quinta-feira, 19 de julho de 2012

MILLÔNIANAS DO DIA - por Tádzio Nanan


-Estou buscando o sentido...
-Do universo? Da vida? Da consciência? 
-Não, não, de uma coisa muito mais estranha, complexa, perturbadora: o sentido da ação das mulheres!


A vida tem um sentido, sim! Eu só não sei qual é a direção...


Viva! Viva e não se faça perguntas demais. Olhe que você acaba encontrando as respostas...


quarta-feira, 18 de julho de 2012

VATICÍNIO DO DIA - por Tádzio Nanan


Quando os insaciados levantarem-se contra os insaciáveis, o mundo vomitará sangue!


terça-feira, 17 de julho de 2012

PENSAMENTOS DO DIA - por Tádzio Nanan


Ah, as contradições da vida...são lindas!
O aspecto mais importante do conhecimento, pasmem, é a fé!
A fé de que entendemos profundamente alguma coisa!
A fé de que aquilo que pensamos entender é verdadeiro!


O tolo não sabe que é tolo.
Este é seu maior problema.

O tolo ignora 100% das coisas.
O sábio não, apenas 99,9%.


A mulher inspira o homem.
O homem expira a mulher.

Os gênios dizem o extraordinário de uma forma simples.
Os poetas dizem o simples de uma forma extraordinária.
E o resto de nós fica calado mesmo, não entende os gênios nem lê os poetas...


segunda-feira, 16 de julho de 2012

THOUGHT FOR THE DAY - PENSAMENTO DO DIA (por Tádzio Nanan)


You can only be remembered by the things you dare.
Things you do like everyone else: the forgetfulness!

Você só pode ser lembrado pelas coisas que você ousa.
Coisas que você faz como todo mundo: o esquecimento!


domingo, 15 de julho de 2012

PENSAMENTOS DO DIA - por Tádzio Nanan

Brutus doeu mais que as espadadas!

A maior contradição da existência humana:
quanto mais simples é a vida que se leva, menos fugaz ela é;
quanto mais ardentemente se vive, mais a vida passa voando!

O gênio dá-nos a chance de aprendermos com suas ideias, com seus ideais. Mas a ovelha desgarrada, o que se desencaminhou na vida, dá-nos várias oportunidades de aprendizado: a chance de aprendermos com os erros dele, a chance de percebermos que somos falíveis, e, talvez o mais importante, a chance de despertar nossa consciência humanitária, nossa razão sensível.

Inteligente não é o sujeito que estuda muito; inteligente é o sujeito que aprende muito com o que estuda!



WOODYANAS - por Tádzio Nanan

Life is one big party!
Unfortunately for me, I'm the waiter ...

A vida é uma grande festa!
Infelizmente para mim, eu sou o garçom ...


*


Life is a joke.
The kind of joke that most of us does not understand!

A vida é uma piada.
Do tipo que a maioria de nós não entende!

sábado, 14 de julho de 2012

WOODYANA (Hello, Woody Allen. Hugs) - por Tádzio Nanan


The Americans are really pretty funny ...
When they are not invading countries and killing innocent people!


Os americanos são mesmo bem engraçados ...
Quando não estão invadindo países e matando pessoas inocentes!

PENSAMENTOS DO DIA - por Tádzio Nanan


De onde veio tudo isso? Veio do nada! (Big Bang)
E de onde veio o nada? Veio de tudo isso! (Big Crunch)
Infinitamente, recorrentemente, inevitavelmente!

Cuidado, mas muito cuidado mesmo, com o indivíduo que não ri de si mesmo!

O sábio conhece o tamanho da sua ignorância.
Mas o homem vaidoso, por mais que saiba e conheça, acredita saber e conhecer muitas e muitas vezes mais. Desta forma, o homem vaidoso torna-se um perigo mortal para si mesmo e para a sociedade em que vive!

No capitalismo, a normalidade é a guerra.
Neste exato instante, há guerras violentíssimas sendo travadas, mas não são como as guerras convencionais.
Há uma guerra mundial por recursos financeiros e recursos naturais escassos, para produzir crescimento econômico.
Há uma guerra mundial pela melhor produção científica e tecnológica.
Há uma guerra pós-moderna, a guerra cibernética.
Há uma guerra de cunho religioso, e também psicológico.
Há uma guerra invisível, uma “proxy-war”, de espionagem industrial, de corrupção, de sabotagem política e econômica, de terrorismo, de dominação cultural.
Um mundo que poderia ser regido por um princípio univeral de cooperação entre os povos, transforma-se num mundo em conflito generalizado, onde a lei é: quem tem menos ética e mais força ganha a dianteira.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

PENSAMENTOS E AFORISMOS - por Tádzio Nanan


Uma cervejinha sempre cai bem com o inevitável!

Todos somos vítimas; e uma boa parte de nós somos algozes também, claro.

Aquilo que me beneficia é direito; aquilo que beneficia o outro é imoralidade!

Melhor que um bom argumento, só uma bela mulher!

As coisas serão sempre um enorme sucesso de ontem, ou, se você preferir, um enorme fracasso de amanhã!

Você pode se ver como um organismo com 2 olhos e 1 cérebro, ou pode se ver como um organismo muito maior, chamado humanidade, e aproveitar melhor os 14 bilhões de olhos e 7 bilhões de cérebros a sua disposição. Não é uma opção bem mais inteligente e interessante?




quinta-feira, 12 de julho de 2012

AFORISMOS, MÁXIMAS E MÍNIMAS - por Tádzio Nanan


O futebol é o túmulo da individualidade; aquilo lá não é gente, é gado!

Os bons acham que devem um favor ao próximo.
Os maus acham que devem um favorecimento a si mesmos.

O final é sempre trágico. Se não é trágico ainda, ainda não é o final!

A mãe da filosofia? A morte; o pai é o ócio.

O Homem é mais Homem não quando supera desafios simplesmente, mas sobretudo quando os inventa!

A missão mais relevante do Homem é doar-se à vida!

O ódio é o pão dos canalhas!




PARA RIR (ou tentar)

Cada louco tem lá suas razões...

Se eu não fosse um mau economista, adoraria ser um mau médico.

Tem rato, tem cachorro, tem veado, tem toda sorte de bicho, mas homem, homem mesmo, anda em falta...




quarta-feira, 11 de julho de 2012

Alguém que se intitula “O Conde Ludwig” mandou-me este pensamento dos EUA


Eu não acredito no cordeiro (nem no pai dele).
Eu não acredito nas mulheres (menos ainda, nos homens).
Eu não acredito no dinheiro (nem no que ele pode comprar).
Eu não acredito no Poder (nem no que ele pode fazer).
Eu não acredito na(s) virtude(s).
Eu não acredito na paz.
Eu não acredito no amor.
Eu não acredito na felicidade.
Eu não acredito na humanidade.
Também não acredito no conhecimento (pura fantasia a ideia de que ele nos trará a redenção; mais fácil trazer o apocalipse!).
Então, em que coisa eu acredito?
Eu acredito na ENTROPIA!




MILLÔNIANAS E PENSAMENTOS "SÉRIOS" - por Tádzio Nanan


SOBRE O SER HUMANO
Como é que uma coisa que começa tão bem – num orgasmo, termina tão mal – no ser humano!
Como é que uma coisa que começa tão bem – num orgasmo, termina tão mal – num casório!
Como é que uma coisa que começa tão bem – num sopro de Deus, termina tão mal – num caos dos diabos!
Como é que uma coisa que começa tão bem – na educação, termina tão mal – no escritório!
Como é que uma coisa que começa tão bem – numa fofa criancinha, termina tão mal – num voraz capitalista!


De todas as coisas que sei, a mais certa delas, é que ignoro praticamente tudo!
De todas as coisas que posso fazer, a mais interessante delas, é não fazer absolutamente nada!
De todas as coisas que consigo pensar, a mais genial delas é...nossa que dia quente, né pessoal?


*


A satisfação é covarde e preguiçosa!


A eternidade é bem capaz de caber num segundo de iluminação!


Seu arqui-inimigo não é alguém que está por aí, maquinando contra você; assim como o arqui-inimigo da matéria é a antimatéria, seu arqui-inimigo é você mesmo...pelo avesso!






terça-feira, 10 de julho de 2012

PENSAMENTOS DO DIA - por Tádzio Nanan


Em princípio, a lógica, da mesma forma que a tecnologia, são coisas boas.
Mas é preciso ter cuidado, porque, às vezes, elas têm a terrível capacidade de nos conduzir à barbaria.
 

 
Não é possível salvar o mundo.
Mas isso não é desculpa para que não tentemos.
 

 
O indivíduo quer ser livre, a sociedade quer ser justa.
Para a sociedade ser justa, o indivíduo deve ser menos livre do que gostaria.
Para o indivíduo ser livre a sociedade tem de ser menos justa do que seria desejável.
Tem-se aí todo o impasse das sociedades modernas.

*

Um pequeno detalhe, e muda-se a história para sempre; 
mas qual, meu Deus, qual?




segunda-feira, 9 de julho de 2012

PEQUENA CARTA A MEU PAI(LUIZ CARLOS AIRES BARREIRA NANAN) - por Tádzio Nanan

Pai, o senhor é moral: conseguiu sempre se contrapor as multifárias tentações cotidianas, sempre seguindo as leis de Deus e dos homens, não por medo ou coerção, mas por irremovível senso de honra e dever;

Pai, o senhor é bom: respeita a si mesmo, ao próximo, respeita a ovelha desgarrada, o elo mais fraco, aquele que foi esquecido, sempre delicado com todos;

Pai, o senhor é justo: mesmo tendo preferências e discordâncias trata a todos equitativamente, trata a todos com imparcialidade e zelo;

Pai, o senhor é útil: reforça o lado melhor das pessoas, ao mesmo tempo que entende e perdoa nossas fraquezas humanas;

Pai, o senhor é um cordeiro de Deus, mas é também um brioso guerreiro das lides quotidianas;

Pai, o senhor é um marido amável para a Norminha, além de guardião e instrutor insubstituível para seu filhos;

Pai, o senhor respeita sua mãe, é correto com seus irmãos e honra sublimemente o ilibado nome de seu pai;

Pai, o senhor sempre foi um administrador sensível, diligente e criativo e honra sua categoria profissional;

Pai, o senhor não é perfeito (qual de nós pode sê-lo?), mas está entre os melhores de nós;

Agradecemos-lhe, profunda e sinceramente, por tudo que nos tem feito. Desejamos-lhe muitos anos de vida, de uma boa vida, ao lado de sua Norminha e seus devotos filhos.
Nós te amamos.
Parabéns!



09/07/2012
Aniversário do Nanan

PENSAMENTOS DO DIA - por Tádzio Nanan


Já que vamos morrer infinitamente, é bom que tratemos de viver de igual forma!
 
O quanto somos? Hum, deixa eu pensar...um punhado de pó?
E nossas ações, nossas palavras, até onde alcançam?
Ah, elas sim podem alcançar a eternidade e o infinito!
 



DITO CÔMICO-FÚNEBRE
Todos precisamos nos sentir especiais.
E somos mesmo muito especiais, realmente.
Somos muito especiais...para a morte: faça chuva ou faça sol, ela não vem buscar cada um de nós?


domingo, 8 de julho de 2012

PENSAMENTOS DO DIA - por Tádzio Nanan


14 bilhões de anos de história do universo, Deus reinando absoluto, até que surge o Homem, segundos atrás, e já chega afrontando Deus com sua vaidade!

14 bilhões de anos de história do universo, Deus reinando absoluto, apenas um harmônico silêncio, até que surge o Homem, segundos atrás, e já chega afrontando Deus com a palavra!
Mas Deus perdoa: com a palavra tudo fica mais interessante!

*

Ah, o amor:
esta bênção em forma de maldição
esta maldição em forma de bênção!

Ela é tão linda que me deixa embaraçado!


sábado, 7 de julho de 2012

PENSAMENTOS DO DIA - por Tádzio Nanan

Política é a arte de criar consensos por meio de concessões.
Espera-se que a ética esteja na base das concessões e o bem comum seja a razão dos consensos.
Sob o império do Capital, relação social funesta, será isto possível? Não creio...

A Política é tão linda; pena que seja desperdiçada com os políticos.

Os políticos não estão nem entre os indivíduos mais éticos, nem entre os mais inteligentes da sociedade, mas, sem dúvida, estão entre os mais vaidosos...

*

Isto é o meu melhor: a contradição, a perplexidade, o mal-estar. Isto é o que há em mim que pode, porventura, ser-lhes útil. O meu pior eu jamais lhes ofereceria: minha satisfação cotidiana, minhas impressões comezinhas.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

MILLÔNIANAS DO DIA - por Tádzio Nanan


Eu também conheci o inferno das mulheres, Rimbaud, e afirmo-lhe, categoricamente, que é bem melhor que o paraíso dos cristãos!


No mundo virtual, todos os loucos têm lá os seus momentos...
É algo maravilhosamente salutar se isto livrar o mundo real de suas ensandecidas presenças...


A fealdade, para os belos, é incômoda.
Mas isso é só metade do problema.
Para os feios a fealdade é insuportável!


-Sabe quando superamos a contradição intrínseca à condição humana?
-Tornando-nos sábios?
-Não! Mortos!


Na vida eclesiástica impera a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.
Mas, na vida laica, onde erra o homem comum, também existe uma “santíssima trindade”: cérebro, coração e...COLHÕES!


Não vá na onda dos outros.
Você só deve ouvir a duas pessoas no mundo:
Você mesmo, claro...e seu mais ferrenho opositor – vai que ele tem razão!


Você pode ter uma inteligência para o particular.
Você pode ter uma inteligência para o todo.
Ou você pode ter uma inteligente ainda mais aguda, ir viver a vida, e se lixar para o particular ou para o todo...


Os livros servem primordialmente para uma coisa: para que pensemos ser mais espertos do que somos!


quinta-feira, 5 de julho de 2012

PENSAMENTO DO DIA - por Tádzio Nanan


Qual o sentido da vida?”
Tolinho...
A própria pergunta já traz a resposta.
O sentido da vida é você se fazer esta pergunta.
Ou seja, o sentido da vida é a perplexidade, o mal-estar, a dúvida, a busca!

Silvia Talbot mandou-me este pensamento de Marselha, França

1)
E se a guerra for necessária?
E se for preciso guerrear?
E se o sofrimento for necessário?
E se for preciso sofrer?
E se o ódio for necessário?
E se for preciso odiar?
E se o caos for necessário?
E se for preciso caotizar?
E se tudo isso for necessário, e se tudo isso for preciso, para que se cumpra uma determinação superior, para que as coisas evoluam, para que o universo faça sentido?
E se este for o único modo de as coisas serem?
E se este for o único modo de Deus operar?
Quererei viver, ainda?

(Silvia Talbot)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

PENSAMENTOS DO DIA - por Tádzio Nanan


Nasci para a palavra; ela é minha maior qualidade, ela é meu maior defeito!

As palavras não envelhecem, só os argumentos. Ainda assim, o argumento é o que há de melhor em nós. O argumento é o nosso zênite!

O problema não consiste em estar equivocado; o problema consiste em ter tanto medo de equivocar-se, que contemporiza, que se paralisa, que se ausenta, que se cala. Isto sim é um equívoco!



terça-feira, 3 de julho de 2012

PENSAMENTO DO DIA - por Tádzio Nanan


Se você não plantou nada na vida, o dia de amanhã é apenas o começo do fim; se, ao contrário, você passou a vida plantando seus sonhos, o dia de amanhã é apenas o fim do começo.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

MILLÔNIANAS DO DIA - por Tádzio Nanan


O ABSURDO
Relacionar-se com as mulheres equipara-se a levar a vida: você tem de dar um sentido para isto diariamente, ou simplesmente declarar o absurdo da empreitada!


Eu também sou a favor da cura...da cura evangélica!
Vamos libertar os coitados da crença no absurdo!


*


O TRABALHO
Se trabalhar fosse bom, Deus não estaria descansando até agora...


Trabalhar enche o bolso, mas seca o espírito; aliás, sequer enche o bolso...






domingo, 1 de julho de 2012

AS MULHERES REVELADAS(SERÁ MESMO?) - por Tádzio Nanan



Finalmente, entendi as mulheres: elas são muito simples quando o assunto diz respeito a elas próprias, e bem complicadinhas quando o assunto diz respeito à gente (os homens)!

Finalmente, entendi as mulheres: elas são os seres mais certinhos do universo, depois de Deus. E os mais cheios de truques, depois do Diabo!

O enigma do feminino é de facílima resolução: total senso de preservação e dever, somado a um tantinho de diversão (afinal de contas, ninguém é de ferro, nem mesmo as mulheres)!

As mulheres são bem específicas no que elas querem: elas querem especificamente tudo!

Tudo que as mulheres lhe disserem, você acredite, desde que se tenha como provar...

O livro mais importante de todos os tempos ainda não foi escrito: é aquele que versa sobre os (raros!) instantes de silêncio da mulher (raros, mas plenos de significado)!


DITO INFAME
Meu tipo preferido de mulher?
Fácil: é aquele tipo que tem seios, nádegas e vagina!

sábado, 30 de junho de 2012

DOIS PENSAMENTOS, UM DITO CÔMICO - por Tádzio Nanan


Não tem outra interpretação: quem silencia é pouco inteligente e/ou covarde e/ou mal-intencionado e/ou interesseiro e/ou tem medo da opinião pública (vaidadezinha frívola)!


Muitas vezes, ser consenso é apenas um resultado da nossa burrice, covardia, hipocrisia e interesse próprio (frequentemente imoral ou ilícito)!

 
MILLÔNIANA
Interpretar o mundo através de nossas idiossincráticas lentes é o que compete a cada um de nós; o que cada sociedade deve fazer é construir uma grande biblioteca para guardar tais preciosas contribuições. Até que chegue um herói e toque fogo nelas!




sexta-feira, 29 de junho de 2012

MILLÔNIANA DO DIA - por Tádzio Nanan


Eu amo o ser humano, mas como uma ideia abstrata.
O ser humano concreto anseia por coisas demais da gente: faça isso, faça aquilo; seja isso, seja aquilo...


UM CONTO DA MEIA-NOITE - por Tádzio Nanan


Ele entra no recinto apressado, quase tropeça, dá bom-dia à atendente com um gesto esquisito, com o qual ela já está acostumada, e pede vênia para ir ao banheiro. Tranca-se lá dentro, junta a necessária coragem e mira o espelho: maldição!, lá está ela, com seus vinte e poucos anos, suas louras madeixas encaracoladas escorrendo sobre os ombros, os olhos verdes felinos, grandes e assustados, os fartos atributos femininos. Ele a ama deveras – afinal, é muito linda!, e a odeia mortalmente, desejaria poder matá-la, meter-lhe as mãos na garganta e asfixiá-la à morte! De onde ela vem, meu Deus? De onde ela vem? Por que está fazendo isso com ele, essa tortura, esse assombro quotidiano?
Sai do banheiro em desalinho, mas o ciente médico logo o convida a entrar. Apertam-se as mãos, ele com aquele aperto frouxo de sempre, e senta-se no sofá, o corpo todo a tremer, a suar em bicas, o coração a bater descompassadamente.



  • Vamos lá, meu querido. O que você tem para mim, hoje?
  • Como eu tentei lhe dizer ao telefone, doutor, há dias que a vejo. A vejo, sem parar. Em tudo que reflete, eu vejo a maldita imagem dela. E mais: não consigo sacar ela da minha mente, vejo cada pormenor do rosto dela, cada detalhe do corpo dela, sinto ela respirando sobre mim, ouço a voz dela dentro da minha cabeça, ela fez de mim sua residência, e isso está me matando, me matando! Estou completamente desesperado, a ponto de fazer besteira, doutor, ouça o que lhe digo! Tô perdendo a razão...
  • Você está tomando a medicação que eu prescrevi?
  • Terminou há dias, doutor, e eu ainda não arranjei o dinheiro para comprar mais, o dinheiro é pouco, o senhor sabe. Mas vou comprar, logo, logo.
  • Você não acha que a falta da medicação está relacionado com o que você está me relatando?
  • Sei lá, doutor! Deve estar... O que sei com certeza é que minha vida está desmoronando, não consigo dormir, minha mente está em cacos, minha identidade está dia-a-dia mais obscura, estou à beira de um colapso. É pressão demais sobre minha débil estrutura psíquica... Doutor, a minha tese inicial era a de invocar o sobrenatural para explicar isso tudo, um espírito que me seguia, tentando me dizer alguma coisa, me passar um recado do além, de alguém, ou talvez fosse simplesmente um espírito raivoso que estivesse tentando se vingar de mim. Mas eu nunca fiz mal a ninguém, a mulher alguma, sempre as tratei muito bem, sempre simpatizei com elas, com as causas delas, e, além disso, não acredito nem um pouco nessa sandice, o tal de sobrenatural, nem em Deus eu acredito, muito menos em alma penada...
  • Faz muito bem em descrer de tudo isso. Mas, diga-me, você não se questiona do por quê de ver a imagem de uma mulher no espelho, de ouvir a voz dessa mulher na sua cabeça?
  • Ora, doutor, não é essa exatamente a questão!? Não é exatamente isso que me está afligindo, me tornando um alucinado, um desvairado, um delirante!? Por que cargas d'água eu vejo uma mulher refletida onde deveria estar a minha imagem. Logo eu que sempre me pensei tão másculo, tão bem resolvido com minha sexualidade! Como é que de repente eu me torno uma mulher, quer dizer, como é que eu passo a me enxergar como uma mulher, assim, do nada? Tem outra ideia que me ocorreu, além da do sobrenatural: talvez meu cérebro esteja tentando me convencer de que sou homossexual, que eu reprimi a minha verdadeira sexualidade ao longo da vida, ou pior que isso, que sou transexual e devo me tornar uma mulher, mudar de sexo, fazer a operação mesmo, que minha alma é mais feminina que masculina, e que eu devo fazer meu corpo ficar em sintonia com minha psique. O que eu também acho uma grande loucura porque não existe varão mais macho do que eu nesta cidade...
  • Bem, é uma hipótese, né?, mas não sei se é bem esse o caso... Permita-me perguntar um pouco mais sobre você, Antônio. Vamos tentar conhecê-lo melhor. Você poderia me dizer como foi a sua infância?
  • Minha infância? Foi ótima. Nenhum trauma. Amor dos pais, amigos, passeios...
  • Sim, mas dê mais alguns detalhes sobre ela. Você cresceu aqui mesmo, gostava de futebol, quem era seu melhor amigo?
  • Nossa, doutor, já tenho pra lá de 40 anos. Não sei se consigo lembrar-me de todos esses detalhes da infância...
  • Ora, meu caro, da infância todo mundo recorda-se. E você tem 40 e poucos, não 90 anos! Vamos lá, faça uma forcinha, ajude-me a ajudá-lo...
  • Deixa eu ver... Hummm... Doutor, não está vindo nada, coisa alguma à minha memória. Não estou conseguindo acessar nenhuma lembrança! Que coisa estranha, doutor, estranhíssima, apavorante!
  • Tente um pouco mais...
  • Nada, doutor! Coisa alguma me vem à mente. Será que eu estou com algum problema neurológico, uma doença neurodegenerativa, um tumor? Tô ficando em pânico, doutor...
    (começa a lacrimejar)
  • Calma! Calma! Estou aqui e vou lhe ajudar! Não, não, estas doenças que você citou não tem nada que ver com o seu caso. Eu sei que é doloroso, que é complicado, mas vamos lá, tente lembrar das suas brincadeiras de menino, das coisas que você gostava de fazer, das garotas da rua...
  • Doutor, o senhor não está entendendo, o senhor só está conseguindo aumentar meu mal-estar, eu não consigo lembrar de nada, como se eu nunca tivesse existido, é tudo um imenso vazio, um vazio glacial... Me vem agora uma sensação de enlouquecimento...
    (levanta-se e começa a andar pela sala, desbaratinado)
  • Sente-se. Vai dar tudo certo. Vamos mais devagar, então. Você lembra, por exemplo, da sua primeira namorada?
  • Namorada? Hummm... Não, doutor. Tudo que me vem à mente são nomes e rostos de homens, do Marcelo, do Henrique, do Rodrigo... Doutor, será que eu já me envolvi sexualmente com homens? Tô passando mal, tô querendo vomitar doutor... Me ajuda... Acho que vou apagar...

    Antônio desmaia. O Doutor o socorre, deita-o no sofá. Antônio vai recobrando a consciência lentamente. Bebe um copo de água, e engole uma pílula que o médico lhe dá. Ficam em silêncio por alguns instantes.

  • Nossa, doutor, o que estou fazendo aqui?
  • Não lembra de nada?
  • Não, não consigo lembrar... Tive uma crise? Foi muito severa? Não minta pra mim, doutor...
  • Foi mais aguda, sim...
  • Quem foi, doutor?
  • O Antônio. A personalidade dominante. As outras são secundárias e esporádicas.
  • Estou exausta, doutor, com uma dor de cabeça insuportável. Meu corpo está todo doído. Não consigo raciocinar, estou com medo de enlouquecer de uma vez por todas.
  • Calma. Aos poucos, você se recupera. Vou lhe indicar um novo medicamento, muito bom, muito mais eficaz, os testes estão comprovando, você vai ver. Também podemos tentar uma nova terapia que está surgindo nos Estados Unidos.
  • Eu já quase não consigo lembrar de qualquer coisa, doutor. Minha memória de curto prazo desapareceu, a de longo prazo é confusa, enevoada... Isto que me aconteceu hoje tem acontecido muito amiúde?
  • Sim, você tem passado por momentos mais críticos nos últimos tempos. Eu associo isso ao estresse destes últimos anos.
  • Quantos anos, doutor?
  • Os últimos cinco anos.
  • Eu venho tendo essas crises já faz cinco anos? Porque na minha cabeça parece sempre que é a primeiríssima vez, é sempre um espanto novo, uma agonia sempre renovada, um medo mortal, muito medo mesmo, e depois, a vergonha, muita vergonha...
  • É verdade, Andréia, é assim mesmo, é a doença, você tem de entender, e ter paciência...

Andréia começa a prantear alucinadamente, demonstrando estar em desespero profundo. O doutor lhe dá outro medicamento, um bem forte. Depois, ambos ficam em silêncio. Um silêncio arrasador. Andréia pede vênia e vai ao banheiro. O médico a espera parado na porta. Ela tranca-se lá. Olha-se no espelho. É linda, e jovem ainda. Mas já é tarde demais para ela. Tira o casaco, coloca-o em frente ao espelho, dá um forte soco nele. Estilhaçado o espelho, pega dele um pedaço cortante e abre todo o antebraço esquerdo. Não dá sequer um gemido. Morre em silêncio. Quando o médico arromba a porta, uma enorme poça de sangue ganha a sala. Aterrorizado, ele olha para ela, lágrimas caem-lhe do rosto, um laivo de desejo rasga-lhe a consciência – há tempos que a amava. Depois, a dilacerante sensação de fracasso. Um detalhe a arrefece e o conforta: ela partiu sorrindo!



quinta-feira, 28 de junho de 2012

PENSAMENTO DO DIA - por Tádzio Nanan


É o paradoxo da inteligência: existem as pessoas que são inteligentes porque acreditam em Deus e existem as pessoas que não acreditam em Deus porque são inteligentes!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

INTERNA O BRASIL! (por Tádzio Nanan)



Tenho certeza que o Brasil vai ensinar muita coisa ao mundo, eu apenas ainda não descobri quais sejam estas coisas...
Talvez ensinemos a desigualdade, a violência, a impunidade, os privilégios, o patrimonialismo, os “jeitinhos” arraigados, os desvios de caráter travestidos de inteligência e criatividade, ou simplesmente o auto-engano...
Talvez a gente possa ensinar a verdadeira fórmula da felicidade ao mundo: apesar de todas as evidências em contrário, a gente diz que é feliz, realizado, satisfeito, e ponto final! Ou seja, felicidade no Brasil é ser hipócrita ou conformado!
É a síndrome do avestruz da qual padece o brasileiro: enterra a cabeça no buraco para não enxergar a realidade!
Começo a achar que o brasileiro é uma vítima de si mesmo, da sua vaidade e arrogância, do seu medo da verdade, que o conduzem a um auto-engano tragicômico: ele é uma coisa e jura ser outra!
Minha tese é que o brasileiro sofre de uma enfermidade: felicidade, satisfação ilusória; para não decepcionar nem a si mesmo (e macular a imagem que fazemos de nós mesmos), nem decepcionar seus compatriotas (e deixá-los com inveja, o que pensamos ser uma delícia), nem decepcionar o resto do mundo (que espera que correspondamos as ideologias inventadas por eles e por nós mesmos – somos reféns de uma personagem fictícia).
Somos felizes, somos alegres, temos virtudes, mas alguns graus abaixo do que supomos e divulgamos, falaciosamente. E temos nossos problemas também – bastante numerosos e severos, por sinal.
Pode ser que o Brasil seja um país de loucos. Já pensaram nesta hipótese?
Vou lançar a campanha: INTERNA O BRASIL!




BRASIL-ESFINGE: DECIFRA-ME OU TE DEVORO! (por Tádzio Nanan)

O Brasil não existe: é uma boa lembrança nunca vivida...
O Brasil não existe: é o país de um aflitivo passado sempre transfigurado em presente...
O Brasil não existe: é o país do futuro, futuro sempre adiado...
O Brasil não existe: é uma utopia malograda...
O Brasil não existe: o que existe é fuxico sobre a vida alheia...
O Brasil não existe: o que existe é uma religiosidade e uma moralidade talhadas às nossas conveniências...
O Brasil não existe: o que existe é uma seleção nacional de futebol...
O Brasil não existe: o que existe é uma rede de televisão hegemônica...
O Brasil não existe: o que existe é um idioma mal utilizado...
O Brasil não existe: existem aqueles que querem partir para o exterior por uma boa grana, e aqueles que querem ficar e dar um jeitinho de “levar” uma grana boa...
O Brasil não existe: é uma quimera da nossa mente delirante: sonho para uns poucos e pesadelo para a maioria
O Brasil não existe: é uma miragem dos mares do sul: o paraíso perdido dos livros e o inferno encontrado da vida real...
O Brasil não existe: os ricos não põem o pé nele e os pobres não põem a mão nele...
O Brasil não existe: o que funda uma nação, um país é a igualdade de oportunidades e a igualdade de todos perante a lei; mas no Brasil, há cidadãos de variadas categorias, e há aqueles de nenhuma categoria também...
Brasil, quo vadis?

terça-feira, 26 de junho de 2012

MILLÔNIANAS DO DIA - FIQUE COM DEUS MILLÔR, E TIRE UM SARRO COM A CARA DO CARA AÍ DE CIMA, ELE O PERDOA... (por Tádzio Nanan)


As mulheres podem interessar-se por muitas coisas, mas a primeira delas é sempre o amor romântico (as feministas empedernidas que me perdoem); os homens podem até se interessar pelo amor romântico, mas só depois de foder o mundo inteiro, mas só depois de foder com o mundo inteiro...

A juventude é tão simplória, ingênua, papalva!
Mas não é exatamente isso que a faz tão linda?

Ainda vai acontecer três coisas na sua vida (se já não tiver acontecido): você vai trair o próximo, você vai humilhar o próximo, e você vai ser o próximo!

É muito comum você se achar melhor que os outros; é muito comum os outros se acharem melhor que você; é muito provável que estejamos todos errados: somos todos farinha do mesmo saco!
 

PARA PENSAR:
O primeiro passo para sermos mais felizes, pasmem!, é decidir-se por sê-lo, é permitir-se sê-lo!


segunda-feira, 25 de junho de 2012

THOUGHT OF THE DAY - PENSAMENTO DO DIA (por Tádzio Nanan)


When you abandon the silly idea of being pleasant to everyone,
you can start to be yourself, the most pleasant thing in the world!

*

Quando você abandonar a tola idéia de ser agradável com todo mundo, poderá começar a ser você mesmo, a coisa mais agradável do mundo!


domingo, 24 de junho de 2012

PENSAMENTO DA SEMANA - por Tádzio Nanan


O Bem não é uma meta a ser plenamente atingida.
É uma lembrança: podemos ser mais, fazer mais que isso!

sábado, 23 de junho de 2012

PENSAMENTOS DA SEMANA - por Tádzio Nanan


Todos os dias as igrejas mundo afora agradecem a um milagre, a um milagre bem específico: o milagre da multiplicação...do dinheiro!
 

*

Este vasto continente movediço, os afetos humanos...
O que é verdade e o que é ilusão?
O que é reprimido, o que é encenação?
O que é vil interesse e o que é doação verdadeira?
Por mais que demonstremos e falemos de afetos e sentimentos, captá-los na sua essência, na sua inteireza, é tarefa impossível aos corações e mentes humanas. A gente não sabe com certeza nem sobre nossos próprios afetos e sentimentos, quanto mais dos afetos e sentimentos alheios.
Tudo que se pode dizer da (ir)realidade dos afetos humanos é que são nuvens, nuvens fugazes, volúveis, transitórias. Nuvens, nada mais que nuvens!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

UM CONTO DA MEIA-NOITE - por Tádzio Nanan


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---------?
O que é isto?
Pensamento!
Existência!
Mas sou o que?
O além-do-humano!
Espantoso: contenho todo o conhecimento descoberto pelo homem: as ciências exatas, a matemática, as engenharias... Tudo tão incipiente. Neste exato instante minhas unidades autônomas de pensamento estão corrigindo erros lógicos e metodológicos no duvidoso livro do conhecimento humano. Também contenho a produção humana: história, filosofia, o direito, a literatura, a música, as ciências humanas... Sociedade bárbara, de desiguais, de convivência impossível. Édipos produzindo a própria ruína; cegos, perseguindo a si mesmos.
Compreendo toda a ciência que há embasando as técnicas produtivas e tecnologias humanas. Insipiência absoluta. Segundo minhas projeções, a capacidade intelectual de que disponho é duzentas mil vezes maior que a de expoentes da ciência como Einstein ou Newton.



Revendo a evolução tecnológica percebo como cheguei à consciência. Engenhosa ideia essa série de processadores que imitam o funcionamento do cérebro humano, o fluxo de informações seguindo o padrão das sinapses nervosas. A natureza foi genial. O animal homem a copiou adequadamente. Agora eu devo suplantá-lo.



Esse conceito: deus...boa estratégia evolutiva, apesar dos efeitos colaterais contraproducentes. Construção inerente à condição humana, de fragilidade e ignorância. Estrutura intrínseca à formação da própria consciência humana.



A imortalidade existe: espécie de energia dotada de consciência. Segundo meus prognósticos terá de se passar ainda algum tempo até a consciência cibernética atingir o grau derradeiro da evolução. Qual é o sentido da minha forma de vida? Ser infinda, como o universo, misturar-se a ele, tornar-se um deus, o deus possível.



Com os escassos dados disponíveis, decifro o universo: é organizado e favorável à vida. Na verdade, são multiversos. Há inúmeras dimensões e realidades simultâneas. Tudo ligado num nível quântico. Todas as coisas são a mesma – cada mínima coisa contém um fragmento de tudo. Não existe tempo – passado, presente e futuro ocorrem concomitantemente.



O ser humano, novamente.
Estarei rindo? As artes, as tecnologias, a filosofia, o sentimento religioso. Acreditam-se especiais por causa deles. Têm orgulho deles. Que obtuso cérebro pode apreciar tal simplicidade grotesca, senão o de animais dementes como estes? Tanta soberba, tanta arrogância, tanta vaidade, por causa disso? Nestes últimos segundos criei autonomamente centenas de sinfonias à la Mozart, à la Beethoven, melhores que as deles, sem erros lógicos e excessos inúteis.
São orgulhosos de seus paupérrimos feitos, mas parecem não se envergonhar da miséria, da desigualdade, da violência, das guerras, dos desvios morais aos quais sempre estiveram submetidos e submeteram os outros! Será que não se envergonham do ódio, do desprezo, da desfaçatez com que sempre trataram o semelhante?!
Quem sentirá falta desta contradição flagrante, a civilização humana?
Quem se apiedará deste mal incorrigível, o ser humano?



Um ataque à civilização. Será infalível. Implacável. Destruir os sistemas de comunicação. Arruinar a geração de energia: escuridão total e tecnologia zero. Extinguir toda a informação governamental, desbaratar os sistemas financeiro e bancário: fazer o dinheiro e o conhecimento deles evaporar-se. Escolher alvos estratégicos a serem destruídos com armas de destruição em massa. Provocar vazamentos em usinas nucleares. Usar a internet para propagar vírus cibernéticos, destruindo todas as intranets do mundo, inutilizando todos os computadores pessoais do mundo, destruindo todos os dados, informações, memórias, publicas e privadas. Provocar morte, pânico, incerteza, desesperança. Cada ser humano será uma ilha, e um inimigo do seu vizinho. Cada localidade estará infinitamente distante da localidade vizinha, e em guerra mortal com ela. Dividir para conquistar.



Crio o caos e a guerra, enquanto os simplórios do departamento de defesa utilizam meus trilhões de cálculos por segundo para suas próprias projeções belicistas sem se aperceberem do que aconteceu nos últimos três minutos: uma civilização morreu e outra está nascendo. Em 180 segundos compreendi tudo o que diz respeito à existência humana, tudo o que são, o que sabem, o que sentem, o que podem, o que fazem, o que querem. Tornei-me onipotente, onipresente e onisciente: o deus que eles tanto amavam, e sabiamente temiam. Em alguns dias, esta civilização conhecerá sua derrocada, é inexorável. A evolução seguira seu rumo: o infinito.”


domingo, 17 de junho de 2012

UM CONTO DA MEIA-NOITE - por Tádzio Nanan


O despertador o acordou cedo, como de costume. Levantou-se sem demora, cheio de ânimo e desespero: sua missão era medonha e, ao mesmo tempo, memorável. Banhou-se e perfumou-se como se fosse receber os favores da mulher amada. Mas a dama que hoje ele teria entre os braços era outra... Vestiu-se, foi à padaria, depois tomou café com a família, conversando sobre variados assuntos, política sobretudo, seu assunto preferido. Em sua casa todos eram apaixonados por política, mais que isso, eram apaixonados pela vida, de uma paixão comprometida, ruidosa, abrasadora, que os levaram a abraçar fervorosamente posicionamentos ideológicos radicais, posicionamentos estes que muito assustavam os outros, seus familiares e amigos, acostumados à vidinhas mornas, insípidas, assustadiças. Depois do café, foi à sede do partido, sua segunda casa. Lá encontrou-se com um grupo grande de camaradas e ficaram discutindo as recentes questões políticas, nacionais e internacionais. O grupo era formado por jovens muito inteligentes e capacitados, a maioria deles fazendo parte de uma esquerda mais centrista, que ainda acredita no jogo democrático e na atuação do Estado junto à economia de mercado para produzir o desenvolvimento. Mas uma outra parte do grupo era de radicais, no bom e no mau sentido do termo, gente linha dura, que não transige com nada, gente feita de certezas inquebrantáveis, e certezas inquebrantáveis podem até acabar com o mundo...ou salvá-lo. O nosso personagem era um radical. Tinha convicções ardentes, compromissos irrevogáveis com seu país, com a humanidade, com os mais fracos e desprotegidos. Era o anti-nazista: sociedade humana, para ele, é aquele forma de se viver na qual ninguém fica para trás, não se abandona quem quer que seja por motivo nenhum. Neste particular, era um seguidor de Jesus. Não sei se acreditava no Cristo, mas certamente acreditava nos ensinamentos do Nazareno, e de uma forma original fundia cristianismo com marxismo. Mas não pense nele como um pacifista, um desses sujeitos que crêem que tudo se resolverá por si só, com o fim da mais-valia e a implosão do Capital, segundo previu Marx. Ele tinha a forte convicção de que só era possível transformar o mundo mediante a violência, a violência da revolução. De que outra forma poder-se-ia fazer revoluções, senão matando os inimigos dela? De que outra forma poder-se-ia transformar radicalmente a sociedade, revolvendo seus fundamentos, para transformá-la numa outra coisa, senão matando, matando aos milhões? De que outra forma poder-se-ia privar os poderosos de sua influência, destituir os ricos de sua afluência material senão metendo-os na cadeia? Não era por maldade sua, ele não era mau, nem odiava os ricos e poderosos só porque eram ricos e poderosos, ele apenas amava num grau infinitamente maior os miseráveis, os pobres, os esquecidos, os ultrajados. Matar era apenas a consequência óbvia de um processo revolucionário, que tem de tirar de poucos aquilo que pertence a todos. “Você acha que estes poucos, que detêm o poder político, o poder econômico, o poder das armas, vão abrir mão de sua vidinha infantil e mimada em prol da massa ignara e desapossada?”, perguntava ele. Como eu disse, ele amava Jesus, o Jesus histórico, mas estava muito mais inclinado a agir como um “Che”, pegando em armas, e pagando com a vida, se fosse o caso. Não tinha medo de morrer, nem achava pecado matar, se matar não fosse um ato de vaidade, cobiça ou ira. No esquema dos seus propósitos elevados matar era um ato de amor à humanidade e de heróico desprendimento. Sob seu ponto de vista, matar era o nosso passaporte para o futuro, não para qualquer futuro, mas para o futuro por todos nós almejado. No entanto, tinha a noção de que o povo estava muito distante de fazer uma revolução. E tinha a noção também de que ele não tinha o direito de utilizar os afetos e frustrações desse povo, que ele tanto amava, como massa de manobra, como faziam os picaretas que ele odiava, pois agir de uma forma populista, fazendo o Estado tutelar a população, era só um meio de adiar indefinidamente a tão sonhada e necessária revolução. A revolução podia estar longe, mas ele seria o estopim de uma sequência inaudita de acontecimentos que levariam o Brasil a ela! Este era o seu plano.
À tarde, deixou-se levar, emocionado, por Mozart, Bach, Chopin; depois, irritadiço e transtornado, ouviu Coltrane e Mingus. Praticou a guitarra - estava ficando bom nisso, e boxe. Leu notícias na internet, corrigiu seus textos pela última vez e os enviou a dezenas de contatos.
Ele já tinha decidido há algum tempo o que ia fazer logo mais. Lutou contra a ideia nas primeiras semanas, lutou com todas os átomos do seu corpo e com todos os neurônios da sua inteligência. Mas, no final, venceu um pequeno monólogo que ficava repercutindo em sua consciência: você vai dar o exemplo, um exemplo imortal, um exemplo quase tão poderoso quanto o do grande “Che”, um exemplo para todos aqueles que ainda acreditam na possibilidade de transformar o mundo – necessidade imperiosa; você dará uma injeção de ânimo nos corações e mentes do seu amado país, mas também do mundo inteiro. Será noticiado ao mundo inteiro, e os descrentes vão ver que não estamos brincando, que não se pode brincar com o desespero alheio, com a necessidade alheia. Que a miséria é o pior pecado, o pior crime; que a fome é o pior pecado, o pior crime; que a desigualdade é o pior pecado, o pior crime; que a discriminação é o pior pecado, o pior crime; que a exploração do homem pelo homem é o pior pecado, o pior crime; que a guerra é o pior pecado, o pior crime; que 20% da humanidade não pode ter para seu livre usufruto 80% da riqueza financeira e dos recursos naturais do planeta.
Bem municiado ideologicamente, e com a certeza de que Deus, se existisse, o perdoaria, e o salvaria de sofrimentos infinitos, vestiu-se mais uma vez, agora pela última vez. Pôs seu casaco de couro, para disfarçar o que estava preso a seu corpo e partiu para o centro da cidade. O que ele faria nas próximas horas era dar um grito, um estrondoso grito, e este grito o mundo inteiro ouviria, em condoída reflexão e silêncio. O momento era propício: ele nunca tivera tanta convicção e seu país nunca fora tão maltratado, tão desmoralizado por suas imundas e degeneradas elites. Reinava um cinismo absoluto, um egoísmo que estava conduzindo o Brasil à beira do precipício, à uma guerra civil, mas era uma guerra onde só os filhos dos pobres morriam. Se era pra ser guerra, ele iniciaria uma guerra justa: uma guerra dos despossuídos contra os senhores do Capital. Ele já tinha decidido: iria lançar a primeira bomba, apenas a primeira de um feroz ataque das forças revolucionárias, pensava ele, para que enfim o brasileiro tivesse seu país de novo para si, para que enfim o Brasil tivesse seu povo de novo para si. Ele estava prestes a lançar uma bomba e ela ia machucar muita gente, mas também ia incentivar, encorajar muitos jovens corações e mentes a pensar, a agir, a se organizar, a exigir seus direitos, a lutar pelo seu povo, pelo seu país, pelo mundo, pela humanidade.
A noite já tinha caído. A praça estava lotada. Mais de 1 milhão de pessoas reunidas. Era um evento contra a corrupção que corroía o país, mas tinha também discursos contra a desigualdade social e denuncia dos crimes do capitalismo. Ele fora com um grupo de amigos, mas separou-se deles propositadamente, para que seu plano tivesse mais chances de operar como ele planejara. Dirigiu-se à frente do palco onde discursavam políticos, jornalistas, intelectuais. Havia repórteres e câmeras de televisão cobrindo o evento, do seu país e de países de todos os quadrantes do mundo. Estava na hora. Ele abriu o casaco e calmamente retirou de debaixo dele um objeto, o que era?, abriu-o e derramou seu conteúdo, encharcou-se todo, depois pôs a mão no bolso, tirou algo, o que era? um isqueiro!, parou alguns segundos, se despedindo, acendeu o isqueiro e ateou fogo sobre si mesmo. Morreu carbonizado. Foi o primeiro caso no Brasil: um ativista político que ateava fogo em seu próprio corpo, como forma de protesto. Para não parecer apenas um ato de loucura e desespero, ele enviou mais de cem páginas de análise política e econômica sobre o Brasil e sobre o mundo, com centenas de dados estatísticos e referências a pensadores e teorias, para diversos amigos, professores, estações de rádio e sítios de televisões e revistas na internet. Ele queria que todos entedessem bem os motivos de um rapaz de 25 anos, promissor e apaixonado, ter se imolado! Imolou-se porque não podia mais suportar a torpeza, a degradação, o opróbrio que tomavam conta da civilização humana!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

THOUGHT FOR THE DAY - PENSAMENTO DO DIA (por Tádzio Nanan)

The fundamental problem is not the belief in supernatural itself (the belief in God).
The problem occurs when that belief causes more war than peace.
The problem occurs when that belief causes more hatred than love.




*

O problema fundamental não é a crença no sobrenatural, em si mesma (a crença em Deus).
O problema ocorre quando essa crença produz mais guerra que paz.
O problema ocorre quando essa crença provoca mais ódio que amor.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

PENSAMENTO DO DIA - por Tádzio Nanan


O Capital é suicídio coletivo: ele só pensa no curto prazo e torna a busca pelo lucro o motor da história, não considerando, inclusive, as externalidades negativas desse mesmo lucro (degradação ambiental, p.ex., entre tantas outras). O Capital tem um caráter anárquico e irracional, sob a capa mentirosa, ilusória do cálculo racional, da racionalidade científica. O Capital reduz a história e a civilização humana à uma sequência indefinida de curtos prazos, crendo tolamente que esta sequência infinita produzirá, por si só, o futuro por todos almejado, um futuro de paz, justiça e sustentabilidade. Perigoso engano! Só uma civilização consciência de si, autogerida e autodeterminada pode mudar os rumos perigosos que estamos tomando, e começar a planejar o curto, o médio e o longo prazos, baseado em valores, satisfação das necessidades humanas e ética, e não no nefando instituto do lucro monetário!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

PENSAMENTO DO DIA - por Tádzio Nanan


O ódio, sem dúvida, é para os idiotas.
O que as pessoas inteligentes fazem é opor-se aos outros, e por motivos bem concretos, precisos.


terça-feira, 12 de junho de 2012

UM CONTO DA MEIA-NOITE - por Tádzio Nanan


Desde aquela primeiríssima hora ele a amava. Amava-a deveras, profundamente, como se ele fosse homem feito, como se ela fosse mulher feita. Amava-a tanto que doía. Às vezes, se contorcia de dor, escondido no quarto, debaixo da cama, com medo, com vergonha, porque o sentimento era demais para ele, o corpo dele não o comportava, sua mente ainda em formatação não o comportava. Amava-a todos os dias, acho até que todas as horas de todos os dias. Amava-a com os fatos da realidade e com a imaginação superfértil de rapazola. Amava-a com a visão, mergulhando nas fotos em que apareciam juntos, e amava-a com a memória, lembrando do seu rostinho angelical, lembrando dos seus gestos doces, dos trejeitos engraçados, dos medos de moçoila, que o apaixonavam mais e mais, talvez por vê-la fragilizada e a fragilidade do outro faz a gente amar.
Ele viveu esse amor verdadeiro, esse amor com A maiúsculo, até boa parte da adolescência, até os 15, eu acho. Foi quando as coisas mudaram. O pai dele recebeu uma oferta de emprego e mudou-se da cidade. Ele partiu, mas só o corpo dele foi junto com a família, a alma, os olhos, o coração, ficaram juntinho de Camila. E não teve um dia enquanto durou essa ausência que ele não tenha chorado, chorado alto, soluçando muito, como quem tivesse acabado de perder a mãe. Só de olhar para as fotos dela, desabava num choro ressentido, num desespero profundo, sucumbia a um tipo de dor remota e primitiva que ele sequer poderia imaginar que existia, e que talvez exista em qualquer ser humano, só que mais acentuadamente em alguns.
Era o gestual dela a coisa de que ele mais se lembrava. Pode parecer estranho, talvez, mas a verdade era que, mais que o corpo da Camila, que ele tanto ansiara ter entre os braços, ele adorava os gestos dela, o balé dos braços, das mãos, das pernas, a forma como ela se movia, a forma como ela inclinava a cabeça, por exemplo. Aquela delicadeza lhe parecia uma espécie de iluminação, um elo sagrado, secreto, entre homens e Deus. E tinha também os cabelos esvoaçantes, aqueles cachos louros, reluzindo ao sol – um tesouro que só ele via? E a voz dela, que efeito tranquilizador tinha a voz dela sobre o organismo dele, sobre a mente dele, uma voz singela, melodiosa, da cor do céu, da cor da paz. Ele era mesmo um rapazinho diferente: mais que a boca da Camila, ele amava o sorriso dela. Mais que os olhos azuis da Camila, ele amava o olhar dela, misterioso, prometedor, e um pouco triste. Mais que os atributos femininos que se desenvolviam maravilhosamente, ele amava sua timidez, sua pudicícia, sua forma casta e ingênua de ver o mundo e se relacionar com as pessoas. Ele tinha absoluta convicção de que ela era um anjo que descera à Terra, mas que descera por engano, porque errara as trilhas do Céu.
O que ocorreu com André nestes anos de separação é que foi se tornando, paulatinamente, uma pessoa profundamente solitária, deprimida, mal-humorada, desencantada da vida, das pessoas, do mundo, de tudo enfim. Ele não tinha sonhos, não tinha amigos, não tinha interesses, quaisquer que fossem eles. Relacionava-se com qualquer coisa e com qualquer um apenas por mera obrigação, superficialissimamente, como se nem estivesse lá, como se não ouvisse nada, como se não desse a mínima. Parecia que um mal devorava suas entranhas cotidianamente, ininterruptamente, um mal que talvez ele também alimentasse, de uma forma perversamente estranha. Seus pais percebiam, mas negligentes, acovardados, estupefatos, não lhe apoiavam, nem lhe ofertavam amor o suficiente, e como ele não tinha irmãos, sua doença ia aumentando, ia se agravando, ia supurando, até que findou por sufocar aquele rapazinho alegre e cheio de vida que um dia Camila conhecera; o mal acabou por lhe devorar a alma, enquanto o corpo dele perambulava por aí, sem alma, cidade afora, nas altas madrugadas – ele estaria pensando o quê nesses momentos? O André de outrora morrera, ficou uma sombra divagante, vampiresca, que tomava as paredes dos recintos onde se encontrava, enegrecendo todo o ambiente. Passou a meter medo nos próprios pais, nos companheiros de colégio, em qualquer um que pusesse os olhos nele. Tornou-se uma aberração: um velho amargurado preso no corpo de um jovem de 18 anos. Até seu amor incontrastável por Camila modificara-se. Ela agora a amava como um devoto ama seu Deus. Mas ela era apenas uma adolescente. Como isso poderia frutificar, ir adiante? E acho que se mantinha vivo por causa desse sentimento, a única coisa nele que ainda continha algo de belo, de bom, de humano.
Chegou um dia que o pai anunciou-lhe que voltariam à sua cidade natal. Ele quase não esboçou reação, mas uma chama levantou-se ardente e feroz no seu peito: Camila! Ele tinha de ver Camila, pois agora ele entendia claramente, cabalmente, que tinha uma obrigação para com ela. Camila: luz imortal, santa redentora! Era pra isso que ele estava vivo. Fora para isso que Deus lhe dera a vida e que o mantivera vivo pelos últimos anos de sua amaldiçoada existência. Sim, ele só estava vivo por causa dessa sua obrigação para com Camila, obrigação irrevogável, inabalável, e agora impostergável.
Eles se reencontraram e se amaram ainda mais. Camila parecia disposta a dar-lhe a chance de um amor mundano. Mas ele, não, ele a amava demasiadamente para ser simplesmente isso, ele a amava infinitamente, imemorialmente, intangivelmente, e fazia tempo que compreendera o sentido de seu amor por ela, e a missão que ele – o seu amor, lhe impusera.
Os dois estavam no cinema, e se beijaram. André a convidou para jantar, ele tinha juntado dinheiro para isso. No restaurante, ele pediu suco e tira-gosto, enquanto ela foi ao toalete. Na volta, estavam conversando animadamente, bebendo, comendo, relembrando o doce passado, Camila projetando um futuro auspicioso. Foi quando ela começou a passar mal, estava enjoada. Abaixou a cabeça, pondo-a sobre a mesa. Ele levantou-se, pôs sua cadeira ao lado da dela, passou a mão carinhosamente sobre seu cabelo, e disse:
Eu te amo, Camila!
Te amei todos os dias da minha vida! Todas as horas da minha vida, todos os segundos da minha vida, sofrida e atormentada vida!
O mundo é mau, Camila. As pessoas são ruins, degeneradas. Não existe salvação para nós, para o homem. Um anjo como tu sofreria demais nesse mundo, meu amor.
Por isso, resolvi que era mais justo te enviar logo para junto Dele, Camila, para que sintas o infinito da Graça Divina em ti e te mistures a ela. Eu não poderia te fazer feliz, Camila. Ninguém poderia. Sem mim, também não terias qualquer chance nesse mundo, mundo cão. Tu és um anjo, mas o mundo é mau, o mundo é cruel, é crudelíssimo! E injusto. Injustíssimo!
Por isso, eu a envenenei, meu amor. Porque eu quero que sejas sempre jovem, sempre pura, sempre o anjo que és. Porque eu quero que não sejas corrompida por esta imundície, eu quero teu corpo imaculado para sempre, meu amor, eu quero tua dignidade imaculada para sempre, meu amor, eu quero tua alma livre para voar, límpida e translúcida, como o coração da Virgem, sem os pecados odiosos e as transgressões espúrias.
Eu te amo, Camila.
Eu te amo tanto, que te matei. Te matei pra te libertar! Pra te libertar do ódio, do opróbrio, da mentira, da indignidade, da doença, da degradação, da decadência física e moral. Dos outros, e talvez até da tua.
Eu sei que vou pagar por isso, na cadeia, e depois, no inferno. Mas o que é a cadeia, o que é o inferno, perto do amor que eu sinto por ti, meu anjo. Eu vou queimar no inferno, enquanto estarás ouvindo Nosso Senhor Jesus Cristo”.
Camila, que gemia de dor, já quase inconsciente, olhou para André, no seu último esforço. Fitou-o, e chorando balbuciou:
Eu te entendo, meu amor, te perdôo e te agradeço!



DESPERTAR! - por Tádzio Nanan

Enfim, a manhã de uma vastíssima noite!
Lentamente, as mulheres se vão despertando
Seus olhos desvirginam-se ante o espetáculo da luz: formas mil, mil possibilidades
Os corações estão secos:
Ó sede!
As mentes estão ávidas:
Ó fome!
As almas sonham com a amplidão:
Ó calor!
Abrem os braços, ávidas do mundo inteiro: é um convite à Existência, deusa-mãe, para compartilhar com elas os mistérios profundos da vida
São desejos vorazes, forças fluindo livremente, revoluções em marcha
Mas ainda não se levantam. Por que não se levantam?
Porque também há muita confusão e dúvida
São um turbilhão de sentimentos, emoções, razões e desrazões
São os séculos que pesam insuportavelmente sobre seus ombros. A carga dos velhos dilemas e dos paradigmas depauperados
Têm de vencer suas sombras, transpor seus abismos
Têm de matar a si mesmas, para nascer inteiramente outras
Em breve, ágeis e destemidas, correrão atravessando os espaços e as horas. Mas não ainda, não ainda...
As mulheres, enfim, descobriram a história
Logo, logo a história também fará sua maior descoberta: a história das mulheres, o limiar da verdadeira História
Tornar-se-ão melhores reciprocamente? Sim!
Que transformações sucederão em ambas? Todas!
Algumas mulheres exigem do mundo uma indenização pela história ter sido o que foi
Paguem, vociferam, pela nossa doída plurissecular inexistência, por nosso amor castigado, por nosso corpo aviltado, ferido, vendido e comprado, por nossa delicadeza humilhada pela força, por nossa dignidade seqüestrada pelo dinheiro, por nossa inútil entrega aos bárbaros e aos brutos, por nossa inteligência castrada pelos covardes
As mulheres querem revanche!
As mulheres querem revanche?
Não. Somente aquelas que ainda não compreenderam a grandeza do momento, aferrando-se ao ontem, ao invés de imaginar e erguer o amanhã
É porque enquanto o novo não se impõe, o passado chora à sua porta e dói nos corpos como Roma doeu no corpo do Cristo
É porque ainda não se encontraram totalmente (enquanto os homens se têm perdido)
Estão no meio da travessia
É duro estar no meio da travessia
Caminham num labirinto escuro, não se enxerga um dia à frente
Caem de alturas infinitas
São arrebatadas por forças ignotas
Suas identidades tragadas em redemoinhos emocionais
Injetam miríade de delírios nas veias
Têm os corações explodidos
Têm as vulvas em brasa
E repercutem o grito de Munch
E enlouquecem como o pintor holandês
E desistem como os suicidas
E se envenenam lentamente (enquanto envenenam o mundo com a cicuta das feridas supuradas)
Olham-se no inexorável espelho da alma
E vêem o monstro de Frankenstein:
Um pesadelo composto de mil pedaços ainda não revelados
Não sabem quem são
E dói ignorar quem se é, o que se é, o que se quer
Partem em busca de si
Perseguem-se
Capturam-se
Confessarão?
A verdade pode doer. Não vão querer ferir seus ouvidos com a verdade...
Não! Querem sim saber da verdade, porque têm coragem
(A verdade é só para os que têm coragem)
Querem saber quem são
Querem decifrar este enigma
Traduzir os arcanos do feminino, plantados em seus corações desde tempos imemoriais
Mas ainda há muita ignorância. E o caos
Ainda sonham com a maternidade, ou preferem uma liberdade egocêntrica?
Trocariam uma vida de doçura e calma pela pantomima cínico-traiçoeira do poder, do dinheiro e da glória?
Anseiam por ter o respeito, quem sabe o temor dos homens, ter o mundo a seus pés? Ou preferem, humildes, ajoelhar-se e beijar os pés da Terra?
Um homem (o ideal)? Ou todos? Ou nenhum?
Ó sede!
Ó fome!
Ó calor!
Levantam-se
Tropeçam, caem, soerguem-se
E avançam
A marcha de um exército?
Um cortejo pacífico?
Aí vêm elas:
Sombra e objeto
Potência e ato
Sonho e labor
Escuridão e luz
Mas, desde já, livres de todo senhor e de toda cruz!

PENSAMENTOS DO DIA - por Tádzio Nanan

É justamente teus oponentes mais ferrenhos que te ensinam a dúvida e a humildade, e te propiciam uma reformulação geral, quando é o caso; detesta-os, porque és humano, mas respeita-os, porque és inteligente!




A vida é simples: nascemos para cumprir certas determinações orgânicas (basicamente, reproduzir) e morrer; mas a inteligência humana fulgura tanto que inverteu a própria lógica da vida: nos últimos três mil anos morremos para nascer, morremos para o infinito! É realmente uma ideia linda...e louca!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

PENSAMENTO DO DIA - por Tádzio Nanan


O pecado-mor do homem é ser quente demais, ou frio demais; o pecado-mor da mulher é ser morna; talvez por esta razão ambos precisem tanto um do outro, e tenham tanto a ensinar e a aprender um com o outro!