando o assombro, a dúvida, o desassossego são peças fundamentais para a tarefa de produzirmos nossa história tal como realmente a queremos (e é fundamental que o façamos)!


domingo, 10 de maio de 2015

CALMARIA, por Tádzio Nanan

Inesperada -e bem-vinda- calmaria...
Já quase esqueço das tempestades que me fizeram companhia anos a fio e alimentaram cotidianamente meu desassossego.
Estranhas sensações florescem em mim agora:  apaziguamento, entendimento, satisfação! Eu que tenho vivido limitado às ruínas de um conflito emocional que semeou confusão e perplexidade em minha vida.
Súbito, as tormentosas vagas da dúvida desembocam num plácido lago, e minha alma se serena. Antigas feridas cicatrizam. Longevas dores são aposentadas. Meus pensamentos amanhecem, iluminam-se. Meus olhos voltam a mirar o céu, esperançosamente.
É uma paz selada entre minhas facções. Aquele embate íntimo perde sentido, é esvaziado em suas causas, não encontra mais razão de existir. Como se finalmente eu me conquistasse por inteiro, fincasse bandeira em cada parte do meu ser, dominasse meus demônios, expulsasse para longe os odiosos exércitos da minha metade negra, do meu anjo contrário.
As fantasmagóricas sombras do passado não me amedrontam mais. Pus o passado no limbo da memória, enterrei-o em auspiciosa e festiva cerimônia. Agora só cultivo as boas lembranças, que me impelem ao futuro. Por muito tempo o passado regeu minha existência, me torturou, me prolongou as noites, mas agora ele não me alcança, o que o fez definhar, pois não se nutre mais da minha alma, da minha carne, do meu sangue.
Devido a esta revolução pessoal (o advento da supracitada calmaria), não me reconheço mais nas palavras dantes escritas, ou nos sonhos de outrora. Aquela personagem desapareceu na cinza das horas, submergiu no mar do tempo, perdeu-se na insignificância das coisas superadas. Tornei-me outro, renasci. Transfiguração repentina mas profunda. Irreversível?
Agora, o mundo se revela -encantador e instigante- ante meus olhos... Quantas formas, cores, sons, caminhos, possibilidades! Ele sempre esteve lá, mas as brumas da dor e do medo o escondiam de mim -e pensar que quase me resignei, quase o renunciei! 

Beleza insuperável: o despertar de longa, exaustiva e invernal ausência...

domingo, 8 de março de 2015

BREVE E SINGELA HOMENAGEM NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER, por Tádzio Nanan

Mulher, persevera na luta que teu sonho ainda vai se tornar realidade: vais poder aprender e amar, ser e estar no mundo com liberdade! 

Persevera na luta que tua luz ainda vai brilhar de forma intensa e incontida. E ela nos servirá de norte na caminhada da vida!

Mulher, tua sensibilidade vai pavimentar a estrada do nosso porvir. E com teu digno exemplo também os homens aprenderão a servir!

Tua coragem é para nossas almas alimento vital. E, juntos, combateremos a odiosa e nefasta influência do mal!

Mulher, tua sabedoria ainda vai governar a humanidade e espargir luz em todo canto. E um mundo mais feminino é lar repleto de equidade e encanto!

Mulher, feita de amor, pelo amor, para o amor. Ajudarás a sanar nossas chagas. E nunca mais nos afogaremos em tenebrosas vagas!

Teus passos nos mostrarão o caminho para uma nova história, dias de mais justiça e amor. Os homens de bem te saúdam e caminham a teu lado rumo a tempos de invividas glória e esplendor!



domingo, 1 de março de 2015

NATUREZA, por Tádzio Nanan

Minha natureza criativa
As coisas redefinindo
Tudo é devir, nada é findo
Assim, permanece viva

Minha natureza curiosa
Quer mistérios desvendar
Quer a profundidade do mar
Para descansar orgulhosa

Minha natureza poética
Busca beleza e harmonia
Transforma a dor em alegria
Segundo sua norma estética

Minha natureza sonhadora 
Quer mudar tudo sem fazer nada
Ainda acredita em contos de fada
Está em missão civilizadora

Minha natureza resiliente
Se é traída, perdoa; se cai, não quebra
É fluida como água e dura como pedra
É polimórfica e renitente

Minha natureza contraditória
Faz, desfaz; diz, desdiz
É venturosa e infeliz
Refém da confusão sensória

Minha natureza contemplativa
Considera mas não age
Não se levanta ou reage
Recolhe-se a si, meditativa

Minha natureza crepuscular
Anoitecendo precocemente
Esclerosada e demente
Sem combater ou amar

Minha natureza descansada
Está satisfeita com o que tem
Haveres? Pode viver sem
Sua meta é ficar sossegada

Minha natureza outonal
Caindo de cima das horas
Esperando por ti que demoras
Presa a uma existência banal




quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

PALAVRA, por Tádzio Nanan


A palavra planta sentimentos:
Amores, ódios, esperanças, desilusões...
A vasta gama das nossas emoções
A palavra espalha pelos ventos!

A palavra é cheia de ambiguidade,
Pois dúbio o coração que a produz.
Espalha trevas, espalha luz,
Canta o ódio, canta a saudade!

A palavra: do homem a tradução cabal.
Revela todo nosso drama, toda nossa glória;
O que há de hediondo e sublime em nossa história;
Revela um ser dividido entre o bem e o mal!

A palavra pode revelar-se força maldita
E em nossos corações sombras espalhar.
Pode neles semear mil razões para odiar,
Enchendo nossas vidas de desdita!

A palavra tem o poder de produzir a morte
Quando alia-se às trevas, ao sórdido, ao odioso.
Pode corromper tudo o que for virtuoso,
A serviço dos que tem o ódio como norte!

Mas também enche o mundo de felicidade.
Alimenta, salva, resgata, ressuscita.
A feitos magnânimos nos incita,
Como o sonho da universal fraternidade!

Mas também enche o mundo de beleza.
É primavera que nos colore a alma,
É carinho no coração que nos acalma,
É a luz da razão em nós acesa!

Tu, emissor de significados, cuida da palavra.
Escolhe-a com generosidade, com zelo e amor.
Não faz uso dela quando refém do rancor.
Torna a paz o doce fruto da tua lavra!


domingo, 22 de fevereiro de 2015

OXÍMOROS III, por Tádzio Nanan

abcdef_g_hijklmnopqrstuvwxyz
abcd_e_fghijklmnopqrstuvwxyz
abcdefghijklm_n_opqrstuvwxyz
abcdefgh_i_jklmnopqrstuvwxyz
abcdefghijklmn_o_pqrstuvwxyz

abcdefgh_i_jklmnopqrstuvwxyz
abc_d_efghijklmnopqrstuvwxyz
abcdefgh_i_jklmnopqrstuvwxyz
abcdefghijklmn_o_pqrstuvwxyz
abcdefghijklmnopqrs_t_uvwxyz
_a_bcdefghijklmnopqrstuvwxyz

*

t_uvwxyzabcdefghijklmnopqrs
i_jklmnopqrstuvwxyzabcdefgh
m_nopqrstuvwxyzabcdefghijkl
i_jklmnopqrstuvwxyzabcdefgh
d_efghijklmnopqrstuvwxyzabc
o_pqrstuvwxyzabcdefghijklmn

e_fghijklmnopqrstuvwxyzabcd
s_tuvwxyzabcdefghijklmnopqr
p_qrstuvwxyzabcdefghijklmno
a_bcdefghijklmnopqrstuvwxyz
l_mnopqrstuvwxyzabcdefghijk
h_ijklmnopqrstuvwxyzabcdefg
a_bcdefghijklmnopqrstuvwxyz
f_ghijklmnopqrstuvwxyzabcde
a_bcdefghijklmnopqrstuvwxyz
t_uvwxyzabcdefghijklmnopqrs
o_pqrstuvwxyzabcdefghijklmn
s_tuvwxyzabcdefghijklmnopqr
o_pqrstuvwxyzabcdefghijklmn

sábado, 21 de fevereiro de 2015

OXÍMOROS II, por Tádzio Nanan

A
                                               A
DA
                                             ZA
NDA
                                           EZA
ONDA
                                         LEZA
IONDA
                                        ELEZA
DIONDA
                                       BELEZA
EDIONDA
HEDIONDA
HEDIONDA                   BELEZA

*

O
                                                     L
TO
                                                   EL
NTO
                                                 VEL
ENTO
                                                ÍVEL
MENTO
                                              ZÍVEL
IMENTO
                                            AZÍVEL
RIMENTO
                                          RAZÍVEL
FRIMENTO
                                        PRAZÍVEL
OFRIMENTO
                                     APRAZÍVEL
SOFRIMENTO

SOFRIMENTO             APRAZÍVEL

MEDITAÇÃO, por Tádzio Nanan

O homem caindo vertiginosamente no abismo das próprias contradições.
Ódios e desigualdades a nos tornar dessemelhantes.
Olhamos uns para os outros e ficamos perplexos: o que será isto? De onde será que isto veio? O que será que isto quer?
Olhamo-nos no espelho e sequer nos reconhecemos mais, tão apartados que estamos da nossa forma essencial, tão deformados que estamos pela doentia ideologia da civilização do poder e do dinheiro.
Nossos medos e frustrações nos afastam mais e mais uns dos outros. Nossa raiva e ignorância nos separam mais e mais uns dos outros. E de tão separados é como se vivêssemos em mundos diferentes, ou mesmo opostos.
A religião, a economia, a política deveriam nos unir, mas só nos dividem. E precisamos delas para resolver nossos problemas comuns. Mas talvez tenhamos de reformulá-las, fazê-las funcionar de uma outra maneira, mais racional, democrática, transparente e ética.
A tecnologia, válvula de escape hodierna, é o parque de diversão de um homem egocêntrico e alienado, vidrado em algo que é parte insignificante, enquanto esquece o todo complexo e fundamental.
O que pode o gesto contra tiros e explosões?
O que pode a palavra entre surdos e brutos?
O que pode a delicadeza na civilização da força?
Não podemos concertar sem antes consertar nossas mentes e corações, nossas ideias e ideais, nossas democracias e economias.
Em meio ao caos instalado, o refúgio mais frequente é orar a um deus idiota ou comprar compulsivamente, desavergonhadamente (aqueles que podem), mas isto nada resolve. Nem para os que se dedicam a tal falaciosa tarefa, nem para o restante de nós.
Então é isso o que nos tornamos: covardes tentando nos esconder enquanto a noite se alastra e cai sobre a Terra?
Tudo está contra nós: a economia (o 1% mais rico já possui mais da metade da riqueza do mundo); a política (corrompida em sua relação espúria com o poder econômico); o clima (dois graus, ou mais, de aumento da temperatura média da Terra).
A ação é urgente, pois o homem chora, mortalmente ferido (refém de uma guerra fratricida).
Aonde isto vai parar? No agora. Paralisa, impotência, desespero, o caos no qual estamos submergidos.
Será que você começa a perceber que o modelo de civilização que criamos não atende à paz, à justiça, à sustentabilidade, à comunhão universal?
Será que você começa a perceber que é preciso sonhar com mais, ir além do que já foi feito e pensado?
A utopia talvez não existe, já a distopia... Dê uma olhada a sua volta: ela é coletiva, universal! Precisava ser desta forma? Não! Tenho certeza que existem outros caminhos a trilhar. Mas é preciso ter coragem.
Hora de reflexão e silêncio!


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

OXÍMOROS, por Tádzio Nanan

TPEARCRIOFRIISSTTAA
TEARCRIOFRIISSTTAA
P
TERCRIOFRIISSTTAA
PA
TERRIOFRIISSTTAA
PAC
TERROFRIISSTTAA
PACI
TERRORIISSTTAA
PACIF
TERRORISSTTAA
PACIFI
TERRORISTTAA
PACIFIS
TERRORISTAA
PACIFIST
TERRORISTA
PACIFISTA

*

EDXETMROECMRIASTTAA
EXETMROECMRIASTTAA
D
EXTMROECMRIASTTAA
DE
EXTROECMRIASTTAA
DEM
EXTRECMRIASTTAA
DEMO
EXTREMRIASTTAA
DEMOC
EXTREMIASTTAA
DEMOCR
EXTREMISTTAA
DEMOCRA
EXTREMISTAA
DEMOCRAT
EXTREMISTA
DEMOCRATA