terça-feira, 29 de setembro de 2009

DITOS ESPIRITUOSOS (OU QUASE...) parte 8

Casar com a Igreja é deitar com o Cristo

Se cair, não espere ajuda; mas se alguém cair, ofereça ajuda

Não me relaciono com classes, gêneros, raças, credos, mas com pessoas

A vitória é a ideologia (e o fetiche) dos regimes totalitários; a superação é o lema das sociedades livres

Fulano consome cocaína; cicrano, álcool; beltrano, sexo; o resto de nós consome a Indústria Cultural

A paixão, só a tolera os apaixonados

Só há uma coisa melhor que uma mulher despida: uma mulher bem vestida

Na sociedade da cobiça, o pecado é ganhar a vida com o suor do próprio rosto

Sê prudente com teus inimigos; com teus amigos também

A caridade é uma fraude: quem a faz julga-se melhor do que realmente é, e quem a recebe julga estar melhor do que realmente está

Quanto mais ouço Led Zeppelin mais gosto dos Beatles


Tádzio Nanan

sábado, 26 de setembro de 2009

AMADA IMORTAL ou Anti-Poema de Amor

Amada imortal, em qual séptico e bárbaro leito
Te entregaste à magia do sexo, violenta e doce?
Que inculto varão acendeu a chama do teu peito
E te possuiu com primitiva rudeza, agridoce?

Outrora, tão reticente! Acorrentada ao pudor...
Agora é um macular os lençóis em abjetas orgias
Prostrando este teu pretendente, que maldisse o amor,
E louco fugiu para ver se a teu rosto esquecia...

Mas não pôde jamais! Do teu lascivo regaço, ó voraz gana!
Não posso esquecer-me de ti, ninfa impura e profana
De tuas maneiras lúbricas, de teus vícios delirantes

Vulgívaga sorvendo o bacântico sentido da vida!
Pago-te em ouro, mas me deita em tua cama bandida
E me dá o efêmero prazer das paixões fumegantes


Tádzio Nanan

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

R E V E L A Ç Ã O

A morte desceu de sua atmosfera fantástica
Lasciva, hedionda, fatal, ela já me escolhera
Trouxe-me visões infernais que no Hades colhera
Arrebatando-me sua lívida beleza cáustica

Fizemos amor, eu e seu corpo infinito
No findar-se de uma e alvorecer de outra era
Prenúncio de uma voraz e ignota esfera
Mas com dor e com medo lancei um grito

Que varou os espaços inauditos sem resposta
E a cruel revelação foi nesse silêncio exposta:
Um universo moral, sustentáculo da Salvação

Fora assim, sempre, nossa mais cara ilusão
E ali em meus olhos deixou-se plantar o esquecimento
Dormiu o fogo e o maniqueísmo de todo conhecimento


Tádzio Nanan

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Hálito Noturno

Adriano Oliveira Costa


O hálito da noite que me gela, enternece-me.
Sua boca que me afastou, acalmou-me.
A via escura me arrematou, confortando-me.
O céu gris me conforta, consolando-me.

A pessoa que eu amo, rejeitou-me.
Humilhei-me como um menino a embeber-se.
Vi-me como um capacho a entreter-te.
Fiz-me como palhaço ao conhecer-te.

Explicitei meus carinhos vislumbrando-os.
Curvei-me como energúmeno a gostar-te.
Virei vagabundo, adorando-te.
Virei homem humilhando-me.

Vida danosa que me humilha.
Ventos tortuosos que me esquadrilham.
Fio danoso da minha vida a partir-se
Oh noite! Traga-me um pouco de alegria divertindo-me.

sábado, 19 de setembro de 2009

É POSSÍVEL

Tantos heróis e heroínas anônimos
Sem máscaras, rostos limpos, límpidos
Poderes só de gente comum
Tecendo suas obras
Num silêncio humilde

Homens e mulheres consagrados
Às grandes esperanças coletivas:
Paz, amor ao próximo, justiça, compaixão, verdade, perdão
E às pequenas causas cotidianas:
Amar e cuidar dos seus, cuidar de tudo que é vivo, honrar a Deus, fazer o bem

Tantos Cristos anônimos
Cruz sobre as espaldas
Numa Via Dolorosa que poucos vêem ou fingem não ver
Ninguém lhes estende a mão quando caem
Mas eles se erguem sozinhos
Ungidos por Deus com fé inelutável e translúcida
Seus calvários em nobre silêncio suportam
E se choram, choram por que é de verdade e é justo
Choram para depurar o corpo e a mente de todo mal

Estes heróis e heroínas cotidianos, Cordeiros de Deus,
Paladinos da Humanidade, são o Sal da Terra
Esperança de outro porvir, cuja semente está lá plantada no coração de cada um: regue-a, convide-a a desenvolver-se

Enquanto estes homens e mulheres permanecerem alheios ao Mal que nos obsidia e confunde, intemeratos entre transviados, intimoratos entre cobardes, corações e almas plenos em meio ao esvaziamento do Espírito
Enquanto estes homens e mulheres estiverem espargindo primaveras em pleno outono, pincelando auroras quando a noite é alta, semeando virtudes em terrenos áridos, socorrendo mesmo o imigo, oferecendo sua face, seu lar, seu pão e vinho

Eu vou continuar sonhando
Sonhando que outro mundo é possível


Tádzio Nanan

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

DITOS ESPIRITUOSOS (OU QUASE...) parte 7

O tempo mata o homem e ergue a civilização

Quanto maior o ídolo, menor o fã

Desejar sem poder é frustração; poder sem desejar é sabedoria

A vida é um labirinto; sair dele é a felicidade; não entrar nele é a sabedoria

Tudo que você almeja ter logo será sucata; TER: muito barulho por nada!

A vontade de TER é como a gravidade: impede-nos de voar!

A gente não dorme pra sonhar; a gente não vive pra sorrir

A diversificação do produto: grande mérito do capitalismo! Assim, os idiotas têm grandiosas dúvidas no shopping...

Como um espelho, reflitamos: amor aos que nos amam, ódio aos que nos odeiam

A consciência: dádiva e castigo


Tádzio Nanan

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS

morri às uma da manhã, ressurgindo às cinco

ergui-me, trôpego, do féretro cotidiano, desgostoso com as quatro horas de malíssimo descanso

redivivo, comer: lixo industrializado, que me está degenerando em aterro sanitário ambulante, incapaz de gesto feroz e pensamento ágil, como deve ser na selva onde vivemos

degluti pílulas para combater todo tipo de dor, físicas e espirituais, reais e imaginárias, numa espécie de liturgia ante o altar da auto-comiseração

química fina e lixo industrializado: morte lenta e dolorosa!

o mundo ladra no ecrã do computador: vira-lata estúpido correndo atrás do rabo!

notícias, pesquisas, downloads, para quê mesmo?

redijo considerações sobre assuntos que desconheço profundamente, coisa a que os pseudo-intelectuais da minha geração do fast-food da informação se afeiçoaram

estou ficando tão bom nisso (acumular dados desconexos) que vou acabar sabendo nada sobre todas as coisas, diferentemente de conhecidos ilustres, tolos super-especializadas, conhecedores de absolutamente tudo sobre absolutamente nada

o auto-engano! Generalistas e especialistas estamos todos errados

agora é sério. horas pesquisando sobre cinema. diretores, roteiros, interpretações.listas de filmes para meses vindouros. o cinema há cinco anos o cortejo. mais de quinhentos filmes alugados em mais de sessenta meses. cem por ano, oito por mês, dois por semana, de média. quatro reais por filme, dois mil reais ao todo. o que poderia fazer de mais interessante com esse valor? e senti tantas emoções diferentes, vi tanta beleza concentrada, vesti a pele de tantas personagens, viajei a tantos lugares inimagináveis, creio que o custo de oportunidade foi baixo, desculpem-me os não-economistas. o cinema tem cem anos apenas e coisas exuberantes foram feitas, sendo apenas infante imberbe. compare com outras manifestações artísticas: poesia, literatura, pintura, escultura, arquitetura, música, todas muito mais vetustas que ele. a questão é: será que dura mais cem, duzentos anos? enquanto houver História, literatura, dramas e alegrias humanas o cinema terá matéria-prima na qual fundamentar-se (o cinema e todas as artes). mas, resta saber: quanto tempo ainda nos resta de História, dramas e alegrias humanas?
profeta do pós-humano, profeta da era pós-orgânica, acusar-me-ão.
quem viver, verá. mas não há de sobrar ninguém nem pra ver nem pra chorar...

Tádzio Nanan

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A SÉTIMA ARTE AO ALCANCE DE TODOS - sugestões de filmes

Nos últimos cinco anos, o autor destas tortuosas linhas fez (e continuará fazendo) esforço hercúleo, metódico, determinado e infinitamente prazeroso para melhor compreender e conhecer o cinema, arte complexa, que agrega a si tantas outras. Reconheço humildemente que só agora estou chegando à metade do caminho de um razoável conhecimento do assunto, com cerca de 500 filmes alugados e assistidos, fruto de longas horas de pesquisa. Mas já me sinto à vontade para elaborar minhas próprias listinhas de filmes mais interessantes, dentre as muitas que existem por aí. Eis aqui a primeira delas que elaborei para servir de bússola aos navegantes de primeira viagem que almejam singrar os mares do cinema. Os critérios usados são muitos (um bom roteiro, boas atuações, boa direção, fotografia, efeitos visuais e sonoros, etc.) e não há qualquer espécie de ordem e cronologia. Vamos lá:

1) Assista Paul Giamatti em Anti-Herói Americano (2003)
2) Assista John Cusack em Alta Fidelidade, de Stephen Frears (2000)
3) Assista Christian Bale em O Operário (2004)
4) Confira George Clooney na direção e a atuação de Sam Rockwell em Confissões de uma mente perigosa, roteiro de Charlie Kaufman (2002)
5) Confira uma das cenas mais escatológicas do cinema em Borat, com Sasha Baron Cohen (2006)
6) Confira Will Ferrell em Mais Estranho que a Ficção, de Marc Forster (2006)
7) A direção sensível de Clint Eastwood e a atuação sempre excelente de Meryll Streep em As Pontes de Madison (1995)
8) A boa parceria, repetida em outros filmes, entre Clint Eastwood e Sondra Locke, em Rota Suicida (1977)
9) A fotografia e os efeitos especiais de Sunshine – Alerta Solar, de Danny Boyle (2007)
10) O excelente Abismo de um Sonho, do imbatível mestre italiano Federico Fellini; música de Nino Rota (1952)


Tádzio Nanan
Cinéfilo

domingo, 6 de setembro de 2009

DITOS ESPIRITUOSOS (OU QUASE...) parte 6

• A moralidade das pessoas varia de acordo com seus interesses próprios e os dos seus
• A ousadia da mediocridade é sonhar com o óbvio
• O ego é uma ilusão; mais que isso, é cárcere; portanto, livra-te de ti mesmo
• Os exércitos têm sempre uma maioria de idiotas
• O masculino e sua ancestral amante, a concupiscência, levam celeremente a dignidade humana à obsolescência
• A violência, cujo ápice é a guerra, é atributo inato ao masculino?
• A mente humana: o software mais complexo que existe; até agora...
• O preço da liberdade radical é a solidão absoluta
• A vaidade torna-nos vulneráveis
• É preciso mil pequenos fracassos para cada grande sucesso
• Já que não tem identidade própria, seus bens emprestam-lhe uma
• Correr, correr, correr... Companheiros, para onde?

Tádzio Nanan

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Tétricas Reflexões

por Adriano Oliveira Costa


Fiz-me retraído para agradar-te
Guardei-me tétrico para regozijar-te
Tornei-me solitário para suportar-te
Busquei um futuro para amar-te

Encarei o mundo a contragosto
Tornei-me hipócrita para teu gozo
Absorvi meus traumas para teu desgosto
Entreguei-me ao álcool para ver-te de novo

Magoei-me com tuas atitudes
Constrangi-me com tua felicidade
Descobri tua falsidade
Findei com minhas veleidades

Minha vida é uma farsa
Meus sentimentos se esgarçam
Desgraça que não passa
Acabei-me em bares que se espaçam

Joguei minha vida no ralo
Morte traz-me um regalo!
Solidão faz-me teu amigo!
Vida, porque me fez tão exíguo?


I’M SO TIRED
(LENNON/McCARTNEY)


I`M SO TIRED, I HAVEN`T SLEPT A WINK - I´M SO TIRED, MY MIND IS ON THE BLINK

I WONDER SHOULD I GET UP AND FIX MYSELF A DRINK, NO , NO , NO


I`M SO TIRED, I DON`T KNOW WHAT TO DO

I`M SO TIRED, MY MIND IS SET ON YOU

I WONDER SHOULD I CALL YOU BUT I KNOW WHAT YOU`D DO


YOU`D SAY, I`M PUTTING YOU ON, BUT IT´S NO JOKE

IS DOING ME HARM, YOU KNOW I CAN`T SLEEP, I CAN`T STOP MY BRAIN

YOU KNOW IT`S THREE WEEKS, I`M GOING INSANE

YOU KNOW I`D GIVE YOU EVERYTHING I`VE GOT FOR LITTLE PEACE OF MIND


I`M SO TIRED, I`M FEELING SO UPSET

ALTHOUGH I`M SO TIRED, I`LL HAVE ANOTHER CIGARRETE

AND CURSE SIR WALTER RALEIGH

HE WAS SUCH A STUPID GET


YOU`D SAY, I`M PUTTING YOU ON, BUT IT´S NO JOKE

IS DOING ME HARM, YOU KNOW I CAN`T SLEEP, I CAN`T STOP MY BRAIN

YOU KNOW IT`S THREE WEEKS, I`M GOING INSANE

YOU KNOW I`D GIVE YOU EVERYTHING I`VE GOT FOR LITTLE PEACE OF MIND

TRADUÇÃO:

Estou tão cansado, Eu não tenho dormido por um
instante
Estou tão cansado, minha mente está enguiçada
Eu imagino se eu devo me levantar e preparar uma
bebida para mim
Não, não, não.

Estou tão cansado, Eu não sei o que fazer
Estou tão cansado, minha mente está atacando você
Eu imagino se eu devo ligar para você, mas eu sei o
que você faria

Você diria que eu estou me exibindo para você
Mas não é piada, isso está me fazendo mal
Você sabe que eu não posso dormir, Eu não posso parar
meu cérebro
Você sabe que já faz três semanas, estou ficando
doido
Você sabe que eu daria tudo que eu tenho
por um pouquinho de paz interior.

Estou tão cansado, estou me sentindo tão perturbado
Embora eu esteja tão cansado eu pegarei mais um
cigarro
E a amaldiçoar Sir Walter Raleigh
Ele era um filhote tão estúpido

Você diria que eu estou me exibindo para você
Mas não é piada, isso está me fazendo mal
Você sabe que eu não posso dormir, Eu não posso parar
meu cérebro
Você sabe que já faz três semanas, estou ficando
doido
Você sabe que eu daria tudo que eu tenho
por um pouquinho de paz interior.

O VELHO



Cada velho, na forma de estrela, aos céus ascende
Quando passa. Palpita luz nas constelações infinitas
Seu coração, no vazio silente, ressoa verdades tão bonitas
E sua memória, na escuridão universal, é vela que se acende

Cada velho é um diamante pelas mãos do tempo lapidado
Cujos quilates são decênios de aprendizado e experiência
É uma biblioteca de livros raros, cheios de dor e sapiência
É sorriso e pranto, sonho e realidade, tudo amalgamado

Delirante, entre as temporais esferas, ele vigia
A chegada do sétimo dia, quando irá descansar
Tudo viveu, gerou, cuidou... Não, não temeria...

Já morreu tantas vezes (e renasceu o quanto queria)
A que virá, apenas passagem: mergulho num mar
Que a inefáveis plagas, tempos e sonhos o levará

Tádzio Nanan

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

À HORA

Confrange-me o peito
a espera do teu abraço inclemente.
Em qual esquina, qual alcova
Em que hora absorta
Visitar-me-ás oh! Indesejada das gentes?

Que virás, não tenho duvidas;
Mas que retardes tua chegada!
Entretém-te em tua lida:
Justa, porém, indigna
E chega mansa, sorrateira, delicada.

Cumpre o teu destino, mas deixa
antes, eu concluir o meu.
Há tantos planos, desejos, lugares
amores, prazeres e vontades
E fiz tão pouco!
De tudo que a vida ofereceu

__ Infausto e inescapável é
o destino de tudo que vive;
Nada perdura: riquezas, beleza, soberba
Inexorável são os apelos da natureza
Dos quais ninguém ela exime

Contigo não há de ser diferente
Não é pessoal: só cumpro o meu labor
Se não viveu, culpa não tenho
Mas em te levar me empenho
Esse é meu grande valor!


Jorenilson Madeiros Medeiros

sábado, 29 de agosto de 2009

O C A P I T A L

por Tádzio Nanan


O Capital avança sobre nosso código genético e nossas mentes
É a última fronteira. Sua finalidade é consagrar-se um deus, eterno
E catequizar com seu evangelho: dinheiro! Seu Céu, o nosso Inferno:
Alienação, fetichismo, tirania e outros pecados impenitentes

O Capital almeja nossa intimidade. Conhecer para conquistar
E explorar: corpos, almas, culpas, desejos, sentimentos, aspirações
Calará quem se lhe contrastar! Inculcará medos, impingirá aflições
E dividirá para que seus exércitos e os nossos jamais possam se conflagrar

O Capital e seus valores psicopáticos: egoísmo, força, cobiça, eficiência
Estamos loucos! Cegos de olhar sem ver, surdos ao clamor da igualdade
Consumidos por falsos ídolos e sofismas que destroem nossa identidade

O Capital e seu esboço pueril de felicidade: vaidade e concupiscência
Sequiosos de poder, dinheiro, sucesso – devoradores de sonhos,
Seguimos céleres ao abismo, à perdição e aos pesadelos medonhos

DITOS ESPIRITUOSOS (OU QUASE...) parte 5

• Foi lá e tentou; fazer é para poucos
• A: Quer dizer que a felicidade é o objetivo da vida? Mas as pessoas felizes são tão superficiais e tolas...
B: E quem disse que é preciso profundidade? Ora, as pessoas profundas são chatas e presunçosas, além de infelizes...
• Acumular, consumir, acumular, consumir, acumular, consumir... Quando é que vão começar a viver?
• O tolo grita; o sábio sussurra
• O tolo tropeça; o sábio recua
• Se a verdade liberta, descarte as mentiras da religião
• Se não incomodas ninguém, existes?
• Sucesso, dinheiro, poder: compensações?
• Encruzilhada: Deus, um delírio; o ateísmo, um martírio
• As circunstâncias podem fazer do sábio um tolo e do tolo um sábio
• Diga a verdade e fique só; minta se quer popularidade
• Sobre a esperança: esperei tanto que dei de cara com a morte
• Não queira corresponder às expectativas alheias; é infantilidade e carência...; forma que usarão para dominar você, esvaziando sua liberdade e autonomia; seja apenas o que quer ser; seja apenas o que é
• Pense: você tem realmente bons motivos para odiar uns e amar outros? Ou, em ambos os casos, é preconceito, ignorância e medo?

Tádzio Nanan

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

NÃO VENDA SUA DIGNIDADE

por Adriano Oliveira Costa


Negar o que é errado
Auscultar o que é sonoro
Observar o que é venturoso

Venerar o que é belo
Estimular o que é certo
Necessitar do que é útil
Deplorar o que é fútil
Admirar o vitorioso

Sumir com a hipocrisia
Urgir uma alquimia
Agir com denodo

Discutir o que é obvio
Irradiar colóquios
Granir impróbios
Nivelar o ódio
Imitar a poesia
Delimitar a orgia
Aliviar a vilania
Defenestrar a tirania
Esperar uma nova via


Dignity
(Bob Dylan)

Fat man lookin' in a blade of steel
Thin man lookin' at his last meal
Hollow man lookin' in a cottonfield
For dignity

Wise man lookin' in a blade of grass
Young man lookin' in the shadows that pass
Poor man lookin' through painted glass
For dignity

Somebody got murdered on New Year's Eve
Somebody said dignity was the first to leave
I went into the city, went into the town
Went into the land of the midnight sun

Searchin' high, searchin' low
Searchin' everywhere I know
Askin' the cops wherever I go
Have you seen dignity?

Blind man breakin' out of a trance
Puts both his hands in the pockets of chance
Hopin' to find one circumstance
Of dignity

I went to the wedding of Mary-lou
She said I don't want nobody see me talkin' to you?
Said she could get killed if she told me what she knew
About dignity

I went down where the vultures feed
I would've got deeper, but there wasn't any need
Heard the tongues of angels and the tongues of men
Wasn't any difference to me

Chilly wind sharp as a razor blade
House on fire, debts unpaid
Gonna stand at the window, gonna ask the maid
Have you seen dignity?

Drinkin' man listens to the voice he hears
In a crowded room full of covered up mirrors
Lookin' into the lost forgotten years
For dignity

Met Prince Phillip at the home of the blues
Said he'd give me information if his name wasn't used
He wanted money up front, said he was abused
By dignity

Footprints runnin' cross the sliver sand
Steps goin' down into tattoo land
I met the sons of darkness and the sons of light
In the bordertowns of despair

Got no place to fade, got no coat
I'm on the rollin' river in a jerkin' boat
Tryin' to read a note somebody wrote
About dignity

Sick man lookin' for the doctor's cure
Lookin' at his hands for the lines that were
And into every masterpiece of literature
for dignity

Englishman stranded in the blackheart wind
Combin' his hair back, his future looks thin
Bites the bullet and he looks within
For dignity

Someone showed me a picture and I just laughed
Dignity never been photographed
I went into the red, went into the black
Into the valley of dry bone dreams

So many roads, so much at stake
So many dead ends, I'm at the edge of the lake
Sometimes I wonder what it's gonna take
To find dignity


TRADUÇÃO:
O gordo olhando uma lâmina de aço,
O magro olhando sua última refeição,
O homem vazio olhando um campo de algodão,
Por dignidade.

O sábio olhando para a lâmina de grama,
O jovem olhando as sombras que passam
O pobre olhando através do vidro pintado
Por dignidade.

Alguém foi assassinado no Réveillon
Alguém disse que a dignidade é a primeira a partir
Eu fui até a cidade, fui até a vila
fui até a terra do sol da meia-noite

Procurando muito, procurando menos,
Procurando em todos os lugares que eu conhecia
Perguntando aos guardas de onde quer que eu fosse:
Vocês tem visto a dignidade?

O cego saindo de um transe
coloca suas mãos nos bolsos
esperando encontrar uma circunstância
de dignidade

Eu fui para o casamento de Mary-lou
Ela disse: Eu não quero que ninguém me veja conversando com você.
Ela disse que poderia ser assassinada se me dissesse
que sabia sobre a dignidade

Eu desci para onde os abutres se alimentam
eu poderia ter ido mais fundo,
mas não havia necessidade
Ouvi as línguas dos anjos e as línguas dos homens,
não fazia diferença para mim

O picante vento afiado como uma lâmina.
Casa em chamas, dívidas não pagas
Estarão na janela, perguntarão à governanta:
Você tem visto a dignidade?

O homem bebendo escuta a voz que ele ouve
uma sala lotada cheia de espelhos virados para cima
olhando para os perdidos e esquecidos anos
por dignidade

Encontrei Príncipe Phillip na casa do blues
Disse que me daria a informação
se seu nome não fosse mencionado
Ele queria dinheiro, disse que foi abusado
pela dignidade

Pegadas correndo pela areia prateada
Passos descendo para a terra das tatuagens
Eu encontrei os filhos da escuridão e os filhos da luz
Nas fronteiras do desespero

Não consegui um lugar para desvanecer
não consegui um casaco,
Estou no rio rolante num barco repuxado
Tentando ler a nota que alguém escreveu
sobre a dignidade

O homem doente procurando pela cura do doutor
Olhando para suas mãos, para as linhas que ali estavam,
e para cada obra de literatura
por dignidade.

Ingleses encalhados no frio vento
Penteando seus negros cabelos para trás
seu futuro parece estreito
Ele morde a bala e olha para dentro
por dignidade

Mostraram-me uma imagem e eu apenas gargalhei:
A dignidade nunca foi fotografada.
Eu fui até o vermelho, e fui até o preto
Até o vale dos sonhos de ossos secos

Muitas estradas, muita coisa em jogo
Tantos impasses, estou na margem de um lago
As vezes me pergunto o que ele fará
para encontrar a dignidade.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

MANUSCRITOS ECONÔMICO-FILOSÓFICOS parte 1

- Fragmentos

Tádzio Nanan
Economista

(I)
Com o aprofundamento da globalização, é preciso ter em mente que ela não pode restringir-se apenas a aspectos financeiros, refém de uma lógica economicista, que privilegia a remuneração dos capitais privados (de forma estéril, já que não cria novos bens ou serviços para a economia) em detrimento da qualidade de vida das sociedades humanas, transformando os estudiosos da ciência econômica em paladinos acéfalos do sistema cujo único objetivo é “reproduzir” o capital de mega corporações transnacionais, ao invés de preocupar-se com a mais racional, ética, equânime, sustentável e eficiente mobilização dos recursos econômicos (é realmente eficiente se atender às reais necessidades humanas, sem desperdícios). É imperioso compreender que há muitos outros valores mais essenciais e salutares que simplesmente a mera produção e acumulação de riqueza material a serem resguardados e disseminados para a tarefa de construirmos um novo milênio da maneira a mais equilibrada, sensata e serena. Para isso, é preciso soerguer a Política, que foi submetida aos ditames da economia liberal. A economia não pode, não deve pairar num plano superior à Política, esta entendida como o debate democrático e participativo acerca da resolução dos problemas cotidianos de homens e mulheres e acerca do futuro comum dos humanos, repleto de desafios e potenciais perigos.
(...)

(II)
O progresso técnico, a tecnociência, a razão instrumental despertam forças cegas que põem em perigo a civilização e a dignidade humana (alguns afirmam não existir essa coisa chamada dignidade humana!). Um exemplo dessas forças cegas são as armas de destruição em massa (químicas, biológicas, nucleares), incluídas aí os arsenais à disposição das potências hegemônicas, que as produzem e vendem às áreas conflagradas, auferindo lucros desmedidos e antiéticos (caso dos EUA, com quase metade das vendas, Reino Unido, França, Rússia, Alemanha, China; a maioria destes países faz parte do obsoleto Conselho de Segurança da ONU, cuja missão, ironicamente, é preservar a paz no mundo!). A união da tecnociência com o Capital também tem o potencial de gerar uma desigualdade radical entre os humanos, perigo jamais visto em qualquer outro período histórico: a apropriação privada e a manipulação do código da vida, suas múltiplas aplicações e implicações. Última fronteira do Mercado, sonho tirânico e megalomaníaco do Capital, visando a lucros incalculáveis e poderes incontrastáveis. Sob o dogma desta secular relação social, o Capital, o progresso técnico é apenas uma função do lucro privado da empresa capitalista, e não tem necessariamente relação com o bem-estar das sociedades humanas e satisfação de suas necessidades fundamentais. E é bom que se diga: o lucro pecuniário está longe de ser o fulcro sobre o qual deva alicerçar-se as motivações e atividades humanas. O é no presente, mas tem de deixar de sê-lo no futuro, se quisermos um futuro melhor (lembremos dos lucros que as guerras e conflitos bélicos proporcionam à empresas e governos, do tráfico de drogas, de armas, de órgãos e seres humanos (mulheres e crianças) para o mercado globalizado do sexo etc.
(...)

(III)
A devastação do meio ambiente segue implacável. Atentemos para o que farão nossos líderes na Conferência de Copenhagen, quando se discutirá as mudanças climáticas, os meios de combatê-la, o desenvolvimento sustentável, e um crescimento econômico cujas emissões de gases do efeito-estufa seja progressivamente menor a cada ponto percentual de aumento do PIB. É preciso avançar urgentemente para além do Protocolo de Kyoto. Lembremos que as mudanças climáticas e o aquecimento global têm causas antropogênicas e que resultam do modelo insustentável de crescimento econômico adotado pelos países ricos nos primórdios de seu desenvolvimento capitalista. Agora todos nós humanidade, sobretudo os mais pobres e os que estão em maior risco social, estamos sofrendo os terríveis efeitos da irresponsabilidade, ganância e prodigalidade das auto-intituladas nações mais desenvolvidas e ilustradas do planeta!
(...)

(IV)
Não obstante o contínuo crescimento econômico global das últimas décadas, medido em termos de PIB, não aumentam os níveis de satisfação subjetiva dos indivíduos (pesquisas feitas, p.ex., nos EUA o comprovam), nem diminui as desigualdades entre pessoas, classes, regionais, nações. Uma melhor distribuição da riqueza produzida, uma mais equilibrada e justa, é impossível dado os paradigmas a que estamos submetidos. As evidências? A própria OCDE constatou recentemente que a desigualdade socioeconômica vem aumentando entre os 30 países desta organização, países estes os mais ricos do mundo. E chegou a uma conclusão desalentadora: as medidas clássicas advogadas para se tentar diminuir a desigualdade socioeconômica, a principal delas, a política fiscal (cobrar tributos dos mais ricos para financiar o gasto social), têm se mostrado pouco efetivas. Então, o que fazer? Prevalece o ciclo estrutural da pobreza, ou, segundo os termos de Myrdal, a causação circular da pobreza e da riqueza. Alguns dados (veiculados na grande mídia): 20% da população mundial detêm 80% da riqueza global; as 3 pessoas mais ricas do mundo possuem ativos econômicos superiores aos 48 países mais pobres, nos quais vivem 600 milhões de pessoas; 257 indivíduos têm renda equivalente a de 2,8 bilhões de pessoas (mais ou menos 45% da humanidade); no Brasil, 1% das famílias detém 50% da Renda Nacional; no mundo, quase 1 bilhão de pessoas estão em situação de insegurança alimentar grave (fome mesmo!). São muitos os dados estatísticos que vamos publicar aos poucos, em outros manuscritos.
Definitivamente, o reino do Capital é o reino da barbárie!
É a isso que eles chamam de eficiência econômica?! Epidemia de obesidade nos países ricos e a fome humilhando 1 bilhão de pessoas? Ricos entupindo-se de remédios inúteis para pretensamente combater suas angústias, vazios existenciais e estresse, enquanto as chamadas doenças negligenciadas fazem milhões de vítimas todos os anos porque a toda-poderosa indústria farmacêutica não quer gastar dinheiro em pesquisa para as “doenças de pobre”, já que eles não podem pagar pelo tratamento!? Um bilhão de automóveis e vôos diários de um número sem-fim de aviões ajudando a agravar o aquecimento global e as mudanças climáticas (que aumentarão o número de famintos no mundo) enquanto mais de 2 bilhões de pessoas não têm sequer acesso a saneamento básico!?
O sistema opera bem para 20% da humanidade, mas relega à sarjeta pelo menos 50% dela! É preciso fazer alguma coisa!
(...)

(V)
É preciso ousar viver a vida de forma mais simples, comedida, racional, sustentável, solidária. Não se trata de propor uma utopia regressiva, uma volta a um passado idílico, que provavelmente nem existiu, mas de nos sintonizarmos com a realidade objetiva da civilização humana, da economia, e da encruzilhada em que nos encontramos todos neste momento, que pode ser um ponto de inflexão na curva da História, se realmente desejarmos e agirmos para tal. Necessitamos de novos paradigmas mais sustentáveis e responsáveis de produção e consumo, até porque o planeta Terra é um sistema fechado e finito, e desrespeitar isso é pôr em perigo nossa própria existência. E por quais ideais chegamos ao ponto de ameaçar nossa própria existência na face da Terra? Tudo em nome de uma prodigalidade estúpida, vã, imoral, patética das classes abastadas ao redor do mundo e sua sanha pueril de consumir infinitamente e ostentar e exibir-se mundo afora. É impossível vivermos num mundo em que uma minoria vive alienada e irresponsavelmente, mergulhados num consumo conspícuo irrefletido, enquanto maiorias silenciosas têm de contentar-se em viver com os restos do banquete dos aquinhoados, sofrendo toda sorte de privações, sem acesso a coisas básicas como água potável, saneamento básico, segurança alimentar, um lar, um emprego, salário com que possam sustentar suas famílias, razoável saúde, educação e segurança públicas.
Urge um homem novo, cidadão do mundo, não no plano do turismo ou dos negócios (muitos só enxergam até aí com suas vistas míopes e mentalidade infantil, crendo que o definidor da vida é o dinheiro, o sucesso, a vaidade), mas guerreiro na luta pela soberania e dignidade das populações mundiais, por um relacionamento mais racional e não meramente utilitarista com a natureza (a poluição advinda das atividades produtivas deveria ser contabilizada negativamente no cálculo do PIB), contra o poder político, econômico e militar concentrados e as autoridades sem legitimidade, contra os imbecis racistas, nazistas e adeptos dos obscurantismos de toda ordem, inclusive religiosos, enfim, na luta brava para termos nas mãos o leme do barco da História.
(...)

(VI)
UTOPIA?
Permitamos nos imaginar na órbita terrestre por alguns instantes. Olhando de lá, em direção ao nosso planeta, não veríamos a miríade de divisões geopolíticas, socioeconômicas, culturais, “raciais” (em termos biológicos, não existem raças), muito menos as bandeiras ou símbolos que, no imaginário coletivo, representam povos, ideologias, nações. De lá, veríamos apenas as diferenças naturais do globo terrestre, ficando evidente que este pequeno planeta azul, agraciado com a vida, a todos nós pertence. Cada um de nós é seu responsável e cada um de nós pertence a um mesmo todo, e o todo nos pertence, embora muitos acreditem ingenuamente que tal indivíduo, ou grupos de indivíduos, ou que tal empresa, ou grupos de empresas, sejam donas de partes do planeta, de seus recursos e riquezas naturais. O que estamos afirmando é que há uma prevalência do humano e de sua dignidade acima dos interesses do Capital, das empresas privadas, da propriedade privada, e também de demarcações ilusórias criadas pela geopolítica, pela religião e pelos costumes.

(continuam estes e outros temas)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

E L E G I A

Hálitos gélidos.
Bocas murchas lilás.
Olhos lívidos de ressaca.
Canto triste.

A névoa densa e a chuva rala
Espreitam-lhes a dor,
Que paira e paira.

O céu plúmbeo parece reverenciá-los
Em um choque harmônico com o pesar instituído.

Uma ave entoa um grasno lúgubre.
Faz-se nesse instante um silêncio monástico.
Uma leve melancolia lampeja alma adentro
E aviva reminiscências várias:

Quantos risos rasgados de felicidade,
Regozijos de amores vividos,
E sonhos pintados em quadros que se fizeram pintar ou não.

Agora é o nada.

Musgos pululam no sepulcro sombrio
E enfeitam apropriadamente o leito eterno.
É a paragem da estrada a derradeira chegada.
Lápide hermética, torpor e continuidade.


Jorenilson Madeiros Medeiros

DITOS ESPIRITUOSOS (OU QUASE...) parte 4

• O sentido da vida?? É este que acabei de dar...
• O tolo preocupa-se em ganhar mais e mais dinheiro; o sábio sequer importa-se em gastar o que tem
• O tolo está sempre discorrendo sobre si próprio. Quem o ignora é sábio
• Tire o foco de si mesmo para apreender a beleza das coisas
• A verdade nua e crua?? Estamos sós e somos corruptos
• Arte é angústia elaborada
• A mulher aceita o homem em sua vida; o homem sem a mulher rejeita a vida
• Tecnologia sem consciência é alienação
• Ironia: a morte, alimento da vida, essência da Evolução
• É relaxante estar sob ordens: de Deus, do presidente, do pai, do patrão; figuras paternas, isenta-nos da responsabilidade de pensar!!

Tádzio Nanan

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A IGNOMÍNIA DA VIDA Por Adriano Oliveira Costa

Nos tempos atuais, em que a banalidade e o supérfluo sobrepõem-se a muitas das virtudes humanas, são tempos em que os bens materiais dizem quem você é e que a marca do seu carro vale mais que seu caráter, uma pergunta me aflige: o que é viver nos tempos atuais? O que molda o estilo de vida atual? É muita pretensão querer uma resposta definitiva, mas podemos esboçar alguns estratagemas.

O que leva as pessoas a buscar uma melhoria de vida, em termos materiais? Sei que temos que galgar objetivos na nossa vida, mas os meios será que são justificáveis? Sacrificar metade da sua vida, sem ver seus filhos crescendo, tudo em nome da independência financeira, é mesmo correto? Algumas pessoas dizem que vale a pena este sacrifício, mas jogo uma seguinte indagação: não seríamos apenas marionetes de interesses maiores, que querem CEO’s competentíssimos, mas se lixam da saúde e vida pessoal dos mesmos, vale mesmo a pena? Somente vale a pena se você souber contrabalançar os aspectos pessoais e profissionais, senão você não terá a alegria completa, mas um senhor patrimônio, mas como usufruí-lo, já que se desgastará tanto que não terá condições de saúde.

A sociedade também dispõe de muletas que nos fazem sobreviver, seja a religião, o sexo, as drogas, ilícitas e lícitas, a família, por que não a família? A sociedade quer que você tenha uma vida regrada, cotidianamente modorrenta, casa própria, filhos, encontros de casais, sair para jantar com casais amigos. Tudo isto o leva a se bestializar cada vez mais, é mais um mecanismo que regula sua vida.

A conclusão que chego é a seguinte: viva sua vida da maneira que seja mais correta para você. Quer entrar na ignomínia do capitalismo, entre! Quer ser um porra-louca sem destino, seja! Quer levar sua vidinha correta, com bom emprego, um casamento pequeno burguês, o carro do ano, leve! Só não se deixe guiar por convenções pré-estabelecidas que moldaram o way of life no pós-guerra e influenciaram a sociedade de consumo que solapou as verdadeiras virtudes do ser humano. Tenho, logo existo!


Vida
(Chico Buarque de Hollanda)

Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Deixei a fatia
Mais doce da vida
Na mesa dos homens
De vida vazia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz

Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Verti minha vida
Nos cantos, na pia
Na casa dos homens
De vida vadia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz

Luz, quero luz,
Sei que além das cortinas
São palcos azuis
E infinitas cortinas
Com palcos atrás
Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa, pulsa mais
Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca, vida
Estufa, vela
Me leva, leva longe
Longe, leva mais

Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Toquei na ferida
Nos nervos, nos fios
Nos olhos dos homens
De olhos sombrios
Mas, vida, ali
Eu sei que fui feliz

domingo, 16 de agosto de 2009

DITOS ESPIRITUOSOS (OU QUASE...) parte 3

Mais consciência implica em mais responsabilidade
Sonhar demais é perder o dia; sonhar de menos é covardia
É só querendo que a gente começa a poder
O sábio não exige nada dos outros e tudo de si; o tolo não exige nada de si e tudo dos outros
A dúvida ensina à inteligência o aprimoramento; os obstáculos ensinam ao caráter a resistência
Paradoxo: na sociedade da abundância, falta o essencial...
O Deus Mercado adora sacrifícios humanos...
No reino do Capital, a Vaidade é rainha e o Orgulho é rei
O tolo é um gato que se crê tigre; o sábio é um tigre que se faz de gato
Vemos nossas carências, não nossas necessidades, refletidas nas vitrines das lojas

Tádzio Nanan