domingo, 1 de novembro de 2009

PRESO

Preso

Ao Big-Bang

A este universo

Às leis da física, química, biologia

Aos acontecimentos fortuitos que deram origem à vida

À evolução da vida e suas leis intrínsecas

Às particularidades da minha espécie, da minha vida e seus determinantes orgânicos, mentais, psíquicos

A um Deus que me invento e seus mandamentos

A um Deus que se inventam e seus mandamentos

A este tempo, a este pedaço de século, sua técnica, tecnologia, moral, ciência, filosofia

A este sistema sócio-econômico e suas contradições frementes

A esta pátria e língua

A este corpo e mente

Aos genes dos meus avoengos e suas mutações aleatórias

À cultura,

À personalidade

Aos Fatos Sociais

Às variáveis estocásticas que me fizeram quem não sou

Aos meus sonhos e medos, desejos e delírios, fracassos e gloríolas

A estas pessoas, às prisões destas pessoas, à loucura destas pessoas

A esta vertigem e a esta dúvida metodicamente martelada: existimos, de fato?

Não obstante, LIVRE! LIVRE para renunciar a tudo.

E até nisso, preso: preso ao livre-arbítrio, dádiva (e castigo) de Deus aos homens


Livre para renunciar a tudo!




Tádzio Nanan

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