Críticos do sistema capitalista desenvolveram teses como a do Decrescimento, do Pós-Desenvolvimento e da Anti-Globalização para contestar alguns axiomas da economia liberal. Tais teses fariam mais sentido se fizéssemos uma transição para uma economia planificada, onde pudéssemos redistribuir toda a riqueza material e o capital de forma a melhorar os níveis de renda e o bem-estar de todos os indivíduos da sociedade e garantir o pleno emprego. Partindo de um ponto de absoluta equidade como este, poderíamos planejar um crescimento econômico mais módico, e, ao mesmo tempo, mais “científico”, no sentido de que seus resultados se distribuiriam igualmente para todos os grupos sociais. Agora, propor a contenção do crescimento econômico, dentro dos marcos do sistema capitalista, é fatalmente agravar a iniqüidade sócio-econômica, o desemprego e engendrar a guerra civil nas sociedades mundo afora.
Propor simplesmente a contenção do processo de crescimento econômico para resolver o problema ecológico é abandonar os pobres e deserdados do mundo à própria sorte. Se já não se pode assegurar, mesmo havendo crescimento econômico, que se conseguirá melhorar a situação sócio-econômica das classes menos privilegiadas, imagine abdicar dos objetivos fundamentais de qualquer economia, o crescimento e o desenvolvimento econômico. Contudo, o preço desse crescimento e desenvolvimento econômico não pode ser a catástrofe ecológica, até porque, se isso acontecer, as perdas financeiras e econômicas futuras também jogariam os pobres do mundo no caos e no desespero. E é justamente a parcela mais frágil das populações mundiais que tentamos defender aqui.
Como propor a contenção do crescimento econômico quando é urgente aumentar a renda per capita dos países pobres e de enormes parcelas marginalizadas da população dos países em desenvolvimento? Como propô-lo quando urge aumentar a oferta de bens e serviços aos miseráveis e pobres do mundo, aumentando seus níveis de bem-estar? Como propor um movimento anti-globalização quando uma das saídas possíveis para minorar a miséria no mundo(dentro dos marcos do capitalismo)é aumentar os fluxos comerciais e de capitais dos países ricos indo em direção aos países pobres, para ajudar a financiar seu desenvolvimento, lutando com afinco para acabar com os bilionários subsídios à ineficiente agricultura dos países ricos e, por exemplo, aumentar a regulação sobre os capitais internacionais, visando a um sistema monetário internacional mais equilibrado, o que poderia ser conseguido se adotássemos a taxa de Tobin.
Ou superamos o Capital, indo em direção a uma economia planificada, ou, permanecendo dentro da lógica do sistema, é preciso usar os mecanismos que ele oferece para melhorar a vida das populações mundiais. Claro que, ao permanecermos sob a influência do Capital, provocamos, pelo menos no curto prazo, um acirramento da crise ecológica, já que as negociações internacionais sobre os limites para a emissão de gases do efeito-estufa se desenvolvem muito lentamente. Se formos mesquinhos e incompetentes a tal ponto, nossas inépcia e letargia se traduzirão em pesadíssimos prejuízos sócio-econômicos para as gerações futuras. De fato, é dentro desse contexto que se propõe a idéia de restringir o crescimento econômico, já que menor crescimento significa menor emissão de carbono. Mas repito: isto afetaria fundamentalmente aos mais pobres. A escolha ideal seria restringir o consumo supérfluo e ostentatório das parcelas mais ricas do mundo (os governos poderiam tributar os comportamentos indesejáveis e criar benefícios fiscais para estimular comportamentos necessários e sadios) e concomitantemente estimular o consumo dos mais pobres, que precisam urgentemente de alimentos, remédios, vestimentas, moradia, acesso à saúde, educação etc. Mas isso é praticamente uma utopia política, afinal, é a plutocracia mundial que manda nos destinos do mundo e das gentes, e também acarretaria prejuízos econômicos, o que não seria tolerado pela burguesia transnacional.
A luta dos homens e mulheres de boa vontade deve ser a de se gerar um crescimento e um desenvolvimento sócio-econômico que acarrete o mínimo possível de impacto ambiental, avançando, por exemplo, para o desenvolvimento e uso de fontes de energia limpa e ecologicamente sustentáveis e hábitos de produção e consumo mais racionais e sustentáveis no longo prazo. A Terra é um sistema fechado, com recursos naturais finitos, mas é possível usá-los de forma sustentável, dando ao meio-ambiente tempo de auto-regeneração (como fazemos com o solo), de forma que possamos continuar usufruindo dos benefícios que ele nos proporciona. É uma questão de avanço da ciência pura, da ciência aplicada, da pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e processos produtivos, mais limpos e mais baratos. É também uma questão de decisão política, Política com P maiúsculo, o que envolve necessariamente a participação das sociedades de todas as nações da Terra e o debate plural, aberto e democrático, nas instâncias regionais, nacionais e globais.
Mas, enfim, por que defendemos a continuação do processo de crescimento econômico? Então, vamos explicá-lo e mostrar porque ele ainda é fundamental nos dia de hoje, sobretudo para as massas deserdadas, que dependem em larga medida da atuação do Estado e de uma ocupação que lhes assegure uma renda monetária mensal. Falar em crescimento econômico significa aferir o quanto aumentou marginalmente, num dado período de tempo, geralmente um ano, a oferta de bens e serviços produzidos por uma sociedade e seu sistema econômico subjacente. É importante porque aumentaria o bem-estar, a qualidade de vida da população, o acesso a bens e serviços essenciais a uma vida produtiva e saudável. Se imaginarmos hipoteticamente uma sociedade perfeita, onde todos têm igualmente acesso aos mesmos bens e serviços, na quantidade ótima e com qualidade ótima, uma verdadeira sociedade da abundância, perde importância este fato econômico (o crescimento econômico, o crescimento do PIB). Claro que se a riqueza material puder continuar aumentando, sem contradições e conseqüências danosas, as pessoas, provavelmente, vão preferir sempre mais, como prevê um dos axiomas da microeconomia (preferimos sempre a cesta com maior número de bens). Mas certamente se atingirá um ponto, em meio à abundância, de a riqueza material ir perdendo importância, o que se coaduna com outra lei econômica, a da utilidade marginal decrescente. Se para um casal recém-casado, um automóvel é bom, e dois automóveis pode ser o ótimo, se ambos tiverem que ir trabalhar em locais separados, quaisquer números de automóveis superiores a esse é pura ostentação supérflua, e estamos todos, a sociedade e este casal numa situação não-ideal, de desperdício, de ineficiência econômica, sobretudo em face de existirem famílias sem automóvel algum. É bom lembrar que se a oferta de transporte público for ótima, e houver segurança pública, então talvez sequer precisemos de transporte individual. Quem sabe essa utopia possa acontecer no futuro.
Voltando ao crescimento econômico. Para averiguar a qualidade desse crescimento, temos que observar diversos fatores:
- se o crescimento econômico é pró-pobre, ou seja, se as parcelas mais pobres da sociedade têm ganhos econômicos proporcionalmente maiores do que o das parcelas mais ricas, diminuindo a desigualdade sócio-econômica;
- se os rendimentos do trabalho crescem proporcionalmente mais que os rendimentos do capital na distribuição funcional da renda;
- se gera inflação;
- se gera déficit em transações correntes;
- se é sustentável ecologicamente;
- se gera endividamento interno e externo excessivo;
-se é sustentável inter-geracionalmente (p.ex., crescimento econômico que gere inflação alta ou grande endividamento significa que num futuro próximo o governo terá de elevar a taxa de juro, abortando o processo de crescimento);
- se diminui os desequilíbrios regionais, que no caso do Brasil é flagrante.
Gerar crescimento econômico é essencial para fins de geração de emprego, bem maior do cidadão e da cidadã, no capitalismo (lembremos que numa economia planificada, a economia opera em pleno-emprego; já no capitalismo, devido às contradições inerentes ao modus operandi do sistema econômico, seus ciclos, suas “bolhas” especulativas, suas crises periódicas, o governo deve estar sempre perseguindo a diminuição da taxa de desemprego, ainda mais com a tendência secular de crescimento do desemprego tecnológico). Gerar crescimento do produto significa gerar os empregos necessários para absorver a mão-de-obra entrante no mercado de trabalho anualmente; gerar crescimento também diminui o estoque de desempregados numa economia e substitui os empregos informais por empregos formais, destruindo empregos de péssima qualidade e criando outros de melhor qualidade e melhor remunerados.
Crescimento do produto também significa maior arrecadação tributária. E a atuação do Estado, em todos os seus níveis e propósitos, só é possível com os recursos advindos dela. Países com imensa dívida social, como o Brasil (situação em que se encontra também a imensa maioria dos países do mundo) não podem abrir mão de perseguir o crescimento econômico e o desenvolvimento eco-socialmente sustentado.
Tádzio Nanan
Economista
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
ANTI-HERÓI
O anti-herói, inebriado de lânguida preguiça
Nauseado com a futilidade da lide ignominiosa
Permite-se não sucumbir à sina tão odiosa
E se espalha no leito e grunhe e se espreguiça...
Acorda, sem pôr-se de pé: é o peso da cotidiana azáfama
Mas que ninguém lhe vá discursar sobre o labor urgente
Que sonha ser filosofia e arte o nobre destino da gente
“Dinheiro pra quê ou poder?”, prefere as coisas diáfanas...
Mal-reputado e falido, o anti-herói parece em paz!?!
Que de muito errado haveria com ele? Néscio? Louco?
Por que o tudo pra tantos pra ele é mísero e pouco??
Não está no script desdenhar assim de paradigmas assaz
Consagrados! Mas vejam: mãos dadas com o Zé Ninguém,
Meu Deus, parece-me ver a Verdade indo com ele também!
Tádzio Nanan
Nauseado com a futilidade da lide ignominiosa
Permite-se não sucumbir à sina tão odiosa
E se espalha no leito e grunhe e se espreguiça...
Acorda, sem pôr-se de pé: é o peso da cotidiana azáfama
Mas que ninguém lhe vá discursar sobre o labor urgente
Que sonha ser filosofia e arte o nobre destino da gente
“Dinheiro pra quê ou poder?”, prefere as coisas diáfanas...
Mal-reputado e falido, o anti-herói parece em paz!?!
Que de muito errado haveria com ele? Néscio? Louco?
Por que o tudo pra tantos pra ele é mísero e pouco??
Não está no script desdenhar assim de paradigmas assaz
Consagrados! Mas vejam: mãos dadas com o Zé Ninguém,
Meu Deus, parece-me ver a Verdade indo com ele também!
Tádzio Nanan
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
FRAGMENTOS POÉTICOS
Para qual esfera resvalou o instante,
Miragem fantasmagórica da consciência?
Vindo do nada que houvera antes
Urdindo o vazio da impermanência!
A fragilíssima contextura do agora,
Sombra informe, delirante, acuada
Quando irrompe, morre; implora,
Mas não poderá ser prolongada!
O momento é néctar e veneno
A vida, sensações em convulsão
Então, torna teu drama ameno
As coisas não foram, nem serão!
Tádzio Nanan
Miragem fantasmagórica da consciência?
Vindo do nada que houvera antes
Urdindo o vazio da impermanência!
A fragilíssima contextura do agora,
Sombra informe, delirante, acuada
Quando irrompe, morre; implora,
Mas não poderá ser prolongada!
O momento é néctar e veneno
A vida, sensações em convulsão
Então, torna teu drama ameno
As coisas não foram, nem serão!
Tádzio Nanan
FRAGMENTOS POÉTICOS
A cólera do homem cairá
Cedo ou tarde sobre o homem
O sonho humano intervirá
Cedo ou tarde na história
Sonho e cólera, confundidos
No fim, homens para si
O homem matará o homem
O homem salvará o homem
Encetará outra história
Sem a mácula da lágrima dos inocentes
Proscreverá as lutas fratricidas
O novo homem a aflorar
O homem e seu sonho
Reviverão
A ira humana espreita
Entre o caos e a perfídia
Tremei homens-moeda
Rostos sem face
Urubus na nossa arte
Temei
Da história esta a nossa parte
Tádzio Nanan
Cedo ou tarde sobre o homem
O sonho humano intervirá
Cedo ou tarde na história
Sonho e cólera, confundidos
No fim, homens para si
O homem matará o homem
O homem salvará o homem
Encetará outra história
Sem a mácula da lágrima dos inocentes
Proscreverá as lutas fratricidas
O novo homem a aflorar
O homem e seu sonho
Reviverão
A ira humana espreita
Entre o caos e a perfídia
Tremei homens-moeda
Rostos sem face
Urubus na nossa arte
Temei
Da história esta a nossa parte
Tádzio Nanan
FRAGMENTOS POÉTICOS
Quem ama esquece a vida
Refém da cruel desdita
A hora, o mundo, a lida
Esquece-as. Todas malditas...
Quem ama só lembra a ida
Ao Hades, resgatar Eurídice
Enquanto no mundo a ferida
Gangrena, que alguém lhe disse...
O amante só vê o vazio da cama
Entregue a seu sonho particular
Fazendo o mundo esperar
Até conquistar quem ama...
O amante enxerga o mundo em calma,
Sem contradições; nas teias da própria trama
Se enlaça; só ouve os lamentos d´alma
Atordoado com seu miserável drama...
Tádzio Nanan
Refém da cruel desdita
A hora, o mundo, a lida
Esquece-as. Todas malditas...
Quem ama só lembra a ida
Ao Hades, resgatar Eurídice
Enquanto no mundo a ferida
Gangrena, que alguém lhe disse...
O amante só vê o vazio da cama
Entregue a seu sonho particular
Fazendo o mundo esperar
Até conquistar quem ama...
O amante enxerga o mundo em calma,
Sem contradições; nas teias da própria trama
Se enlaça; só ouve os lamentos d´alma
Atordoado com seu miserável drama...
Tádzio Nanan
O PASSAGEIRO DAS HORAS

Picasso
O Homem é consciência de si próprio.
Auto-caritativo, faz nascer do vazio que lhe cerca os fantasmas sagrados de um Deus humanado e de um Homem deificado. Tolamente, ignora, ou talvez apenas finja ignorar, que o vazio que lhe cerca e que lhe oprime é o deus a venerar, a beleza da sua humanidade, o sentido da sua hora, a poesia pungente da sua vida.
O Homem é o único mistério (teoriza outros para esquecer sua confusão e solitude).
Caminha, tropeça, levanta-se. Resiste.
Bêbado no eterno embate entre a aceitação dos fatos e sua negação.
Pergunta-se sem obter respostas e segue carregado pela grande miragem das horas.
No cimo da jornada, pranteia, saudoso do tempo ido, e mergulha outra vez no leito eterno, que é o nada.
Nasce só, vive só, morre só.
Escravo da sua inteligência,
Num golpe de auto-engano,
Elabora respostas para seu enigma
Enquanto intoxica-se com todas as ilusões que inventa:
Amor, dinheiro, poder, religião, conhecimento...
Mas é simplesmente pó!
Olha-se no espelho e, comovido,
Relembra a paz do útero materno,
E o amor incondicional da tenra infância...
Sonhos passados, levados pelas vagas do tempo...
A íntima dor humana é a morte:
Pesadelo e angústia dos vivos
Abismo que nos espreita, sorrateiro
Dor que confrange o peito
Hino que cantamos de cor
Fado inexorável
O medo da morte é uma paixão humana
A condição do Homem é um duplo:
Sopro de luz e treva
Padecimentos e delícias
Fugas e enfrentamentos
Acaso é a lei da vida
Acidente no percurso da matéria pelos espaços inauditos
Fragmento infinitesimal do tempo, do espaço, do universo
Devaneio baldadamente sonhado pela conflagrada Mente Divina...
Tádzio Nanan
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
MÁXIMAS E PENSAMENTOS
A loucura dos pais transborda para os filhos
Arte de qualidade para medianos? Pérolas aos porcos ou esforço urgente?
Pode-se saciar a carne; o espírito, nunca
Só Deus acalma a alma
Diz o macharal: eu te amo eternamente (até conseguir o coito); diz o mulheril: que seja infinito enquanto duro
O paradoxo do macho tupiniquim: querem transar com todas as mulheres, mas quando elas se esbaldam na luxúria ficam ressentidos
O oposto de sexo? Economia
(apesar de dinheiro ter tudo a ver com sexo, não é mulherada?)
Na sociedade da luxúria, o pecado é não desejar a mulher do próximo
Agradeça o que você tem, mesmo que ache pouco; é geralmente mais do que precisa e pode ser muito mais do que mereça
Prazeres sensórios tanto extasiam quanto enfraquecem
O presente é feito com músculos; o futuro, com imaginação
O calcanhar-de-aquiles do ser humano é a vaidade
Claro, Einstein, que Deus não joga dados com o universo! Quem joga os dados é o Diabo...
Luz demais cega? Virtude demais enjoa?
O elixir da longa vida é saber ir curando as feridas
“tempo é dinheiro” ou dinheiro é tempo perdido?
Dores acumuladas são escadas para Deus
Sonhar é um ótimo remédio contra o tédio
Tádzio Nanan
Arte de qualidade para medianos? Pérolas aos porcos ou esforço urgente?
Pode-se saciar a carne; o espírito, nunca
Só Deus acalma a alma
Diz o macharal: eu te amo eternamente (até conseguir o coito); diz o mulheril: que seja infinito enquanto duro
O paradoxo do macho tupiniquim: querem transar com todas as mulheres, mas quando elas se esbaldam na luxúria ficam ressentidos
O oposto de sexo? Economia
(apesar de dinheiro ter tudo a ver com sexo, não é mulherada?)
Na sociedade da luxúria, o pecado é não desejar a mulher do próximo
Agradeça o que você tem, mesmo que ache pouco; é geralmente mais do que precisa e pode ser muito mais do que mereça
Prazeres sensórios tanto extasiam quanto enfraquecem
O presente é feito com músculos; o futuro, com imaginação
O calcanhar-de-aquiles do ser humano é a vaidade
Claro, Einstein, que Deus não joga dados com o universo! Quem joga os dados é o Diabo...
Luz demais cega? Virtude demais enjoa?
O elixir da longa vida é saber ir curando as feridas
“tempo é dinheiro” ou dinheiro é tempo perdido?
Dores acumuladas são escadas para Deus
Sonhar é um ótimo remédio contra o tédio
Tádzio Nanan
M U S A - II
Na tua carnadura
Meu desejo estaciona
Embriagado
Seja claro dia
Seja noite escura
Jamais recordando
O passado
Navego-te caravela
Nas tuas profundezas abissais da alma
Faço água, transbordo a qualquer bordo de ti
E nunca mais tenho calma
Tens-me na palma da mão
Periclitante falta de precaução
Valha-me meu coração
Mas contigo também gozo o cio das madrugadas
As exaustões mais cansadas
Até o raiar das manhãs
Mas contigo também olvido o estertor
Dos moribundos
O retinir das espadas
E as F l o r e s M a l s ã s
Tádzio Nanan
Meu desejo estaciona
Embriagado
Seja claro dia
Seja noite escura
Jamais recordando
O passado
Navego-te caravela
Nas tuas profundezas abissais da alma
Faço água, transbordo a qualquer bordo de ti
E nunca mais tenho calma
Tens-me na palma da mão
Periclitante falta de precaução
Valha-me meu coração
Mas contigo também gozo o cio das madrugadas
As exaustões mais cansadas
Até o raiar das manhãs
Mas contigo também olvido o estertor
Dos moribundos
O retinir das espadas
E as F l o r e s M a l s ã s
Tádzio Nanan
M U S A
Chamar-te no calor da noite
Que a ausência é um açoite
Desvelar com afã juvenil
Teu corpo primaveril
Amar-te nas chamas da cama
O sol de quem ama
Devorar-te a carne na fome
Esse desejo do homem
Beber-te toda na sede
Teu suor, tua seiva, teu leite
Aquecer-me entre teus pólos
Alvorecer em teu colo
Tádzio Nanan
Que a ausência é um açoite
Desvelar com afã juvenil
Teu corpo primaveril
Amar-te nas chamas da cama
O sol de quem ama
Devorar-te a carne na fome
Esse desejo do homem
Beber-te toda na sede
Teu suor, tua seiva, teu leite
Aquecer-me entre teus pólos
Alvorecer em teu colo
Tádzio Nanan
PARA ARTHUR RIMBAUD
O desregrar-se: tua mira,
Alvo só por ti subjugado.
Foste um recriar-se dia-a-dia,
Recriando-se te fizeste mito raro.
Dos covardes acentuaste a hipocrisia,
D´outros, a candente invídia temperaste.
Qual ventre ornou-te de ousadias,
Mas descuidou-se dos excessos aparar-te?
Anjo & Demônio, belo torto,
Bateau ivre em amores puros e violentos.
Visionário do sol, em longes mares absorto,
Precursor de ignotas estradas e alentos.
De poder impossíveis, tu brincaste,
E os fez, avidamente, timoneiro-mor.
Sobre os alvos pés a Poesia dobraste,
Que em tua alma ébria foi maior.
Inda precoce imberbe (fugaz fulgir),
Cansaste do vigor dos versos singulares,
Abandonando órfã a Poesia, a desflorir.
Arte, pátria, amor, não eram mais teus lares.
Urgia da ágil sina provar os mil sabores,
E então andarilho, traficante, hippie pioneiro.
Perdeu-te o mundo, perdeu-se alhures,
Dormindo para repousar no Olimpo, altaneiro.
Tádzio Nanan
Alvo só por ti subjugado.
Foste um recriar-se dia-a-dia,
Recriando-se te fizeste mito raro.
Dos covardes acentuaste a hipocrisia,
D´outros, a candente invídia temperaste.
Qual ventre ornou-te de ousadias,
Mas descuidou-se dos excessos aparar-te?
Anjo & Demônio, belo torto,
Bateau ivre em amores puros e violentos.
Visionário do sol, em longes mares absorto,
Precursor de ignotas estradas e alentos.
De poder impossíveis, tu brincaste,
E os fez, avidamente, timoneiro-mor.
Sobre os alvos pés a Poesia dobraste,
Que em tua alma ébria foi maior.
Inda precoce imberbe (fugaz fulgir),
Cansaste do vigor dos versos singulares,
Abandonando órfã a Poesia, a desflorir.
Arte, pátria, amor, não eram mais teus lares.
Urgia da ágil sina provar os mil sabores,
E então andarilho, traficante, hippie pioneiro.
Perdeu-te o mundo, perdeu-se alhures,
Dormindo para repousar no Olimpo, altaneiro.
Tádzio Nanan
domingo, 15 de novembro de 2009
TITÃ
Céu e Terra certa vez, e com ardor, se amaram.
O fruto, virtude celeste, força telúrica, é Titã
Empenhadíssimo em conceber o amanhã
Com verdades que milhões não decifraram...
Nas fibras do seu coração vicejou inabalável afã:
Derramar luz em sendas que se conspurcaram
Sanar as mentes que as trevas deturparam
Para a existência brilhar lúcida, cabal, sã...
E os pusilânimes, os ignaros dele duvidaram!
Não sabiam que proviera de atemporal clã
Cujos antepassados são deuses que sempre conquistaram?!
A boca seca da invídia lhe disse: tua intenção é vã!
Como? Se nela inteligência, força e ousadia se mesclaram
Produzindo êxitos que a Céu e Terra já tanto orgulharam!
Tádzio Nanan
O fruto, virtude celeste, força telúrica, é Titã
Empenhadíssimo em conceber o amanhã
Com verdades que milhões não decifraram...
Nas fibras do seu coração vicejou inabalável afã:
Derramar luz em sendas que se conspurcaram
Sanar as mentes que as trevas deturparam
Para a existência brilhar lúcida, cabal, sã...
E os pusilânimes, os ignaros dele duvidaram!
Não sabiam que proviera de atemporal clã
Cujos antepassados são deuses que sempre conquistaram?!
A boca seca da invídia lhe disse: tua intenção é vã!
Como? Se nela inteligência, força e ousadia se mesclaram
Produzindo êxitos que a Céu e Terra já tanto orgulharam!
Tádzio Nanan
sábado, 14 de novembro de 2009
LIVRE NASCESTE, MAS QUANTOS TE ALMEJAM ACORRENTADO...
Livre nasceste, mas quantos te almejam acorrentado!
Estupefato com o drama humano, abúlico, inerte
Esquecido de que o sangue esquenta nas veias e ferve
E a reação é legítima contra os que te têm açoitado
Resoluto nasceste, mas quantos te querem claudicante!
Porque previsíveis teus movimentos não surpreendam
E os pensamentos tímidos, pueris não transcendam
A lógica inimiga; um débil, venal, mendicante
Projeta o status quo curar-se das células cancerosas
Para que tudo opere num certo intervalo de confiança
Onde se evite súbitas sublevações morais perigosas
Tua nova visão, supremo ideal, revolucionária ânsia
É o câncer temido (embora estejas só, por enquanto...)
Mas é fatal mudares teu choro em magnífico canto!
Tádzio Nanan
Estupefato com o drama humano, abúlico, inerte
Esquecido de que o sangue esquenta nas veias e ferve
E a reação é legítima contra os que te têm açoitado
Resoluto nasceste, mas quantos te querem claudicante!
Porque previsíveis teus movimentos não surpreendam
E os pensamentos tímidos, pueris não transcendam
A lógica inimiga; um débil, venal, mendicante
Projeta o status quo curar-se das células cancerosas
Para que tudo opere num certo intervalo de confiança
Onde se evite súbitas sublevações morais perigosas
Tua nova visão, supremo ideal, revolucionária ânsia
É o câncer temido (embora estejas só, por enquanto...)
Mas é fatal mudares teu choro em magnífico canto!
Tádzio Nanan
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
MÁXIMAS E PENSAMENTOS
Um terror a mais se os espelhos refletissem a alma!
Quantas pessoas fariam o seu trabalho muito melhor do que você, se quisessem ou tivessem a oportunidade? Então, meu querido, seja humilde
Todos querem se destacar, mas se todos se destacarem, ninguém se destacará (por isso alguns odeiam a idéia da igualdade; os ricos, sobretudo)
A beleza é Deus tentando convencer a humanidade de que existe
A oração nos aproxima de Deus; a revolução, do Homem Novo
Uns têm medo de morrer; outros, de viver
Há droga mais letal que a testosterona?
A esquizofrenia familiar: joga a pedra e faz o curativo
Tentando achar-se, encontrou Deus
Tádzio Nanan
Quantas pessoas fariam o seu trabalho muito melhor do que você, se quisessem ou tivessem a oportunidade? Então, meu querido, seja humilde
Todos querem se destacar, mas se todos se destacarem, ninguém se destacará (por isso alguns odeiam a idéia da igualdade; os ricos, sobretudo)
A beleza é Deus tentando convencer a humanidade de que existe
A oração nos aproxima de Deus; a revolução, do Homem Novo
Uns têm medo de morrer; outros, de viver
Há droga mais letal que a testosterona?
A esquizofrenia familiar: joga a pedra e faz o curativo
Tentando achar-se, encontrou Deus
Tádzio Nanan
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
MÁXIMAS E PENSAMENTOS
O que é loucura: seguir os sonhos contra a correnteza ou seguir a correnteza contra os sonhos?
O exemplo finca raízes enquanto a palavra é levada pelas ventanias
Alimente Deus em teu coração e teus vizinhos também se converterão
De quem se espera pouco, tudo que vier é muito; de quem se espera muito, tudo que vier é pouco
A vida é tamanha, a liberdade é tamanha que chegam a oprimir
Ria de si mesmo, ria bastante, e mantenha a morte um pouco mais distante
Do nefelibata ao especulador, todos os animais têm uma função na fauna humana
O gênio nasce quando acredita
Tádzio Nanan
O exemplo finca raízes enquanto a palavra é levada pelas ventanias
Alimente Deus em teu coração e teus vizinhos também se converterão
De quem se espera pouco, tudo que vier é muito; de quem se espera muito, tudo que vier é pouco
A vida é tamanha, a liberdade é tamanha que chegam a oprimir
Ria de si mesmo, ria bastante, e mantenha a morte um pouco mais distante
Do nefelibata ao especulador, todos os animais têm uma função na fauna humana
O gênio nasce quando acredita
Tádzio Nanan
SONETO DA ESPERANÇA PASSIVA
A esperança invade a veia do povo e o embriaga,
Como uma noite que obscurecesse seu entendimento.
Esperar?! O derradeiro, quiçá o fatal movimento
De uma hoste que o medo arrefece e esmaga.
A eloqüência do líder a alma do povo afaga.
Mas, que palavras realizaram que sonhos?
Palavras são artifícios pueris e enfadonhos
Com os quais fingimos mitigar nossa chaga!
É verdade que tua hora sussurra na brisa, Sul-Americano.
Teu olhar, férrea hematita, mira uma civilização tropical,
Onde a igualdade, áureo sol, irradie todos os dias do ano.
Mas como? Se a sujeição ao divino te faz prescindir do real;
Se crês ser teu líder alguém infalível, sobre-humano;
E abdicas do próprio ideal, que é cabal, sem engano...
Tádzio Nanan
Como uma noite que obscurecesse seu entendimento.
Esperar?! O derradeiro, quiçá o fatal movimento
De uma hoste que o medo arrefece e esmaga.
A eloqüência do líder a alma do povo afaga.
Mas, que palavras realizaram que sonhos?
Palavras são artifícios pueris e enfadonhos
Com os quais fingimos mitigar nossa chaga!
É verdade que tua hora sussurra na brisa, Sul-Americano.
Teu olhar, férrea hematita, mira uma civilização tropical,
Onde a igualdade, áureo sol, irradie todos os dias do ano.
Mas como? Se a sujeição ao divino te faz prescindir do real;
Se crês ser teu líder alguém infalível, sobre-humano;
E abdicas do próprio ideal, que é cabal, sem engano...
Tádzio Nanan
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
PEQUENO POEMA DE SEPARAÇÃO
Corpos que não se entregam
Olhares oblíquos ou indiferentes
Rostos lívidos de cansaço
Mãos distantes, severas; o toque é acidental
O ninho de amor está frio
Agora, só reminiscências, só saudades
A casa é um relicário de imagens:
Fantasias sepultadas, filhos proscritos
Aquelas viagens inesquecíveis nunca feitas...
No leito do amor de outrora
Silêncio tumular entrecortado
Por prantos ressentidos
E ásperos solilóquios
A vida parece arrastar-se
A hora parece arrastar-se
Antes, o tempo era regulamento conservador
Para os apetites da carne e o encontro das almas
É a dúvida, que tudo devasta como fosse procela
Que lacera como punhal
Tudo foi inutilmente?
A cama compartilhada, os sonhos compartilhados,
O riso compartilhado?
O espelho partido desfaz a vida em mil pedaços
Lá fora, o mundo é o mesmo remoinho de vidas
Entrechoque de gentes, ódio e carinho
Mas amanhã é outro dia
E tudo pode recomeçar...
Tádzio Nanan
Olhares oblíquos ou indiferentes
Rostos lívidos de cansaço
Mãos distantes, severas; o toque é acidental
O ninho de amor está frio
Agora, só reminiscências, só saudades
A casa é um relicário de imagens:
Fantasias sepultadas, filhos proscritos
Aquelas viagens inesquecíveis nunca feitas...
No leito do amor de outrora
Silêncio tumular entrecortado
Por prantos ressentidos
E ásperos solilóquios
A vida parece arrastar-se
A hora parece arrastar-se
Antes, o tempo era regulamento conservador
Para os apetites da carne e o encontro das almas
É a dúvida, que tudo devasta como fosse procela
Que lacera como punhal
Tudo foi inutilmente?
A cama compartilhada, os sonhos compartilhados,
O riso compartilhado?
O espelho partido desfaz a vida em mil pedaços
Lá fora, o mundo é o mesmo remoinho de vidas
Entrechoque de gentes, ódio e carinho
Mas amanhã é outro dia
E tudo pode recomeçar...
Tádzio Nanan
PEQUENO POEMA DE INSURREIÇÃO
Desfaz-se neste meridiano a aurora
Remodela-se o homem ante uma diversa realidade
Já vejo vir batalhas ardentes e fatais
Que só travam aqueles que ouvem
A própria voz e ousam
Vitórias, derrotas... Batalhas
A obra a compor
Nenhuns outros passos: ao leste
A ausência cumprida
Sepulto-a às margens de remotos rios:
Serenas lembranças da inocência
Nesta hora, o aço! O golpe do braço!
Retomar a ponte desfeita
Abrir portas para o mundo
A lida única que me ensinaram os pais que tive
Capitulei, mas basta!
Ao cume do Olimpo
Roubar o fogo divino
Outra vez
Sonhando em fazer amanhãs
Com vocês
Tádzio Nanan
Remodela-se o homem ante uma diversa realidade
Já vejo vir batalhas ardentes e fatais
Que só travam aqueles que ouvem
A própria voz e ousam
Vitórias, derrotas... Batalhas
A obra a compor
Nenhuns outros passos: ao leste
A ausência cumprida
Sepulto-a às margens de remotos rios:
Serenas lembranças da inocência
Nesta hora, o aço! O golpe do braço!
Retomar a ponte desfeita
Abrir portas para o mundo
A lida única que me ensinaram os pais que tive
Capitulei, mas basta!
Ao cume do Olimpo
Roubar o fogo divino
Outra vez
Sonhando em fazer amanhãs
Com vocês
Tádzio Nanan
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
MÁXIMAS E PENSAMENTOS
O maior romance de todos os tempos? A comovente estória do Nazareno...
CONTRADIÇÕES DO MULATO INZONEIRO:
O brasileiro é um enigma para si próprio: a gente pensa ser mais moral que o vizinho, e o vizinho jura ser mais moral que a gente!
Para o brasileiro, a culpa é sempre do outro, nunca dele mesmo; ora, mas para o nosso vizinho, o outro não somos nós?
O brasileiro finge alegria só para travestir sua melancolia; finge a lascívia só para esconder a veia brega e romântica!
O brasileiro é um fingidor. E fingi tão bem que ele próprio acredita! E fingi tão bem que o mundo inteiro acredita!
O corpo do homem apodrece; mas o que sua mente produzir, permanece
Ao invés de sonhar com o que não podes conseguir. Realiza logo o que consegues
Tádzio Nanan
CONTRADIÇÕES DO MULATO INZONEIRO:
O brasileiro é um enigma para si próprio: a gente pensa ser mais moral que o vizinho, e o vizinho jura ser mais moral que a gente!
Para o brasileiro, a culpa é sempre do outro, nunca dele mesmo; ora, mas para o nosso vizinho, o outro não somos nós?
O brasileiro finge alegria só para travestir sua melancolia; finge a lascívia só para esconder a veia brega e romântica!
O brasileiro é um fingidor. E fingi tão bem que ele próprio acredita! E fingi tão bem que o mundo inteiro acredita!
O corpo do homem apodrece; mas o que sua mente produzir, permanece
Ao invés de sonhar com o que não podes conseguir. Realiza logo o que consegues
Tádzio Nanan
ADMIRÁVEL MUNDO NOVO
Deus e o diabo somos nós, irmãos humanos
Nossos desejos viscerais, contraditórios
De resultados luminares e proditórios
Imensuráveis amores e ódios levianos
Adiante, no entanto, o além-do-humano
Quando toda miséria é mero palpitar surdo
E a dúvida é extinta, que banido o absurdo
Da Civilização, já liberta de todo engano
Mas lá, quando traduzido o arcano derradeiro,
Que se imaginará? Todo pedaço será inteiro?
A onisciente e estéril satisfação tecnológica...
E impregnados da nova, pura e voraz lógica
Nossos herdeiros, deuses inúteis, embriagados
Na perfeição fastidiosa calarão, entediados...
Tádzio Nanan
Nossos desejos viscerais, contraditórios
De resultados luminares e proditórios
Imensuráveis amores e ódios levianos
Adiante, no entanto, o além-do-humano
Quando toda miséria é mero palpitar surdo
E a dúvida é extinta, que banido o absurdo
Da Civilização, já liberta de todo engano
Mas lá, quando traduzido o arcano derradeiro,
Que se imaginará? Todo pedaço será inteiro?
A onisciente e estéril satisfação tecnológica...
E impregnados da nova, pura e voraz lógica
Nossos herdeiros, deuses inúteis, embriagados
Na perfeição fastidiosa calarão, entediados...
Tádzio Nanan
domingo, 8 de novembro de 2009
FIM-DE-SEMANA PERDIDO
Adriano Oliveira Costa
Fim-de-semana vazio
Mente anulada
Tragam-me inutilidades
Escuto imbecilidades
Finjo-me intelectual
Vulgo boçal
Trabalhador imoral
Salário para compor delírios etílicos
Fim-de-semana pacífico
Filmes vis
Televisões ignóbeis
Leituras patéticas
Cerveja amiga
Mulheres maravilhosas
Dylan na vitrola
Trabalho para imbecilizar-se neste mundo de fel
Fim-de-semana vadio
Fígado por um fio
Vida estragada
Preciso de palhaçadas
Vi-me frio
Renego-te por causa de teu desprezo
Anulo-me por desespero
Bebida para preencher vazios existenciais
Fim-de-semana perdido
Elos familiares rompidos
Escondo-me dos amigos
Não quero louvor
Tampouco amor
Assusto-me de torpor
Copo de álcool salvador
Amores vazios para agüentar um coração dilacerado
*
Basta Um Dia
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque
Pra mim
Basta um dia
Não mais que um dia
Um meio dia
Me dá
Só um dia
E eu faço desatar
A minha fantasia
Só um
Belo dia
Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia
Só um
Santo dia
Pois se beija, se maltrata
Se como e se mata
Se arremata, se acata e se trata
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia, viu
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia
Fim-de-semana vazio
Mente anulada
Tragam-me inutilidades
Escuto imbecilidades
Finjo-me intelectual
Vulgo boçal
Trabalhador imoral
Salário para compor delírios etílicos
Fim-de-semana pacífico
Filmes vis
Televisões ignóbeis
Leituras patéticas
Cerveja amiga
Mulheres maravilhosas
Dylan na vitrola
Trabalho para imbecilizar-se neste mundo de fel
Fim-de-semana vadio
Fígado por um fio
Vida estragada
Preciso de palhaçadas
Vi-me frio
Renego-te por causa de teu desprezo
Anulo-me por desespero
Bebida para preencher vazios existenciais
Fim-de-semana perdido
Elos familiares rompidos
Escondo-me dos amigos
Não quero louvor
Tampouco amor
Assusto-me de torpor
Copo de álcool salvador
Amores vazios para agüentar um coração dilacerado
*
Basta Um Dia
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque
Pra mim
Basta um dia
Não mais que um dia
Um meio dia
Me dá
Só um dia
E eu faço desatar
A minha fantasia
Só um
Belo dia
Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia
Só um
Santo dia
Pois se beija, se maltrata
Se como e se mata
Se arremata, se acata e se trata
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia, viu
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia
CONFISSÕES parte 1
Me apaixonei perdidamente, sussurrou desfalecente. E seu marido, meu chefe, mal dera alguns passos em direção ao mictório. Tocou-me languidamente as coxas, deslizou as mãos pelas mesmas, depois as recolheu, insistiu outra vez, ficou confusa, fez cara de boba, cara de sexy, cara de choro, cara de adolescente apaixonada. Minha aflição só aumentava, enquanto assistia à insólita cena. Só queria sumir dali, o escândalo que não ia ser isso, e de quebra minha demissão, vexatória, pública, irrevogável; ela é o supra-sumo das formas femininas, mas nesse momento meu contracheque é muito mais importante; mas devo admitir: em outras tantas ocasiões, a mulher do próximo mereceu de mim a mais completa prioridade! Bom, não sei como, ela se conteve, vestiu a comuníssima máscara da satisfação e pôs-se calada. Ele estranhou o comportamento um pouco indiferente dela, fez piada com isso, culpou a menorréia, e continuou bebericando, discorrendo sobre amenidades, no que o acompanhei, louco para ir-me embora.
Mais tarde, voltando das compras, já entrando no meu apartamento, observei qualquer coisa na soleira da porta. Eram meia dúzia de cartões, com declarações de amor fartamente açucaradas, enjoativamente infantis, como todas as cartas de amor de todos os chatíssimos amantes dos mais variegados quadrantes do mundo; enfim, Juliana entregava-se de corpo e alma no ardente e pecaminoso leito da luxúria; a luxúria tem nome, o meu: JP, também conhecido entre os meus como o lobo da estepe; animal pouquíssimo dado a romantismos, insensível como os meus congêneres da Idade da Pedra Lascada, que sofre de horror à intimidade e absolutamente incapaz de se prender a uma alma que seja, nem que seja à Divina, agrilhoado à redentora idéia da infidelidade a todos as coisas, idéias e seres vivos. Meus detratores me chamam de porra-louca, desvairado, anarquista sem caráter, no que provavelmente estão certos. Mas não vamos dissecar minha personalidade nesse momento...
Você deve estar se perguntando como por mim se apaixonara tão voraz e terminantemente a mulher do meu chefinho. Bom, então é necessário que eu faça uma inconfidência: é óbvio que ela e eu transamos, e bastante! Aliás, transar é um eufemismo: fodemos mesmo, doses cavalares de sexo! Foram pelo menos dez fodas, antológicas, inesquecíveis, geralmente quando viajávamos à casa de praia do Mauro (o chefe e marido corno), para resolvermos assuntos de trabalho. Como ninguém é mais criança por aí, vou dar com a língua nos dentes: sucede que cada reuniãozinha dessas degringola amiúde em cocaína e porres homéricos; e com a censura da consciência de guarda baixa um dos meus golpes mais mortais e freqüentes é seduzir a mulher do próximo, seja quem for o infeliz, até meu chefe! Foi em tais circunstâncias que conheci os orifícios mais íntimos da Juliana. E deix´eu falar em alto e bom som: vale totalmente o risco de se levar um balaço no meio das fuças. Olhe, veja bem, não sei quem foi o idiota que inventou essa estória de mulher ter dono: mulher não tem dono, não! E isso não é nenhum arroubo feminista tardio da minha pseudo-intelectualidade mal estruturada; na minha abalizada opinião de vagabundo fundamental, ninguém é de ninguém ou, se preferir, todo mundo come todo mundo! Essa, meu irmão, é a nascitura moral sexual do século XXI. Mas deixemos a filosofice de lado e terminemos a estória: ela jurou de pés juntos e as mãos espalmadas que o cara não vinha fazendo o serviço direito havia dois anos; bom, talvez essa tenha sido a desculpa que ela arranjou para satisfazer seus instintos primevos sem culpa...
Por JP, (eu mesmo!) um anti-herói brasileiro
Mais tarde, voltando das compras, já entrando no meu apartamento, observei qualquer coisa na soleira da porta. Eram meia dúzia de cartões, com declarações de amor fartamente açucaradas, enjoativamente infantis, como todas as cartas de amor de todos os chatíssimos amantes dos mais variegados quadrantes do mundo; enfim, Juliana entregava-se de corpo e alma no ardente e pecaminoso leito da luxúria; a luxúria tem nome, o meu: JP, também conhecido entre os meus como o lobo da estepe; animal pouquíssimo dado a romantismos, insensível como os meus congêneres da Idade da Pedra Lascada, que sofre de horror à intimidade e absolutamente incapaz de se prender a uma alma que seja, nem que seja à Divina, agrilhoado à redentora idéia da infidelidade a todos as coisas, idéias e seres vivos. Meus detratores me chamam de porra-louca, desvairado, anarquista sem caráter, no que provavelmente estão certos. Mas não vamos dissecar minha personalidade nesse momento...
Você deve estar se perguntando como por mim se apaixonara tão voraz e terminantemente a mulher do meu chefinho. Bom, então é necessário que eu faça uma inconfidência: é óbvio que ela e eu transamos, e bastante! Aliás, transar é um eufemismo: fodemos mesmo, doses cavalares de sexo! Foram pelo menos dez fodas, antológicas, inesquecíveis, geralmente quando viajávamos à casa de praia do Mauro (o chefe e marido corno), para resolvermos assuntos de trabalho. Como ninguém é mais criança por aí, vou dar com a língua nos dentes: sucede que cada reuniãozinha dessas degringola amiúde em cocaína e porres homéricos; e com a censura da consciência de guarda baixa um dos meus golpes mais mortais e freqüentes é seduzir a mulher do próximo, seja quem for o infeliz, até meu chefe! Foi em tais circunstâncias que conheci os orifícios mais íntimos da Juliana. E deix´eu falar em alto e bom som: vale totalmente o risco de se levar um balaço no meio das fuças. Olhe, veja bem, não sei quem foi o idiota que inventou essa estória de mulher ter dono: mulher não tem dono, não! E isso não é nenhum arroubo feminista tardio da minha pseudo-intelectualidade mal estruturada; na minha abalizada opinião de vagabundo fundamental, ninguém é de ninguém ou, se preferir, todo mundo come todo mundo! Essa, meu irmão, é a nascitura moral sexual do século XXI. Mas deixemos a filosofice de lado e terminemos a estória: ela jurou de pés juntos e as mãos espalmadas que o cara não vinha fazendo o serviço direito havia dois anos; bom, talvez essa tenha sido a desculpa que ela arranjou para satisfazer seus instintos primevos sem culpa...
Por JP, (eu mesmo!) um anti-herói brasileiro
VIDA!
A vida é o paradoxo do entendimento!
Vede! A beatitude e o horror congraçados
Dialética e imortalmente irmanados
Artífices do humano experimento
A hecatombe, o holocausto do sentimento!
Delitos, perfídias, culpas nunca expiados
Sonhos e paixões e ideais desvirtuados
Num turbilhão de incognoscível movimento
Uns desfolhando os planos malogrados
No doído escaninho do esquecimento
À cruz dos severamente castigados
Só misérias, só padecimento
Outros, de casto lume embriagados
No ingênuo, fútil, tolo alheamento
Das almas e dos corpos saciados
Por graça de um vil sorteamento
Tádzio Nanan
Vede! A beatitude e o horror congraçados
Dialética e imortalmente irmanados
Artífices do humano experimento
A hecatombe, o holocausto do sentimento!
Delitos, perfídias, culpas nunca expiados
Sonhos e paixões e ideais desvirtuados
Num turbilhão de incognoscível movimento
Uns desfolhando os planos malogrados
No doído escaninho do esquecimento
À cruz dos severamente castigados
Só misérias, só padecimento
Outros, de casto lume embriagados
No ingênuo, fútil, tolo alheamento
Das almas e dos corpos saciados
Por graça de um vil sorteamento
Tádzio Nanan
sábado, 7 de novembro de 2009
Eis algumas sugestões para se conhecer melhor o recente cinema brasileiro e as atrizes e atores que ajudam a fazê-lo.
1)Curta Lázaro Ramos em:
Madame Satã (Karim Ainouz, 2002)
2)Curta Wagner Moura em:
Deus é brasileiro (Cacá Diegues, 2003)
Tropa de Elite (José Padilha, 2007)
Ó, paí ó (Monique Gardenberg, 2007)
3)Curta Selton Melo em:
O cheiro do Ralo (Heitor Dhalia, 2007)
Meu nome não é Johnny (Mauro Lima, 2008)
O auto da compadecida (Guel Arraes, 2000)
Lisbela e o prisioneiro (Guel Arraes, 2003)
Caramuru, a invenção do Brasil (Guel Arraes, 2001)
4)Curta João Miguel em:
Estômago (Marcos Jorge, 2007)
Cinema, Aspirinas e Urubus (Marcelo Gomes, 2005)
5)Curta Alice Braga em:
Cidade Baixa (Sergio Machado, 2005)
6)Curta Mariana Ximenes em:
O invasor (Beto Brant, 2001)
A máquina (João Falcão, 2006)
Muito gelo e dois dedos d´água (Daniel Filho, 2006)
7)Curta Alessandra Negrini em:
Sexo, amor e traição (Jorge Fernando, 2004)
Cleópatra (Júlio Bressane, 2007)
8)Curta Rodrigo Santoro em:
Carandiru (Hector Babenco, 2002)
Abril despedaçado (Walter Salles, 2001)
Bicho de sete cabeças (Laís Bodansky, 2001)
9)Curta Fernando Alves Pinto em:
Anahy de las misiones (Sérgio Silva, 1997)
Terra estrangeira (Walter Salles, 1996)
10)Curta Leona Cavalli em:
Amarelo Manga (Cláudio Assis, 2003)
11)Curta Guta Stresser em:
Nina (Heitor Dhalia, 2004)
12)Curta Camila Morgado em:
Olga (Jayme Monjardim, 2004)
13)Curta Simone Spoladore em:
Desmundo (Alain Fresnot, 2003)
14)Curta Rosanne Mulholland em:
Falsa Loura (Carlos Reichenbach,2008)
15)Curta Paula Braun em:
O cheiro do ralo (Heitor Dhalia, 2007)
Tádzio Nanan
Madame Satã (Karim Ainouz, 2002)
2)Curta Wagner Moura em:
Deus é brasileiro (Cacá Diegues, 2003)
Tropa de Elite (José Padilha, 2007)
Ó, paí ó (Monique Gardenberg, 2007)
3)Curta Selton Melo em:
O cheiro do Ralo (Heitor Dhalia, 2007)
Meu nome não é Johnny (Mauro Lima, 2008)
O auto da compadecida (Guel Arraes, 2000)
Lisbela e o prisioneiro (Guel Arraes, 2003)
Caramuru, a invenção do Brasil (Guel Arraes, 2001)
4)Curta João Miguel em:
Estômago (Marcos Jorge, 2007)
Cinema, Aspirinas e Urubus (Marcelo Gomes, 2005)
5)Curta Alice Braga em:
Cidade Baixa (Sergio Machado, 2005)
6)Curta Mariana Ximenes em:
O invasor (Beto Brant, 2001)
A máquina (João Falcão, 2006)
Muito gelo e dois dedos d´água (Daniel Filho, 2006)
7)Curta Alessandra Negrini em:
Sexo, amor e traição (Jorge Fernando, 2004)
Cleópatra (Júlio Bressane, 2007)
8)Curta Rodrigo Santoro em:
Carandiru (Hector Babenco, 2002)
Abril despedaçado (Walter Salles, 2001)
Bicho de sete cabeças (Laís Bodansky, 2001)
9)Curta Fernando Alves Pinto em:
Anahy de las misiones (Sérgio Silva, 1997)
Terra estrangeira (Walter Salles, 1996)
10)Curta Leona Cavalli em:
Amarelo Manga (Cláudio Assis, 2003)
11)Curta Guta Stresser em:
Nina (Heitor Dhalia, 2004)
12)Curta Camila Morgado em:
Olga (Jayme Monjardim, 2004)
13)Curta Simone Spoladore em:
Desmundo (Alain Fresnot, 2003)
14)Curta Rosanne Mulholland em:
Falsa Loura (Carlos Reichenbach,2008)
15)Curta Paula Braun em:
O cheiro do ralo (Heitor Dhalia, 2007)
Tádzio Nanan
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
ÀS PUTAS
Saciado na ciência de um leito multitudinário,
Esquivo-me da virgem presunçosa que me pretende
E rio-me do pregador hipócrita que defende
A supressão deste prazer consuetudinário
Por que menoscabar uma multimilenária ocupação?
Acaso sabe a dama o que sabe a mulher do arrabalde?
Acaso não nos deixam mui contentes, com saudade
E revigoram os liames da mente e o coração?
Soporífero quanta vez o regaço da jovem virtuosa
Melancólica pode ser a castidade, acre e fatigosa
O que de infame haveria em amar com as putas?
Também elas rezam, como nós, antes da labuta
Também filhas de Deus, como a rainha da Inglaterra
Ora, e no fim não vamos todos namorar com a terra?!
Tàdzio Nanan
Esquivo-me da virgem presunçosa que me pretende
E rio-me do pregador hipócrita que defende
A supressão deste prazer consuetudinário
Por que menoscabar uma multimilenária ocupação?
Acaso sabe a dama o que sabe a mulher do arrabalde?
Acaso não nos deixam mui contentes, com saudade
E revigoram os liames da mente e o coração?
Soporífero quanta vez o regaço da jovem virtuosa
Melancólica pode ser a castidade, acre e fatigosa
O que de infame haveria em amar com as putas?
Também elas rezam, como nós, antes da labuta
Também filhas de Deus, como a rainha da Inglaterra
Ora, e no fim não vamos todos namorar com a terra?!
Tàdzio Nanan
DOIS MICRO-POEMAS
1)
Viver integralmente
A própria finitude
Viver e morrer tudo
Dentro e fora de tudo
Ser o suave e o rude
Perseguir a totalidade
Da própria incompletude
Tudo nutrir e secar
Tudo sentir e negar
Até a grande solidão
Ataúde
Morrer
Na fugaz
Eternidade
Das horas
Renascer
Na aurora
Do íntimo
Mistério
Ser mais torto e reto
Amiúde
Sonhar (-se)
Ensandecido
Esquecer (-se)
Ser esquecido
2)
Só o silêncio a ser dito
Num surdo e estático grito
Nada a viver, mas a morte
Íntimo consorte
Desflorecer a aurora
No insulamento da hora
Nada a urgir na consciência
Castrar a concupiscência
Cultuar humanos flagelos
Defenestrar ingentes anelos
Cingir-se ao deletério
Leve
Repousar
Nas asas do mistério
Tádzio Nanan
Viver integralmente
A própria finitude
Viver e morrer tudo
Dentro e fora de tudo
Ser o suave e o rude
Perseguir a totalidade
Da própria incompletude
Tudo nutrir e secar
Tudo sentir e negar
Até a grande solidão
Ataúde
Morrer
Na fugaz
Eternidade
Das horas
Renascer
Na aurora
Do íntimo
Mistério
Ser mais torto e reto
Amiúde
Sonhar (-se)
Ensandecido
Esquecer (-se)
Ser esquecido
2)
Só o silêncio a ser dito
Num surdo e estático grito
Nada a viver, mas a morte
Íntimo consorte
Desflorecer a aurora
No insulamento da hora
Nada a urgir na consciência
Castrar a concupiscência
Cultuar humanos flagelos
Defenestrar ingentes anelos
Cingir-se ao deletério
Leve
Repousar
Nas asas do mistério
Tádzio Nanan
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
DOIS MICRO-POEMAS
1)
Antes que o sono venha
A romper a veia
Da memória
Visto-me à vitória
Antes do crepúsculo
Treino o músculo
E a mente tímida
Para desarranjar lógicas
O frio antes de me gelar a veia
Embriago-me do sol
E de sereias
Nos olhos, a urgência dos tempos
E dias de enfrentamentos
2)
Ascende o sol nas retinas
Repletas de amanhãs
E manhãs cristalinas
Arde a flama olímpica
No coração
Imaginar
Nova estação
O olor inebriante
Das primaveras
Toma-me celeremente
À alvorada da mente
As culpas, os medos
O medo da morte
Fenecem
O que era silêncio
Transmuta-se em melodias
Às vibrações de outros dias
Assim, ouso o sonho
E como um pedreiro
Ergo a própria obra
E a obra coletiva
Tudo que é sublime
Imprime-se nos atos
De fé e ousadia
Tádzio Nanan
Antes que o sono venha
A romper a veia
Da memória
Visto-me à vitória
Antes do crepúsculo
Treino o músculo
E a mente tímida
Para desarranjar lógicas
O frio antes de me gelar a veia
Embriago-me do sol
E de sereias
Nos olhos, a urgência dos tempos
E dias de enfrentamentos
2)
Ascende o sol nas retinas
Repletas de amanhãs
E manhãs cristalinas
Arde a flama olímpica
No coração
Imaginar
Nova estação
O olor inebriante
Das primaveras
Toma-me celeremente
À alvorada da mente
As culpas, os medos
O medo da morte
Fenecem
O que era silêncio
Transmuta-se em melodias
Às vibrações de outros dias
Assim, ouso o sonho
E como um pedreiro
Ergo a própria obra
E a obra coletiva
Tudo que é sublime
Imprime-se nos atos
De fé e ousadia
Tádzio Nanan
ENERGIAS BRUTAIS
Fonte inesgotável: o pensamento
Forças omnipotentes: à revolução
O porvir se reescrevendo com a nossa mão
Que a história é o nosso experimento!
Mover a Terra com um nobre sentimento
Que venha às derrotas a reação
O que na vida sublima o coração
Não teme o último momento!
Energias brutais semear no vento
Empresa dos que clamam por igualdade
A morte vale à pena, se a chama arde!
Humanos, erguei-vos com um puro alento:
Honrar o sonho e o sangue dos que lutaram
Dos que tombaram ermos e acreditaram!
Tádzio Nanan
Forças omnipotentes: à revolução
O porvir se reescrevendo com a nossa mão
Que a história é o nosso experimento!
Mover a Terra com um nobre sentimento
Que venha às derrotas a reação
O que na vida sublima o coração
Não teme o último momento!
Energias brutais semear no vento
Empresa dos que clamam por igualdade
A morte vale à pena, se a chama arde!
Humanos, erguei-vos com um puro alento:
Honrar o sonho e o sangue dos que lutaram
Dos que tombaram ermos e acreditaram!
Tádzio Nanan
Sem dó, a Morte o Homem desmascara...
Sem dó, a Morte o Homem desmascara!
Olhai esta bela jovem, a se decompor
Ontem, lânguida de desejo se entregara
Ardente e sussurrante ao deus Amor
Sonhos puros, que nada ainda os maculava
Lembro de seus olhos noturnos, amanhecendo
Num esplêndido dia, cujo fulgor auxiliava
A humanidade a convalescer da hipocrisia
Seus sentidos lançados aos pedaços
No silente enigma da física atômica
A inteligência, de habilidosos laços
Tragada numa vertigem astronômica
Espelho implacável, a Morte revela
Nossa face de fragilidade e impotência
Agora, dai-me licença, vou acender uma vela
Ajoelhar e chorar junto ao corpo dela
Tádzio Nanan
Olhai esta bela jovem, a se decompor
Ontem, lânguida de desejo se entregara
Ardente e sussurrante ao deus Amor
Sonhos puros, que nada ainda os maculava
Lembro de seus olhos noturnos, amanhecendo
Num esplêndido dia, cujo fulgor auxiliava
A humanidade a convalescer da hipocrisia
Seus sentidos lançados aos pedaços
No silente enigma da física atômica
A inteligência, de habilidosos laços
Tragada numa vertigem astronômica
Espelho implacável, a Morte revela
Nossa face de fragilidade e impotência
Agora, dai-me licença, vou acender uma vela
Ajoelhar e chorar junto ao corpo dela
Tádzio Nanan
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Sobre um tema de Torquato Neto
Eu sou como eu sou
Poeta
Traduzindo com a verve
A meta
Que o caos traçou pra mim
Por todos os meios
Até meus fins...
Eu sou como eu sou
Cobarde
Hei de abrandar o sol
À tarde
Também à luta
Me visto
Agarro-me aos sonhos
Que a mim mesmo imponho
E insisto...
Eu sou como eu sou
Debalde
Não me corrói o peito
Saudade
Deslizo nas vagas do
Vinho
Deliro nos braços da noite
Sozinho...
Eu sou como eu sou
Paladino
Dobrando o sino
Das revoluções
Extemporâneas
Preparando nossos corações
Para as guerras e para as manhãs
E louco
Rouco de bradar veleidades
Porque pouco capaz de saber
Das Verdades
E do Amanhã...
Tádzio Nanan
Poeta
Traduzindo com a verve
A meta
Que o caos traçou pra mim
Por todos os meios
Até meus fins...
Eu sou como eu sou
Cobarde
Hei de abrandar o sol
À tarde
Também à luta
Me visto
Agarro-me aos sonhos
Que a mim mesmo imponho
E insisto...
Eu sou como eu sou
Debalde
Não me corrói o peito
Saudade
Deslizo nas vagas do
Vinho
Deliro nos braços da noite
Sozinho...
Eu sou como eu sou
Paladino
Dobrando o sino
Das revoluções
Extemporâneas
Preparando nossos corações
Para as guerras e para as manhãs
E louco
Rouco de bradar veleidades
Porque pouco capaz de saber
Das Verdades
E do Amanhã...
Tádzio Nanan
terça-feira, 3 de novembro de 2009
ESPÍRITO SUPERIOR (Ana Carolina Alencar Severiano Aires Barreira Nanan)
Derradeiro limiar da História:
Culto, belo, delicado, definitivo
Sopro suave detendo o fogo furtivo
Do Mal, arejando-nos com a glória
Espírito luminar, esclarecendo
Elogio da busca, amor à Verdade
Impoluta sacerdotisa da Liberdade
Plúmbeos céus de ferro alvorecendo
Afrodite mil primaveras espargindo
Com o orvalho dos sorrisos cariciosos
Contra a torpe bruteza dos impiedosos
Heroína organizando e reagindo
De vastos distintos orbes reminiscências
Se lhe revelam. Berço das múltiplas consciências
Vejam! Transluzindo arrebatada aos ares!
Proferindo axiomas e intuições estelares!
Tádzio Nanan
B R A S I L
Pungente mosaico de contradições não resolvidas
A pátria amada sonha o ideal da justiça e da igualdade
Atormentada pelo passado, do porvir tem saudade
Mas lá também suores de Hercúleas lidas
Hesitante e trôpego, o colosso com passos vagos
Percorre a trilha de seu histórico e cruel labirinto
Junto a si o povo que erra deserdado e faminto
Ainda esperando a utopia e seus cariciosos afagos
Civilização tropical portadora da áurea promessa:
Inventar uma existência feliz, produtiva e sem pressa
Todavia, tal primavera é apenas botão neste instante
Mas que há de mudar em idílico jardim de doces frutos
Que este povo heróico já não tolera o açoite dos brutos
E uma elite venal de seus ideais dissonante
Tádzio Nanan
A pátria amada sonha o ideal da justiça e da igualdade
Atormentada pelo passado, do porvir tem saudade
Mas lá também suores de Hercúleas lidas
Hesitante e trôpego, o colosso com passos vagos
Percorre a trilha de seu histórico e cruel labirinto
Junto a si o povo que erra deserdado e faminto
Ainda esperando a utopia e seus cariciosos afagos
Civilização tropical portadora da áurea promessa:
Inventar uma existência feliz, produtiva e sem pressa
Todavia, tal primavera é apenas botão neste instante
Mas que há de mudar em idílico jardim de doces frutos
Que este povo heróico já não tolera o açoite dos brutos
E uma elite venal de seus ideais dissonante
Tádzio Nanan
MÁXIMAS E PENSAMENTOS
O medo que temos de perder algo precioso rouba-nos a metade do prazer de tê-lo
Verdades cristalinas podem sair de bocas hediondas; mentiras infernais podem propalar-se com palavras delicadas
O amor do indivíduo por si próprio é o único em que ele pode acreditar totalmente
Sexo é quando precisamos do outro para agradar a nós mesmos
Pisque os olhos e estaremos mortos
Por paradoxal que pareça, o ódio pode reforçar nosso amor à vida
Tragicômico: mentes simplórias sempre sonham com a glória
As multidões são cômicas e os indivíduos são tristes
Sobre o ser humano: quanta vaidade num punhado de pó!
Sobre o Paraíso: o mundo é realmente pequeno às aspirações humanas...
O diabo espia-nos pelos espelhos
Tádzio Nanan
Verdades cristalinas podem sair de bocas hediondas; mentiras infernais podem propalar-se com palavras delicadas
O amor do indivíduo por si próprio é o único em que ele pode acreditar totalmente
Sexo é quando precisamos do outro para agradar a nós mesmos
Pisque os olhos e estaremos mortos
Por paradoxal que pareça, o ódio pode reforçar nosso amor à vida
Tragicômico: mentes simplórias sempre sonham com a glória
As multidões são cômicas e os indivíduos são tristes
Sobre o ser humano: quanta vaidade num punhado de pó!
Sobre o Paraíso: o mundo é realmente pequeno às aspirações humanas...
O diabo espia-nos pelos espelhos
Tádzio Nanan
AOS ESCRAVOS DE TODOS OS TEMPOS – II
No escravo, o fogo que sublime e feroz fulgiria
Arrefece e é cinza ante o silêncio e o medo
Carrascos que lhe impõem miserável degredo
O de si mesmo; e ele acata quando subverteria...
Dê escravo ao seu alquebrado coração um lenimento
Creia no sonho que lhe faz humano e creia no desespero
Reúna as suas dores e delas ergue um homem inteiro
E lute para ser livre, que é o único sacramento
Diversa Roma se nos impõe (quantas ainda sobrevirão?)
A de Enéas tremeu ante o braço viril da escravidão:
Spartacus! Epopéia escrita em sangue, libelo
Contra um mundo que flagela qual pesadelo
Sonho épico alastrando-se no invisível do ar
Com a imorredoura canção da liberdade a ecoar
Tádzio Nanan
Arrefece e é cinza ante o silêncio e o medo
Carrascos que lhe impõem miserável degredo
O de si mesmo; e ele acata quando subverteria...
Dê escravo ao seu alquebrado coração um lenimento
Creia no sonho que lhe faz humano e creia no desespero
Reúna as suas dores e delas ergue um homem inteiro
E lute para ser livre, que é o único sacramento
Diversa Roma se nos impõe (quantas ainda sobrevirão?)
A de Enéas tremeu ante o braço viril da escravidão:
Spartacus! Epopéia escrita em sangue, libelo
Contra um mundo que flagela qual pesadelo
Sonho épico alastrando-se no invisível do ar
Com a imorredoura canção da liberdade a ecoar
Tádzio Nanan
AOS ESCRAVOS DE TODOS OS TEMPOS – I
Antes, a corrente gravava na carne sua insígnia
Sabiam-se os algozes, binária a lógica do mundo
E houve até escravo idealista que, meditabundo
Sonhou e levantou-se para pôr fim a tanta ignomínia
Mas fracassou... Hoje, o grilhão também é ideal:
Com boa indumentária escravo há que se crê liberto
Não é senão autômato que representa a cada gesto
Grotescas personagens de um Espetáculo brutal
E os há ainda escravos como na Idade Antiga
A pão e circo, eterna via-crúcis de humilhações
Massa amorfa condicionada à miríade de prisões
Qual símbolo, que face representa a hoste inimiga?
Toda ideologia pulverizou-se: grito perdido no vento
E todo idealismo resume-se a um ineficaz lamento...
Tádzio Nanan
Sabiam-se os algozes, binária a lógica do mundo
E houve até escravo idealista que, meditabundo
Sonhou e levantou-se para pôr fim a tanta ignomínia
Mas fracassou... Hoje, o grilhão também é ideal:
Com boa indumentária escravo há que se crê liberto
Não é senão autômato que representa a cada gesto
Grotescas personagens de um Espetáculo brutal
E os há ainda escravos como na Idade Antiga
A pão e circo, eterna via-crúcis de humilhações
Massa amorfa condicionada à miríade de prisões
Qual símbolo, que face representa a hoste inimiga?
Toda ideologia pulverizou-se: grito perdido no vento
E todo idealismo resume-se a um ineficaz lamento...
Tádzio Nanan
O TROCO
Fingir
Sujeição
Aspirando
No entanto
À ação
A voz
Recolher
Humildemente
Pôr-se calado
Até soar
O canhão
Na forma de brado
Cogitabundo
Em sua aurora
Dizem-no triste
Mas prepara
Entrementes
O domínio das mentes:
Mil argumentos em riste
O corpo torturado
Não a alma: intemerata
Sem cortes, sem sulcos, sem data
Quebrantado
Agora
Mas forja-se
Na fornalha das horas
De sonhos
Fendido
O peito
Mas segue multiplicando
A carne no leito
Dócil, segue
Transigindo
Para que tudo se vá convergindo
À revelação do segredo:
Não tem mais medo
E os inimigos
Desapercebidos
Zás!!
Estarão mortalmente feridos
Tádzio Nanan
Sujeição
Aspirando
No entanto
À ação
A voz
Recolher
Humildemente
Pôr-se calado
Até soar
O canhão
Na forma de brado
Cogitabundo
Em sua aurora
Dizem-no triste
Mas prepara
Entrementes
O domínio das mentes:
Mil argumentos em riste
O corpo torturado
Não a alma: intemerata
Sem cortes, sem sulcos, sem data
Quebrantado
Agora
Mas forja-se
Na fornalha das horas
De sonhos
Fendido
O peito
Mas segue multiplicando
A carne no leito
Dócil, segue
Transigindo
Para que tudo se vá convergindo
À revelação do segredo:
Não tem mais medo
E os inimigos
Desapercebidos
Zás!!
Estarão mortalmente feridos
Tádzio Nanan
PARA AMÉRICO BARREIRA
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Fulgor de cristal ao sol, amanhecendo
Verbo impávido, ávido de vida
Grávido de vívida esperança
Hígida alma de criança,
Mas braço e lide de guerreiro!
Veia cálida, confundida
À história. Veia lança
A semente da vitória: crê
Num homem por inteiro!
A pujança do guerreiro:
Cultivar irresistível crença –
Que o sonho a realidade vença!
O legado do guerreiro:
A vida na sua plenitude intensa –
Esse sonho, essa verdade imensa!
Do neto
Tádzio Nanan
POEMA SÁFICO
Delicados afagos azuis, teus olhares me aquecem,
Confortam; a ti descortino meus multifários arcanos
Para que chores em silêncio comigo meus desenganos
E te rias das alegres virtudes que me convalescem
Suaves brisas cariciosas, tuas mãos me conhecem
A toques tímidos; levam-me ao limiar de reluzentes anos
Onde teus lábios noites viris me farão esquecer e seus danos:
O golpe dos brutos, que até hoje meu corpo e alma adoecem
Teu corpo, virgem enseada para aportar Titãs; entanto,
É divergente no desejo; aspira por igual arquitetura:
Templo de prazer sem contraste, só amena ternura
Teu espírito, diamante lapidado com lumes de encanto
É poesia transbordando no seio de cada sentimento
Uma que só o feminino pode ler com entendimento
Tádzio Nanan
Confortam; a ti descortino meus multifários arcanos
Para que chores em silêncio comigo meus desenganos
E te rias das alegres virtudes que me convalescem
Suaves brisas cariciosas, tuas mãos me conhecem
A toques tímidos; levam-me ao limiar de reluzentes anos
Onde teus lábios noites viris me farão esquecer e seus danos:
O golpe dos brutos, que até hoje meu corpo e alma adoecem
Teu corpo, virgem enseada para aportar Titãs; entanto,
É divergente no desejo; aspira por igual arquitetura:
Templo de prazer sem contraste, só amena ternura
Teu espírito, diamante lapidado com lumes de encanto
É poesia transbordando no seio de cada sentimento
Uma que só o feminino pode ler com entendimento
Tádzio Nanan
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
AS MULHERES, OS HOMENS: DEFINIÇÕES ESPIRITUOSAS
É impossível conhecer a mulher: ela é multitudinária!
Não existe A mulher, no singular; toda mulher vem no plural
A mulher é um espelho defronte de outro: o que é ilusão e o que é real?
Toda mulher é um quebra-cabeça, onde faltam algumas peças...
O corpo da mulher é monumento à beleza; e a alma, monumento à complexidade
Ao homem, é possível desejar uma mulher sem conhecê-la e conhecer uma mulher sem desejá-la
O homem vê o copo meio cheio; a mulher o vê meio vazio
O homem casa para não ficar só; a mulher, para ficar bem acompanhada
A mulher age por múltiplas razões; o homem, para ter relações
A mulher é multifatorial; o homem, unidimensional
Enquanto a mulher produz o mundo no útero, o homem o reduz ao seu pênis!!
O homem não passa de menino extasiado com seu brinquedinho de 17 centímetros; e a mulher é uma garotinha levada sempre tentando achar os meios de montá-lo
No fundo, todas as mulheres são a mesma
O homem faz parte da natureza; já a mulher é a obra de arte da mesma
O homem só vê o que está por fora; já a mulher viaja até o interior das coisas
O feminino no homem o aprimora; o masculino na mulher a degenera
O homem é o grito de Deus; a mulher, o sussurro
O homem são os braços de Deus; a mulher são Seus dedos
O homem é uma fera; a mulher é a jaula
A transubstanciação da história: nasceu homem, morrerá mulher
Quando quer, o homem vai lá, toma, usufrui; a mulher, semeia, espera, colhe, distribui
Tádzio Nanan
Não existe A mulher, no singular; toda mulher vem no plural
A mulher é um espelho defronte de outro: o que é ilusão e o que é real?
Toda mulher é um quebra-cabeça, onde faltam algumas peças...
O corpo da mulher é monumento à beleza; e a alma, monumento à complexidade
Ao homem, é possível desejar uma mulher sem conhecê-la e conhecer uma mulher sem desejá-la
O homem vê o copo meio cheio; a mulher o vê meio vazio
O homem casa para não ficar só; a mulher, para ficar bem acompanhada
A mulher age por múltiplas razões; o homem, para ter relações
A mulher é multifatorial; o homem, unidimensional
Enquanto a mulher produz o mundo no útero, o homem o reduz ao seu pênis!!
O homem não passa de menino extasiado com seu brinquedinho de 17 centímetros; e a mulher é uma garotinha levada sempre tentando achar os meios de montá-lo
No fundo, todas as mulheres são a mesma
O homem faz parte da natureza; já a mulher é a obra de arte da mesma
O homem só vê o que está por fora; já a mulher viaja até o interior das coisas
O feminino no homem o aprimora; o masculino na mulher a degenera
O homem é o grito de Deus; a mulher, o sussurro
O homem são os braços de Deus; a mulher são Seus dedos
O homem é uma fera; a mulher é a jaula
A transubstanciação da história: nasceu homem, morrerá mulher
Quando quer, o homem vai lá, toma, usufrui; a mulher, semeia, espera, colhe, distribui
Tádzio Nanan
BRASILIDADE
Nossas múltiplas raízes, profundas e diversas
Que a longínquas plagas e tempos remontam
Reminiscências ancestrais assim nos contam
Da cultura de civilizações vivas e dispersas
As etnias ibéricas no sangue amalgamadas
Seus credos e valores, nossa plástica moral
O pecado primitivo e o paradoxo nacional:
Defeitos hediondos e virtudes afamadas
Subsistem n´alma visões de um mítico oriente
E de traços setentrionais longevas inspirações
A galhardia negra e índia também é presente
Matriz das nossas controvertidas paixões:
Fincadas no inconsciente, a ganância e a luxúria;
E o Amor, da herança se opondo à parte espúria
Tádzio Nanan
Que a longínquas plagas e tempos remontam
Reminiscências ancestrais assim nos contam
Da cultura de civilizações vivas e dispersas
As etnias ibéricas no sangue amalgamadas
Seus credos e valores, nossa plástica moral
O pecado primitivo e o paradoxo nacional:
Defeitos hediondos e virtudes afamadas
Subsistem n´alma visões de um mítico oriente
E de traços setentrionais longevas inspirações
A galhardia negra e índia também é presente
Matriz das nossas controvertidas paixões:
Fincadas no inconsciente, a ganância e a luxúria;
E o Amor, da herança se opondo à parte espúria
Tádzio Nanan
TEU OLHAR
É teu olhar que lança ao frio e negro firmamento
A energia, o ardor, a luz que o vão despertando
Nele, a infinita amplidão cabe num momento
E, um ao outro, instante e eternidade estão amando
Teu olhar é também uma súplica ao vento
Sussurrada pelo exangue moribundo, quando
A Dama Negra nele fixa seu olhar sedento
Teu olhar é também dor e mágoa castigando
Teu olhar é a Paz (quase nunca o nosso intento...)
Janela onde vemos o Cordeiro as virtudes alentando
E extasiados de beleza olvidamos o destino violento
Teu olhar é uma pungente dor secreta, lancinando
Que provoca multifárias explosões de sentimento
Vendavais de poesia, ondas de paixão e de tormento
Tádzio Nanan
A energia, o ardor, a luz que o vão despertando
Nele, a infinita amplidão cabe num momento
E, um ao outro, instante e eternidade estão amando
Teu olhar é também uma súplica ao vento
Sussurrada pelo exangue moribundo, quando
A Dama Negra nele fixa seu olhar sedento
Teu olhar é também dor e mágoa castigando
Teu olhar é a Paz (quase nunca o nosso intento...)
Janela onde vemos o Cordeiro as virtudes alentando
E extasiados de beleza olvidamos o destino violento
Teu olhar é uma pungente dor secreta, lancinando
Que provoca multifárias explosões de sentimento
Vendavais de poesia, ondas de paixão e de tormento
Tádzio Nanan
domingo, 1 de novembro de 2009
PRESO
Preso
Ao Big-Bang
A este universo
Às leis da física, química, biologia
Aos acontecimentos fortuitos que deram origem à vida
À evolução da vida e suas leis intrínsecas
Às particularidades da minha espécie, da minha vida e seus determinantes orgânicos, mentais, psíquicos
A um Deus que me invento e seus mandamentos
A um Deus que se inventam e seus mandamentos
A este tempo, a este pedaço de século, sua técnica, tecnologia, moral, ciência, filosofia
A este sistema sócio-econômico e suas contradições frementes
A esta pátria e língua
A este corpo e mente
Aos genes dos meus avoengos e suas mutações aleatórias
À cultura,
À personalidade
Aos Fatos Sociais
Às variáveis estocásticas que me fizeram quem não sou
Aos meus sonhos e medos, desejos e delírios, fracassos e gloríolas
A estas pessoas, às prisões destas pessoas, à loucura destas pessoas
A esta vertigem e a esta dúvida metodicamente martelada: existimos, de fato?
Não obstante, LIVRE! LIVRE para renunciar a tudo.
E até nisso, preso: preso ao livre-arbítrio, dádiva (e castigo) de Deus aos homens
Livre para renunciar a tudo!
Tádzio Nanan
Ao Big-Bang
A este universo
Às leis da física, química, biologia
Aos acontecimentos fortuitos que deram origem à vida
À evolução da vida e suas leis intrínsecas
Às particularidades da minha espécie, da minha vida e seus determinantes orgânicos, mentais, psíquicos
A um Deus que me invento e seus mandamentos
A um Deus que se inventam e seus mandamentos
A este tempo, a este pedaço de século, sua técnica, tecnologia, moral, ciência, filosofia
A este sistema sócio-econômico e suas contradições frementes
A esta pátria e língua
A este corpo e mente
Aos genes dos meus avoengos e suas mutações aleatórias
À cultura,
À personalidade
Aos Fatos Sociais
Às variáveis estocásticas que me fizeram quem não sou
Aos meus sonhos e medos, desejos e delírios, fracassos e gloríolas
A estas pessoas, às prisões destas pessoas, à loucura destas pessoas
A esta vertigem e a esta dúvida metodicamente martelada: existimos, de fato?
Não obstante, LIVRE! LIVRE para renunciar a tudo.
E até nisso, preso: preso ao livre-arbítrio, dádiva (e castigo) de Deus aos homens
Livre para renunciar a tudo!
Tádzio Nanan
Fragílima a arquitetura da minha vida...
Fragílima a arquitetura da minha vida...
O terraplenagem não fixou bases sólidas para a adequada edificação e agora titubeio com suaves brisas cotidianas; nos terremotos da vida, soçobro-me
A argamassa do meu ser orgânico e psíquico é fraca e degenera em risco grave à saúde; tudo é caótico, entrópico e a energia migra para outros universos paralelos de mim mesmo, que desconheço
Sou construção superfaturada cujo material é de qualidade duvidosa e a qualquer momento pode ruir com todos os sonhos dentro
O Grande Engenheiro furtou-se de esmiuçar os cálculos e as geometrias a uma grande obra e agora as informações se contradizem e redundam em estupor entre os empregados que devem erguê-la; meus próprios genes levam-me ao paroxismo e à atimia
É uma falha conatural, mutação gestada e prometida a mim nas labaredas da descendência
Fragílima a arquitetura da minha vida...
Tádzio Nanan
O terraplenagem não fixou bases sólidas para a adequada edificação e agora titubeio com suaves brisas cotidianas; nos terremotos da vida, soçobro-me
A argamassa do meu ser orgânico e psíquico é fraca e degenera em risco grave à saúde; tudo é caótico, entrópico e a energia migra para outros universos paralelos de mim mesmo, que desconheço
Sou construção superfaturada cujo material é de qualidade duvidosa e a qualquer momento pode ruir com todos os sonhos dentro
O Grande Engenheiro furtou-se de esmiuçar os cálculos e as geometrias a uma grande obra e agora as informações se contradizem e redundam em estupor entre os empregados que devem erguê-la; meus próprios genes levam-me ao paroxismo e à atimia
É uma falha conatural, mutação gestada e prometida a mim nas labaredas da descendência
Fragílima a arquitetura da minha vida...
Tádzio Nanan
QUISERA AMAR-TE
Quisera amar-te comedidamente
Com hora marcada e a luz apagada
Cheio do casto pudor de antigamente
Sem arroubos românticos
E copiosas lágrimas de ciúme...
Amar-te mansamente, sem os carrosséis de emoção
Dos aficionados em paixão
- essa convulsão dos sentidos
Sem ramalhetes de rosas
As insinuações dolorosas
E os pratos no chão partidos...
Amar-te racionalmente
Como quem quase finge o que sente
Sem poesia, sem saudade, sem plenilúnios à beira-mar
Sem acordes de um violão...
Quisera amar-te
Como uma simples troca de favores à meia-noite:
O mercantil romance finissecular...
Mas tal amor, querida, eu nunca poderia dar...
Tádzio Nanan
Com hora marcada e a luz apagada
Cheio do casto pudor de antigamente
Sem arroubos românticos
E copiosas lágrimas de ciúme...
Amar-te mansamente, sem os carrosséis de emoção
Dos aficionados em paixão
- essa convulsão dos sentidos
Sem ramalhetes de rosas
As insinuações dolorosas
E os pratos no chão partidos...
Amar-te racionalmente
Como quem quase finge o que sente
Sem poesia, sem saudade, sem plenilúnios à beira-mar
Sem acordes de um violão...
Quisera amar-te
Como uma simples troca de favores à meia-noite:
O mercantil romance finissecular...
Mas tal amor, querida, eu nunca poderia dar...
Tádzio Nanan
REMEMORO A INFÂNCIA...
Rememoro a infância... Deus, onde a guardou?
A criança que fui, repleta da doce inocência, existiu?
Ou apenas miragem que na alcova do Tempo dormiu
Entre as agônicas sombras que Ele sonhou?
Doce é também a consciência que temos da morte
Porque bálsamo se faz contra as dores do mundo
Ponte para um esquecimento sereno e profundo
Visto que o perene é a matéria e só o crê o forte
No instante que se esgota, coisas aos milhões desvanecem,
Consciências e mundos. Deus quer que elas cessem
Apenas Ele, absoluto, comporta outro sentido
Segue o humano, assim, sôfrego do tempo presente –
Essa ilusão dos sentidos. Fingi crer, mas pressente
Que não há glorioso destino que lhe seja devido
Tádzio Nanan
A criança que fui, repleta da doce inocência, existiu?
Ou apenas miragem que na alcova do Tempo dormiu
Entre as agônicas sombras que Ele sonhou?
Doce é também a consciência que temos da morte
Porque bálsamo se faz contra as dores do mundo
Ponte para um esquecimento sereno e profundo
Visto que o perene é a matéria e só o crê o forte
No instante que se esgota, coisas aos milhões desvanecem,
Consciências e mundos. Deus quer que elas cessem
Apenas Ele, absoluto, comporta outro sentido
Segue o humano, assim, sôfrego do tempo presente –
Essa ilusão dos sentidos. Fingi crer, mas pressente
Que não há glorioso destino que lhe seja devido
Tádzio Nanan
sábado, 31 de outubro de 2009
ONÍVORO II
Fome audaz, implacável, soberba, profunda
Consciências devoro, civilizações, universos
Regurgito tudo depois, em moldes reversos
E o que a razão aplanava o caos aprofunda
Ó sede inconsciente, primitiva, sede de morte
Minha sorte é o fim fomentar, e o recomeço
Tudo fenece à minha volta, mas permaneço
Avesso vivo; morro; e tudo pode nascer de novo
A culpa e o medo foram assassinados pelo desejo
Absolva-o que ele é a força vital da natureza
A outra face voraz divina infernal da Beleza
Fome, sede, desejo põem-se a inventar o ensejo
Dê-me um segundo e faço tremer a Eternidade!
Um punhal para cravar no coração da Verdade!
Tádzio Nanan
Consciências devoro, civilizações, universos
Regurgito tudo depois, em moldes reversos
E o que a razão aplanava o caos aprofunda
Ó sede inconsciente, primitiva, sede de morte
Minha sorte é o fim fomentar, e o recomeço
Tudo fenece à minha volta, mas permaneço
Avesso vivo; morro; e tudo pode nascer de novo
A culpa e o medo foram assassinados pelo desejo
Absolva-o que ele é a força vital da natureza
A outra face voraz divina infernal da Beleza
Fome, sede, desejo põem-se a inventar o ensejo
Dê-me um segundo e faço tremer a Eternidade!
Um punhal para cravar no coração da Verdade!
Tádzio Nanan
DEUSA II

arte: Tádzio Nanan
Porte aristocrático, olhares altivos
Classificando com ares imperativos
Movimentos ligeiros, de bailarina
Fibra de mulher, frescor de menina
O coração semeando a saudade
Volúvel demais para a saciedade
O verbo é um gládio, machucando
A fé cega dos que seguem acreditando
Narizinho aspirando (a)o céu
As mechas da cor do mel, véu
De estrelas refulgentes
Os olhos: sempiternos verões
Ardendo em estrepitosas paixões
Opalas de fogo tão quentes!
Tádzio Nanan
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
A FERA
A fera vem da sombra ancestral
E sua garganta a noite inteira verte
Que a luz envolve e reveste
Bêbeda, regurgita o Mal
Olhos incandescentes, labaredas queimando
De tanto desejar a Morte, que a espreita
Para juntas pregar a guerra como seita
Que é a constante do quando
Seu ódio asfixia a inspiração da Paz
Forjando miríade de grilhões, de gládios
Que fazem das épocas históricas plágios
O Inferno com suas mãos pode. E faz!
Ela quem é, somos nós?
Nossa oculta face, atroz?
Tádzio Nanan
E sua garganta a noite inteira verte
Que a luz envolve e reveste
Bêbeda, regurgita o Mal
Olhos incandescentes, labaredas queimando
De tanto desejar a Morte, que a espreita
Para juntas pregar a guerra como seita
Que é a constante do quando
Seu ódio asfixia a inspiração da Paz
Forjando miríade de grilhões, de gládios
Que fazem das épocas históricas plágios
O Inferno com suas mãos pode. E faz!
Ela quem é, somos nós?
Nossa oculta face, atroz?
Tádzio Nanan
VIDA (ou SOMBRA)
Informe, aflita, errante apenas sombra
No ermo da alcova projetada do incognoscível
É miragem a vida, de concretude impossível
Esfinge cujo canto fatal assombra
Outra quimera a realidade, ilusão sensitiva
Divindade nascida da nossa inconsciência e loucura
A urgência infantil de semear luz na infinidade escura
Auto-engano psíquico, superstição cognitiva
O poeta revela, ele sabe: só existe o nada!
Raciocínio, sentimento, paixão: fraude biológica
Que é trama cerebral a existência, é mitológica
Entanto, fingi crer na mentira inculcada
Introjetando o absurdo espetáculo, desconexo
Onde tudo o que somos é vertigem e reflexo
Tádzio Nanan
No ermo da alcova projetada do incognoscível
É miragem a vida, de concretude impossível
Esfinge cujo canto fatal assombra
Outra quimera a realidade, ilusão sensitiva
Divindade nascida da nossa inconsciência e loucura
A urgência infantil de semear luz na infinidade escura
Auto-engano psíquico, superstição cognitiva
O poeta revela, ele sabe: só existe o nada!
Raciocínio, sentimento, paixão: fraude biológica
Que é trama cerebral a existência, é mitológica
Entanto, fingi crer na mentira inculcada
Introjetando o absurdo espetáculo, desconexo
Onde tudo o que somos é vertigem e reflexo
Tádzio Nanan
terça-feira, 27 de outubro de 2009
D E U S A

arte: Tádzio Nanan
A cútis branca, lençol de luz
Que a veste. O púbis negro,
Inflama no ensejo, reluz
Na lascívia do meu estro
O ventre, porcelana delicada
Templo de amores e idílios
A vulva, olente e nacarada
Vertendo o licor dos delírios
As melenas, noites encaracoladas
Escorrendo rio sobre as espaldas
Afogando os seios, pequeninos seixos
As curvas, inebriantes, nos eixos
Olhares vagos, dissimulados
Mil e um amores transviados
Tádzio Nanan
PARA LAURO MACIEL SEVERIANO
Guerreiro do bom combate
Garimpeiro da verdade e da justiça
Silencia teu clamor altissonante
Teu sonho, mina já tão distante
Tu que foste indelével galhardia
Passos à luz de outro dia
Outrora, vívido guerreiro, renitente
Hoje, és silêncio doído e comovente
No cansaço do leito, lívido, renuncias
À tua lavra, à tua impoluta valentia
Em teus olhos afogados, reticentes
Guardas, com reserva, o que sentes
O que vês: amores puros e consistentes
E adentras à nova aurora que antevias
E leve voas nessa asa que te anuncia
A perfulgente verdade que se inicia
Do neto Tádzio Nanan
VÊNUS DE ÉBANO
A lasciva noite jaz na epiderme
Exalando a luxúria dos amantes
A consagrada nudez: inquietante
Visão do Éden; obsessão em germe
Deusa de ébano, lábio africano
Divino lume o viço lhe engalana
O beijo, veneno doce como a cana
A desvairar o varão americano
Negra! Singular perla dos mares
Canto de sirena rasgando os ares
E o Odisseu se arrebatando
Manhã de primavera acordando
Êxtase sublime, loucos devaneios
Vertigens noturnas e seus enleios
Tádzio Nanan
Exalando a luxúria dos amantes
A consagrada nudez: inquietante
Visão do Éden; obsessão em germe
Deusa de ébano, lábio africano
Divino lume o viço lhe engalana
O beijo, veneno doce como a cana
A desvairar o varão americano
Negra! Singular perla dos mares
Canto de sirena rasgando os ares
E o Odisseu se arrebatando
Manhã de primavera acordando
Êxtase sublime, loucos devaneios
Vertigens noturnas e seus enleios
Tádzio Nanan
SONHOS
Meus sonhos iluminam-se da tua arcangélica beleza
Neles, ponho-me aos pés da tua nudez, arrebatado
De ti, toda minha natureza tem-se ocupado
Em êxtase tem vivido e estado acessa
À tua regência, meu universo inteiro cala
Só o coração pulsa em ardente desejo enlevado
A te esperar, fonte de tudo que é mais sagrado
Secretamente, nele tua voz sussurra e fala
Teu corpo, esplendor da forma, exala perfume inebriante
Que cativa e engana. Já amo mais que Romeu e Dante
E fico cismando as delícias da tua boca, da tua tez
Sentir a nívea doçura do teu corpo, que Deus fez
Embriagado do ardente azul do teu olhar
Perdido no sonho de nunca mais acordar
Tádzio Nanan
Neles, ponho-me aos pés da tua nudez, arrebatado
De ti, toda minha natureza tem-se ocupado
Em êxtase tem vivido e estado acessa
À tua regência, meu universo inteiro cala
Só o coração pulsa em ardente desejo enlevado
A te esperar, fonte de tudo que é mais sagrado
Secretamente, nele tua voz sussurra e fala
Teu corpo, esplendor da forma, exala perfume inebriante
Que cativa e engana. Já amo mais que Romeu e Dante
E fico cismando as delícias da tua boca, da tua tez
Sentir a nívea doçura do teu corpo, que Deus fez
Embriagado do ardente azul do teu olhar
Perdido no sonho de nunca mais acordar
Tádzio Nanan
FILOSOFIA EM DOSES HOMEOPÁTICAS parte 2
Conforta os fracos e confronta os fortes
Deu vontade, sacia-se; é sábio por saciar-se ou tolo por se render à vontade?
Não é que o tempo passe; nós é que vamos ficando
Sem sonhar, não somos senão animais
Sem sonhos, a vida é necessidade e instinto
Não aceita que te digam a verdade; a única verdade que importa está dentro de ti
A religião e a lei querem botar rédeas no Homem, mas ele não é uma fera que se domestica facilmente
A religião quer ser o freio do carro veloz chamado História; detê-lo-á?
Sê simples, não simplório
O sábio é simples; o tolo, simplório
Tádzio Nanan
Deu vontade, sacia-se; é sábio por saciar-se ou tolo por se render à vontade?
Não é que o tempo passe; nós é que vamos ficando
Sem sonhar, não somos senão animais
Sem sonhos, a vida é necessidade e instinto
Não aceita que te digam a verdade; a única verdade que importa está dentro de ti
A religião e a lei querem botar rédeas no Homem, mas ele não é uma fera que se domestica facilmente
A religião quer ser o freio do carro veloz chamado História; detê-lo-á?
Sê simples, não simplório
O sábio é simples; o tolo, simplório
Tádzio Nanan
A AMARGURA DA FELICIDADE
Adriano Costa
Fiz-me tolo
Fiz-me pueril
Tornei-me escravo das suas entranhas
Cuspi todo o resto de orgulho das minhas veias
Perdi-me na poeira das estradas em busca de ti
Acabei-me em confusões mentais bruscas
Fixei-me em locais vis para esquecer-te
Burlei todos os códigos para proteger-te
Ganhei decepções mil a perecer-me
Virei uma caricatura de mim mesmo ao conhecer-te
Doenças, tédios, minha rotina é obscura
Busquei uma cura, mas falhei
Apelei a crenças, vil engano, piorei
Enredei em tramas amorosas, estrepei-me
Botei todo blood on the tracks, nem Dylan entendeu
O asco da tua boca repaginou-me
Fiasco de vida que me traz um parco orgulho de lembranças passadas
Vi-me careta para ter o teu orgulho
Vi minha vida tornar-se uma piada
Teu corpo foi minha maior cilada
Cai-me a poeira da escuridão
Traz-me um copo de amor, oh solidão!
Fito a amargura da felicidade
Falsidade é a bandeira da humanidade
Tragai-me para a infinitude da banalidade
NOT DARK YET
(Bob Dylan)
Shadows are falling and I've been here all day
It's too hot to sleep time is running away
Feel like my soul has turned into steel
I've still got the scars that the sun didn't heal
There's not even room enough to be anywhere
It's not dark yet, but it's getting there
Well my sense of humanity has gone down the drain
Behind every beautiful thing there's been some kind of pain
She wrote me a letter and she wrote it so kind
She put down in writing what was in her mind
I just don't see why I should even care
It's not dark yet, but it's getting there
Well, I've been to London and I've been to gay Paree
I've followed the river and I got to the sea
I've been down on the bottom of a world full of lies
I ain't looking for nothing in anyone's eyes
Sometimes my burden seems more than I can bear
It's not dark yet, but it's getting there
I was born here and I'll die here against my will
I know it looks like I'm moving, but I'm standing still
Every nerve in my body is so vacant and numb
I can't even remember what it was I came here to get away from
Don't even hear a murmur of a prayer
It's not dark yet, but it's getting there.
Fiz-me tolo
Fiz-me pueril
Tornei-me escravo das suas entranhas
Cuspi todo o resto de orgulho das minhas veias
Perdi-me na poeira das estradas em busca de ti
Acabei-me em confusões mentais bruscas
Fixei-me em locais vis para esquecer-te
Burlei todos os códigos para proteger-te
Ganhei decepções mil a perecer-me
Virei uma caricatura de mim mesmo ao conhecer-te
Doenças, tédios, minha rotina é obscura
Busquei uma cura, mas falhei
Apelei a crenças, vil engano, piorei
Enredei em tramas amorosas, estrepei-me
Botei todo blood on the tracks, nem Dylan entendeu
O asco da tua boca repaginou-me
Fiasco de vida que me traz um parco orgulho de lembranças passadas
Vi-me careta para ter o teu orgulho
Vi minha vida tornar-se uma piada
Teu corpo foi minha maior cilada
Cai-me a poeira da escuridão
Traz-me um copo de amor, oh solidão!
Fito a amargura da felicidade
Falsidade é a bandeira da humanidade
Tragai-me para a infinitude da banalidade
NOT DARK YET
(Bob Dylan)
Shadows are falling and I've been here all day
It's too hot to sleep time is running away
Feel like my soul has turned into steel
I've still got the scars that the sun didn't heal
There's not even room enough to be anywhere
It's not dark yet, but it's getting there
Well my sense of humanity has gone down the drain
Behind every beautiful thing there's been some kind of pain
She wrote me a letter and she wrote it so kind
She put down in writing what was in her mind
I just don't see why I should even care
It's not dark yet, but it's getting there
Well, I've been to London and I've been to gay Paree
I've followed the river and I got to the sea
I've been down on the bottom of a world full of lies
I ain't looking for nothing in anyone's eyes
Sometimes my burden seems more than I can bear
It's not dark yet, but it's getting there
I was born here and I'll die here against my will
I know it looks like I'm moving, but I'm standing still
Every nerve in my body is so vacant and numb
I can't even remember what it was I came here to get away from
Don't even hear a murmur of a prayer
It's not dark yet, but it's getting there.
domingo, 25 de outubro de 2009
DOIS POEMAS RELIGIOSOS
B U S C A
Busco-me em minas profundas
A ver se me descubro tesouro
Potes transluzindo ouro e diamantes
Para ver se lá no fundo me encontro
Maior e melhor, como nunca dantes
Senhor de minhas faculdades
Reerga-me com a força de gigantes,
Rebentando o grilhão dos medos e das saudades
Na escuridão dessas minas
Paradoxalmente possa ver-me melhor
E descobrir o herói, o guerreiro, o artista
Que porventura em mim existam
Quase asfixiados
Na inércia dos acanhados
Medito para ver se me materializo num santuário
Onde os sonhos vêm trazer oferendas
Para forças imortais cheias de plenitudes
Também mergulho-me nos meus oceanos
Para ver se descubro pérolas de antigos naufrágios
Jóias esquecidas em longos anos de afogamento
Essa busca, não sei bem aonde dará
Mas a recompensa de caminhar não são os passos dados,
Onde quer que os pés descansem, no fim da longa jornada?
Mas intuo: essa busca há de me revelar a mim
Para que descanse nos braços da quietude, enfim
Essa busca há de me revelar Deus, também.
Que é tudo a que tenho ansiado. Amém!
O PONTO DEUS
À noite, as vastidões do nada me aterram!
Tenho estado de Deus uma vida inteira ausente...
Ajuda-me Senhor a desvendar o tudo no nada presente:
Quero vislumbrar o espaço infinito no átomo
Quero sentir a eternidade nas asas do átimo
Quero ver e sentir muito mais, muito além
Do que se vê e sente
Os abismos incomensuráveis da matéria é fera
Que enregela as fibras do meu coração
Sei agora - sabemos todos:
Nossa mente para crer fora forjada
Por um martelo e uma bigorna divina
Porque só assim faz sentido e suporta-se
Esta brevíssima e agônica jornada
Sou um falso profeta da matéria
Do frio silêncio universal...
Tudo mentira banal!
Sou um falso crente do acaso e da probabilidade
Porque em tudo agora vejo um sentido e uma verdade
Tádzio Nanan
Busco-me em minas profundas
A ver se me descubro tesouro
Potes transluzindo ouro e diamantes
Para ver se lá no fundo me encontro
Maior e melhor, como nunca dantes
Senhor de minhas faculdades
Reerga-me com a força de gigantes,
Rebentando o grilhão dos medos e das saudades
Na escuridão dessas minas
Paradoxalmente possa ver-me melhor
E descobrir o herói, o guerreiro, o artista
Que porventura em mim existam
Quase asfixiados
Na inércia dos acanhados
Medito para ver se me materializo num santuário
Onde os sonhos vêm trazer oferendas
Para forças imortais cheias de plenitudes
Também mergulho-me nos meus oceanos
Para ver se descubro pérolas de antigos naufrágios
Jóias esquecidas em longos anos de afogamento
Essa busca, não sei bem aonde dará
Mas a recompensa de caminhar não são os passos dados,
Onde quer que os pés descansem, no fim da longa jornada?
Mas intuo: essa busca há de me revelar a mim
Para que descanse nos braços da quietude, enfim
Essa busca há de me revelar Deus, também.
Que é tudo a que tenho ansiado. Amém!
O PONTO DEUS
À noite, as vastidões do nada me aterram!
Tenho estado de Deus uma vida inteira ausente...
Ajuda-me Senhor a desvendar o tudo no nada presente:
Quero vislumbrar o espaço infinito no átomo
Quero sentir a eternidade nas asas do átimo
Quero ver e sentir muito mais, muito além
Do que se vê e sente
Os abismos incomensuráveis da matéria é fera
Que enregela as fibras do meu coração
Sei agora - sabemos todos:
Nossa mente para crer fora forjada
Por um martelo e uma bigorna divina
Porque só assim faz sentido e suporta-se
Esta brevíssima e agônica jornada
Sou um falso profeta da matéria
Do frio silêncio universal...
Tudo mentira banal!
Sou um falso crente do acaso e da probabilidade
Porque em tudo agora vejo um sentido e uma verdade
Tádzio Nanan
sábado, 24 de outubro de 2009
O N Í V O R O
Vivamos livres, sem limites
Condenados à liberdade
Ao ócio, aos instintos
Como deuses loucos e lindos
Um nome?
Uma identidade?
Não nos serve...
Somos tudo, somos todos
E somos nada
Certezas e saudades?
Emprego e propriedades?
Correntes que nos agrilhoam
Falsos ideais a nos escravizar
Sem destino, sigamos
Para além do que já foi pensado e vivido
Inventemos novos sentidos para a vida
Novas trilhas para o mundo
Para a mente
Para a gente
Morte à pátria, à religião
Ao Capital e à moeda
Não nos basta o que temos:
O mundo, a humanidade, a filosofia, a arte?
E o futuro, gestado em nossas mentes
Qualquer coisa estranha a nós mesmos, não nos serve...
Por que degredar-se para longe de si mesmo, degradar-se?
Revoguemos tempos e espaços
Vamos ter o que é nosso
Façamos com nosso braço
Digamos com nossa boca
Vejamos com nossos olhos
Sintamos no nosso corpo
Esqueçamos das convenções
Pseudo-verdades alardeadas
Desacreditemos de tudo
Quem disse que esta era a ordem?
Que tal era a verdade?
As verdades são tantas quantas as estrelas no céu
E tão voláteis quanto os segundos no tempo
O caos é a única ordem que se fez
O acaso, o fortuito, o contingente
*
Cordeiro, abandones teu rebanho
Te entregues à liberdade
Não há lei, autoridade, hierarquia
Vivas no reino da anarquia
Onde todos somos absolutamente iguais
D i f e r e n t e m e n t e
Onde todos somos absolutamente distintos
I g u a l m e n t e
Não há nada que não queiras
Rias em desafio
Batas no peito com força
Enfrentes o establishment
Enfrentes o mainstream
Até que tremam, claudicando
Enfrentes! Que sejas tigre
Não cordeiro
Escrevas com teu punho
Creias na tua obra
Caminhes com teus pés
Marques teus próprios passos
Esqueças os dos outros
Se os outros são cobardes
Sejas intimorato, força telúrica
Obra plena em si mesma
E se fores viver, vivas livre
E se fores morrer, morras livre
Revogues tua escravidão
Removas tua corrente
Te resgates do teu cárcere
E vivas livre e morras livre
Enfrentes os tiranos
Os tiranos merecem a morte
Enfrentes teus inimigos
Os inimigos merecem a morte
O medo, a morte, esqueça-os
Amplies-te i n f i n i t a m e n t e
Tua vocação é para a liberdade
Não queiras ter fronteiras
Somos todos infinitos, em contínua expansão
Sem começo, nem termo, como os universos na eternidade
Não queiras ter posse nenhuma, senão tu mesmo
E o mundo, a humanidade, o futuro
Que é tudo teu, que é tudo nosso
Que é de todo mundo
E de ninguém
Tádzio Nanan
Condenados à liberdade
Ao ócio, aos instintos
Como deuses loucos e lindos
Um nome?
Uma identidade?
Não nos serve...
Somos tudo, somos todos
E somos nada
Certezas e saudades?
Emprego e propriedades?
Correntes que nos agrilhoam
Falsos ideais a nos escravizar
Sem destino, sigamos
Para além do que já foi pensado e vivido
Inventemos novos sentidos para a vida
Novas trilhas para o mundo
Para a mente
Para a gente
Morte à pátria, à religião
Ao Capital e à moeda
Não nos basta o que temos:
O mundo, a humanidade, a filosofia, a arte?
E o futuro, gestado em nossas mentes
Qualquer coisa estranha a nós mesmos, não nos serve...
Por que degredar-se para longe de si mesmo, degradar-se?
Revoguemos tempos e espaços
Vamos ter o que é nosso
Façamos com nosso braço
Digamos com nossa boca
Vejamos com nossos olhos
Sintamos no nosso corpo
Esqueçamos das convenções
Pseudo-verdades alardeadas
Desacreditemos de tudo
Quem disse que esta era a ordem?
Que tal era a verdade?
As verdades são tantas quantas as estrelas no céu
E tão voláteis quanto os segundos no tempo
O caos é a única ordem que se fez
O acaso, o fortuito, o contingente
*
Cordeiro, abandones teu rebanho
Te entregues à liberdade
Não há lei, autoridade, hierarquia
Vivas no reino da anarquia
Onde todos somos absolutamente iguais
D i f e r e n t e m e n t e
Onde todos somos absolutamente distintos
I g u a l m e n t e
Não há nada que não queiras
Rias em desafio
Batas no peito com força
Enfrentes o establishment
Enfrentes o mainstream
Até que tremam, claudicando
Enfrentes! Que sejas tigre
Não cordeiro
Escrevas com teu punho
Creias na tua obra
Caminhes com teus pés
Marques teus próprios passos
Esqueças os dos outros
Se os outros são cobardes
Sejas intimorato, força telúrica
Obra plena em si mesma
E se fores viver, vivas livre
E se fores morrer, morras livre
Revogues tua escravidão
Removas tua corrente
Te resgates do teu cárcere
E vivas livre e morras livre
Enfrentes os tiranos
Os tiranos merecem a morte
Enfrentes teus inimigos
Os inimigos merecem a morte
O medo, a morte, esqueça-os
Amplies-te i n f i n i t a m e n t e
Tua vocação é para a liberdade
Não queiras ter fronteiras
Somos todos infinitos, em contínua expansão
Sem começo, nem termo, como os universos na eternidade
Não queiras ter posse nenhuma, senão tu mesmo
E o mundo, a humanidade, o futuro
Que é tudo teu, que é tudo nosso
Que é de todo mundo
E de ninguém
Tádzio Nanan
JP, UM (ANTI-)HERÓI BRASILEIRO
Quando o encontrei, estava transtornado. Via-se isso na face afogueada, nos olhos esbugalhados, no lábio inferior que tremia um pouco até. Também, havia horas que se enchia de cachaça, repassando o infortúnio detalhe a detalhe. Nunca o vira num tal estado. Justo ele, alma de bem com a vida, pouquíssimas responsabilidades, anarquista muito bem sucedido no propósito de não ser fiel a coisa alguma senão a si mesmo, puro instinto, tão leve e errante quanto um flato ao vento. E o que sucedera? Uma mulher, claro, que é o que sucede, cedo ou tarde, para o bem ou para o mal, na vida de qualquer homem. Sempre fora mulherengo e elas viviam correndo atrás dele; bem-apessoado, tem dinheiro no banco, apesar de ser apenas medianamente inteligente e de ter um senso de humor desses que não se entende muito bem. Com o mulheril sua filosofia de vida era nunca ser fiel nem exigir delas que o fossem. Mas com a Maninha a coisa era um pouco diferente. Desde o começo ela mexera com suas entranhas de uma forma que não imaginaria em outros tempos. Algo nela o tocara profundamente e agora ele se servia dela como quem se serve de uma droga poderosa que causa dependência física, psíquica e moral. Estava verdadeiramente afeiçoado à pequena. E como eu disse, J.P nunca fora disso, muito pelo contrário, menoscabava o amor romântico em todas suas possíveis manifestações. Na sua cabecinha sensual e pueril tudo se resumia a sexo, o mundo seria basicamente a penetração de falos em vaginas. Enfim, o caso é que eles viviam num relacionamento aberto e até onde vigorasse a total ignorância do que cada um fazia nas horas de ausência um do outro, estava tudo bem, estava tudo certo. Entanto, dias atrás ele achou o diário da pequena sobre a cama e não resistiu. Como um bom malandro pouquíssimo afeito às questões morais e éticas, mergulhou fundo nas páginas do livrinho para incontinenti mergulhar fundo na melancolia do desapontamento. Descobriu lá que Maninha tinha transado simplesmente com mais de duas dezenas de picas nos últimos doze meses, doses cavalares de sexo na veia, overdose mesmo, coisa da pesada, hardcore. Aquilo o afetou sobremaneira porque ele sequer se apercebera da quantidade de vezes que ela se satisfizera fora de casa. Mas o que mais o indignava é que não obstante todo seu empenho, contumaz e cotidiano, ele só se metera em doze bocetinhas no mesmo período (um terço das quais, pagando). Era ultrajante, mesmo insuportável quando descobria uma mulher que se esbaldava na luxúria muito mais do que ele próprio conseguia; justo ele que se considerava o maior dos putanheiros da Terra Brasilis. E foi para me contar esse causo que me chamou para beber consigo naquele dia...
Tristão da Isolda
Amigo e confidente do JP
Tristão da Isolda
Amigo e confidente do JP
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
DOIS POEMAS
(1)
Vencer o destino
Indo além do previsto
Insisto no desatino
Ir além do concreto e do real
Mergulhando no secreto e no ideal
E viver nos sonhos
S o n h o s
T a m a n h o s
Suplantar o fim
E renascer
Menino
Numa espiral
Recorrente
Ser imortal
E inconseqüente
Poeta do excesso e do abscesso
Versejando o avesso e o transversal
Nunca onde posto
Uno e composto
Este e o oposto
Peito arquejando
O inarrável
Veia transbordando
O mistério
Expandindo meus desejos
Na anti-gravidade das horas
Expandindo meu universo
Com a imprevisibilidade do verso
(2)
Sou vário
Multifário
Alegria e calvário
Ao sabor das horas
E das desoras...
Eterno como os números
E fugaz como as palavras...
Virtudes ímpares
Pecados plurais
Razão e absurdo
Clamor surdo...
Livro inconcluso
Que se reescreve
Na urgência
Do que nasce
Ou morre...
Viandante
Que parte para onde ignora
Mas chega sempre onde mora
Porque mora em tudo...
Mundos
Ardentes
Diferentes
De mim mesmo...
Passos à toa
Perdidos uns dos outros...
Sem fim, sem começo
Todo dia me esqueço
Todo noite amanheço
Buscando por Deus
Mas não sei se o mereço...
Tádzio Nanan
Vencer o destino
Indo além do previsto
Insisto no desatino
Ir além do concreto e do real
Mergulhando no secreto e no ideal
E viver nos sonhos
S o n h o s
T a m a n h o s
Suplantar o fim
E renascer
Menino
Numa espiral
Recorrente
Ser imortal
E inconseqüente
Poeta do excesso e do abscesso
Versejando o avesso e o transversal
Nunca onde posto
Uno e composto
Este e o oposto
Peito arquejando
O inarrável
Veia transbordando
O mistério
Expandindo meus desejos
Na anti-gravidade das horas
Expandindo meu universo
Com a imprevisibilidade do verso
(2)
Sou vário
Multifário
Alegria e calvário
Ao sabor das horas
E das desoras...
Eterno como os números
E fugaz como as palavras...
Virtudes ímpares
Pecados plurais
Razão e absurdo
Clamor surdo...
Livro inconcluso
Que se reescreve
Na urgência
Do que nasce
Ou morre...
Viandante
Que parte para onde ignora
Mas chega sempre onde mora
Porque mora em tudo...
Mundos
Ardentes
Diferentes
De mim mesmo...
Passos à toa
Perdidos uns dos outros...
Sem fim, sem começo
Todo dia me esqueço
Todo noite amanheço
Buscando por Deus
Mas não sei se o mereço...
Tádzio Nanan
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
D E S E S P E R A N Ç A
Em etílico assomo brada
O cobarde a desdita que o enfada:
“De outrem o fado cumprido
A vida é vazia, os dias, sofridos”...
No íntimo exílio, à mesa de Baco
Olvida-se com álcool e tabaco
Receando os algozes, os imigos
Prostrado por tantos castigos...
Ímpeto que o fizesse afrontar
E o vestisse de aço, pra pugnar...
Só teme. Quisera assustar!
Sonho que o incitasse a lutar
E o erguesse pra uma revolução comandar...
Mas morre. Quisera matar!
Tádzio Nanan
O cobarde a desdita que o enfada:
“De outrem o fado cumprido
A vida é vazia, os dias, sofridos”...
No íntimo exílio, à mesa de Baco
Olvida-se com álcool e tabaco
Receando os algozes, os imigos
Prostrado por tantos castigos...
Ímpeto que o fizesse afrontar
E o vestisse de aço, pra pugnar...
Só teme. Quisera assustar!
Sonho que o incitasse a lutar
E o erguesse pra uma revolução comandar...
Mas morre. Quisera matar!
Tádzio Nanan
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
LOBISOMEM
(1)
A fera
Espera
O momento certo
De erguer o cetro
Impera
No instante
Em que se encerra
A censura da consciência
Esmera-se na vertigem da lucidez
E assoma na insensatez das paixões humanas
(2)
Um lobo corre
No labirinto da tua
Existência
Até que ele acha a saída
E destrona tua fugaz
Consciência
(3)
No esfíngico rincão
Do inconsciente
O primitivo que há em nós
Movimenta sua mão devastadora
No espelho
Esse antípoda de nós
Algoz silente e atroz
Íncubo que atormenta
A humanidade de todos
Medo de mim e dos outros
Hedionda face na íntima janela
Animal fugido da cela
Tádzio Nanan
A fera
Espera
O momento certo
De erguer o cetro
Impera
No instante
Em que se encerra
A censura da consciência
Esmera-se na vertigem da lucidez
E assoma na insensatez das paixões humanas
(2)
Um lobo corre
No labirinto da tua
Existência
Até que ele acha a saída
E destrona tua fugaz
Consciência
(3)
No esfíngico rincão
Do inconsciente
O primitivo que há em nós
Movimenta sua mão devastadora
No espelho
Esse antípoda de nós
Algoz silente e atroz
Íncubo que atormenta
A humanidade de todos
Medo de mim e dos outros
Hedionda face na íntima janela
Animal fugido da cela
Tádzio Nanan
terça-feira, 20 de outubro de 2009
D E S P E R T A R
por Tádzio Nanan
Enfim, a manhã de uma vastíssima noite!
Lentamente, as mulheres se vão despertando
Seus olhos desvirginam-se diante do espetáculo da luz: formas mil, mil possibilidades
Os corações estão secos:
Ó sede!
As mentes estão ávidas:
Ó fome!
As almas sonham com a amplidão:
Ó calor!
Abrem os braços, sequiosas do mundo inteiro: é um convite à Existência, deusa-mãe, para compartilhar com elas os mistérios profundos da vida
São desejos vorazes, forças fluindo livremente, revoluções em marcha
Mas ainda não se levantam. Por que não se levantam?
Porque também há muita confusão e dúvida
São um turbilhão de sentimentos, emoções, razões e desrazões
São os séculos que pesam insuportavelmente sobre seus ombros. A carga dos velhos dilemas e dos paradigmas depauperados
Têm de vencer suas sombras, transpor seus abismos
Têm de matar a si mesmas, para nascer inteiramente outras
Em breve, ágeis e destemidas, correrão atravessando os espaços e as horas. Mas não ainda, não ainda...
As mulheres, enfim, descobriram a história
Logo, logo a história também fará sua maior descoberta: a história das mulheres, o limiar da verdadeira História
Tornar-se-ão melhores reciprocamente? Sim!
Que transformações sucederão em ambas? Todas!
Algumas mulheres exigem do mundo uma indenização pela história ter sido o que foi
Paguem, vociferam, pela nossa doída plurissecular inexistência, por nosso amor castigado, por nosso corpo aviltado, ferido, vendido e comprado, por nossa delicadeza humilhada pela força, por nossa dignidade seqüestrada pelo dinheiro, por nossa inútil entrega aos bárbaros e aos brutos, por nossa inteligência castrada pelos covardes
As mulheres querem revanche!
As mulheres querem revanche?
Não. Somente aquelas que ainda não compreenderam a grandeza do momento, aferrando-se ao ontem, ao invés de imaginar e erguer o amanhã
É porque enquanto o novo não se impõe, o passado chora à sua porta e dói nos corpos como Roma doeu no corpo do Cristo
É porque ainda não se encontraram totalmente (enquanto os homens se têm perdido)
Estão no meio da travessia
É duro estar no meio da travessia
Caminham num labirinto escuro, não se enxerga um dia à frente
Caem de alturas infinitas
São arrebatadas por forças ignotas
Suas identidades tragadas em redemoinhos emocionais
Injetam miríade de delírios nas veias
Têm os corações explodidos
Têm as vulvas em brasa
E repercutem o grito de Munch
E enlouquecem como o pintor holandês
E desistem como os suicidas
E se envenenam lentamente (enquanto envenenam o mundo com a cicuta das feridas supuradas)
Olham-se no inexorável espelho da alma
E vêem o monstro de Frankenstein:
Um pesadelo composto de mil pedaços ainda não revelados
Não sabem quem são
E dói ignorar quem se é, o que se é, o que se quer
Partem em busca de si
Perseguem-se
Capturam-se
Confessarão?
A verdade pode doer. Não vão querer ferir seus ouvidos com a verdade...
Não! Querem sim saber da verdade, porque têm coragem
(A verdade é só para os que têm coragem)
Querem saber quem são
Querem decifrar este enigma
Traduzir os arcanos do feminino, plantados em seus corações desde tempos imemoriais
Mas ainda há muita ignorância. E o caos
Ainda sonham com a maternidade, ou preferem uma liberdade egocêntrica??
Trocariam uma vida de doçura e calma pela pantomima cínico-traiçoeira do poder, do dinheiro e da glória??
Anseiam por ter o respeito, quem sabe o temor dos homens, ter o mundo a seus pés?? Ou preferem, humildes, ajoelhar-se e beijar os pés da Terra??
Um homem (o ideal)?? Ou todos?? Ou nenhum??
Ó sede!
Ó fome!
Ó calor!
Levantam-se
Tropeçam, caem, soerguem-se
E avançam
A marcha de um exército?
Um cortejo pacífico?
Aí vêm elas:
Sombra e objeto
Potência e ato
Sonho e labor
Escuridão e luz
Mas, desde já, livres de todo senhor e de toda cruz!
Enfim, a manhã de uma vastíssima noite!
Lentamente, as mulheres se vão despertando
Seus olhos desvirginam-se diante do espetáculo da luz: formas mil, mil possibilidades
Os corações estão secos:
Ó sede!
As mentes estão ávidas:
Ó fome!
As almas sonham com a amplidão:
Ó calor!
Abrem os braços, sequiosas do mundo inteiro: é um convite à Existência, deusa-mãe, para compartilhar com elas os mistérios profundos da vida
São desejos vorazes, forças fluindo livremente, revoluções em marcha
Mas ainda não se levantam. Por que não se levantam?
Porque também há muita confusão e dúvida
São um turbilhão de sentimentos, emoções, razões e desrazões
São os séculos que pesam insuportavelmente sobre seus ombros. A carga dos velhos dilemas e dos paradigmas depauperados
Têm de vencer suas sombras, transpor seus abismos
Têm de matar a si mesmas, para nascer inteiramente outras
Em breve, ágeis e destemidas, correrão atravessando os espaços e as horas. Mas não ainda, não ainda...
As mulheres, enfim, descobriram a história
Logo, logo a história também fará sua maior descoberta: a história das mulheres, o limiar da verdadeira História
Tornar-se-ão melhores reciprocamente? Sim!
Que transformações sucederão em ambas? Todas!
Algumas mulheres exigem do mundo uma indenização pela história ter sido o que foi
Paguem, vociferam, pela nossa doída plurissecular inexistência, por nosso amor castigado, por nosso corpo aviltado, ferido, vendido e comprado, por nossa delicadeza humilhada pela força, por nossa dignidade seqüestrada pelo dinheiro, por nossa inútil entrega aos bárbaros e aos brutos, por nossa inteligência castrada pelos covardes
As mulheres querem revanche!
As mulheres querem revanche?
Não. Somente aquelas que ainda não compreenderam a grandeza do momento, aferrando-se ao ontem, ao invés de imaginar e erguer o amanhã
É porque enquanto o novo não se impõe, o passado chora à sua porta e dói nos corpos como Roma doeu no corpo do Cristo
É porque ainda não se encontraram totalmente (enquanto os homens se têm perdido)
Estão no meio da travessia
É duro estar no meio da travessia
Caminham num labirinto escuro, não se enxerga um dia à frente
Caem de alturas infinitas
São arrebatadas por forças ignotas
Suas identidades tragadas em redemoinhos emocionais
Injetam miríade de delírios nas veias
Têm os corações explodidos
Têm as vulvas em brasa
E repercutem o grito de Munch
E enlouquecem como o pintor holandês
E desistem como os suicidas
E se envenenam lentamente (enquanto envenenam o mundo com a cicuta das feridas supuradas)
Olham-se no inexorável espelho da alma
E vêem o monstro de Frankenstein:
Um pesadelo composto de mil pedaços ainda não revelados
Não sabem quem são
E dói ignorar quem se é, o que se é, o que se quer
Partem em busca de si
Perseguem-se
Capturam-se
Confessarão?
A verdade pode doer. Não vão querer ferir seus ouvidos com a verdade...
Não! Querem sim saber da verdade, porque têm coragem
(A verdade é só para os que têm coragem)
Querem saber quem são
Querem decifrar este enigma
Traduzir os arcanos do feminino, plantados em seus corações desde tempos imemoriais
Mas ainda há muita ignorância. E o caos
Ainda sonham com a maternidade, ou preferem uma liberdade egocêntrica??
Trocariam uma vida de doçura e calma pela pantomima cínico-traiçoeira do poder, do dinheiro e da glória??
Anseiam por ter o respeito, quem sabe o temor dos homens, ter o mundo a seus pés?? Ou preferem, humildes, ajoelhar-se e beijar os pés da Terra??
Um homem (o ideal)?? Ou todos?? Ou nenhum??
Ó sede!
Ó fome!
Ó calor!
Levantam-se
Tropeçam, caem, soerguem-se
E avançam
A marcha de um exército?
Um cortejo pacífico?
Aí vêm elas:
Sombra e objeto
Potência e ato
Sonho e labor
Escuridão e luz
Mas, desde já, livres de todo senhor e de toda cruz!
domingo, 18 de outubro de 2009
A SÉTIMA ARTE AO ALCANCE DE TODOS
Eis mais algumas sugestões de filmes interessantes para os cinéfilos diletantes de plantão, ávidos por uma nova descoberta cinematográfica (assim como eu).
Alguém pode dizer: é perda de tempo; “o cinema é só ilusão”* (e com toda a razão). Mas e daí? A vida também é uma “grande ilusão”** e nem por isso a gente abdica de viver!
*Lobão
**Vinícius de Moraes
1) Réquiem para um sonho (Darren Aronofsky, 2000)
2) Doze homens e uma sentença (Sidney Lumet, 1957)
3) Antes só do que mal casado (Bobby e Peter Farelly, 2007)
4) Oldboy (Chan-Wook Park, 2003)
5) Rio vermelho (Howard Hawks, 1948)
6) O escafandro e a borboleta (Julian Schnabel, 2007)
7) As invasões bárbaras (Denys Arcand, 2003)
8) O homem elefante (David Lynch, 1980)
9) Buena Vista Social Club (Wim Wenders, 1999)
10) Sonata de outono (Ingmar Bergman, 1978)
Tádzio Nanan
Alguém pode dizer: é perda de tempo; “o cinema é só ilusão”* (e com toda a razão). Mas e daí? A vida também é uma “grande ilusão”** e nem por isso a gente abdica de viver!
*Lobão
**Vinícius de Moraes
1) Réquiem para um sonho (Darren Aronofsky, 2000)
2) Doze homens e uma sentença (Sidney Lumet, 1957)
3) Antes só do que mal casado (Bobby e Peter Farelly, 2007)
4) Oldboy (Chan-Wook Park, 2003)
5) Rio vermelho (Howard Hawks, 1948)
6) O escafandro e a borboleta (Julian Schnabel, 2007)
7) As invasões bárbaras (Denys Arcand, 2003)
8) O homem elefante (David Lynch, 1980)
9) Buena Vista Social Club (Wim Wenders, 1999)
10) Sonata de outono (Ingmar Bergman, 1978)
Tádzio Nanan
FILOSOFIA EM DOSES HOMEOPÁTICAS parte 1
Acalmai-vos! O desespero nunca foi bom conselheiro
Quanto maior a especialização, maior a alienação
Ora, Freud, o que querem as mulheres? Elas querem tudo! E o querem os homens? Mulheres!!
Ninguém segura um homem quando ele não tem nada a perder. Ninguém segura uma mulher quando ela simplesmente quer
Os homens são simples: tudo que eles têm gostariam de ter mais; as mulheres são complexas: tudo que elas têm gostariam de ter melhor
Atacar os outros revela o quão fraco você é, não o quão forte
Quem crê em Deus será tentado pelo Diabo
A solidão é um sol que dá vida, mas que também caustica
Duvido, logo penso. "Penso, logo existo". Duvido, logo existo
Tádzio Nanan
Quanto maior a especialização, maior a alienação
Ora, Freud, o que querem as mulheres? Elas querem tudo! E o querem os homens? Mulheres!!
Ninguém segura um homem quando ele não tem nada a perder. Ninguém segura uma mulher quando ela simplesmente quer
Os homens são simples: tudo que eles têm gostariam de ter mais; as mulheres são complexas: tudo que elas têm gostariam de ter melhor
Atacar os outros revela o quão fraco você é, não o quão forte
Quem crê em Deus será tentado pelo Diabo
A solidão é um sol que dá vida, mas que também caustica
Duvido, logo penso. "Penso, logo existo". Duvido, logo existo
Tádzio Nanan
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
DIALÉTICA DO AUTO-ESCLARECIMENTO

Debato-me
Numa dialética desvairada
Caminho a esmo para ver se caminhando
Meus pés me indicam a estrada
Que dará em mim mesmo
Quando enfim me tenha
Como morada
Abalo as estruturas do meu pensamento
Rego as antíteses, colho as contradições
E num turbilhão caótico de experimentos
Acho a Verdade em preces e orações
Que Deus é tudo
É mudo
Mas fala aos corações
Repercutem em mim vozes conflitantes
Sobre as grandes questões civilizatórias
Ah, saudades daquele juvenil estupor
Daquelas simplórias certezas de antes
Quando não ouvia o clamor
Dos esquecidos
Nem conhecia
Toda a falaciosa ideologia
Dos bem-nascidos
E meus sentimentos
Numa espiral malsã
Deserdados sem coração que os entenda
Exilados, sem ontem, hoje, amanhã
Contraponho-os, numa acareação ilusória
Donde extraio só mais confusão sensória
Com eles componho
Os infaustos poemas
Que a vida vai me ajudando a tecer
Sequioso pelo momento de alvorecer
Tádzio Nanan
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
G E R M I N A L
Serei conseqüência e causa da minha vontade,
Para que, preso, possa libertar-me, num grito.
Contemporizem, ao que promovo o conflito,
Para, ao calar, ter já exaurido o que arde.
Retrato fiel da própria verdade, eu serei EU.
No silêncio da noite gesto-me, ávido do dia,
Nutrido com a fé da mais imortal utopia:
Fundar outra humanidade, como Prometeu.
E serei todos que queira, como num sonho
(onde as múltiplas faces na mesma face ponho)
Enquanto o adicto desta ordem séptica
Paralítico e abúlico, só debilidade
Forja o grilhão da própria liberdade
E degenera-se numa covardia céptica
Tádzio Nanan
Para que, preso, possa libertar-me, num grito.
Contemporizem, ao que promovo o conflito,
Para, ao calar, ter já exaurido o que arde.
Retrato fiel da própria verdade, eu serei EU.
No silêncio da noite gesto-me, ávido do dia,
Nutrido com a fé da mais imortal utopia:
Fundar outra humanidade, como Prometeu.
E serei todos que queira, como num sonho
(onde as múltiplas faces na mesma face ponho)
Enquanto o adicto desta ordem séptica
Paralítico e abúlico, só debilidade
Forja o grilhão da própria liberdade
E degenera-se numa covardia céptica
Tádzio Nanan
sábado, 10 de outubro de 2009
AUTO-RETRATO POÉTICO
AVESSO
Prisioneiro, libertava
Ausente, convivia
São, contemplava
O que outro olhar via
Crente, duvidava
Estéril, concebia
Alienado, asseverava
O quanto não sabia
Consagrado, pregava
Ira, infâmia e orgia
Imberbe, desfolhava
Asceta, consumia
Iluminado, inventava
A superação do dia
POLIMORFIA
Minha personalidade ciclotímica
Fixamente inconstante
Ousando vôo periclitante
Refém de insidiosa química
Minha personalidade grandiloqüente
Tudo diz quando cala
Ouve o que não se fala
E diz a verdade, mas mente
Minha personalidade Hollywoodiana
Dúbia personagem em cena
Nenhum roteiro a coordena
Teatralmente insana
Minha personalidade mitológica
Fênix, renascendo
Sendo, não sendo
Em sua meta-lógica
Minha personalidade cibernética
Tende a equilibrar-se no Caos
Corrigi-se auscultando os maus
É apostolicamente cética
Minha personalidade barroca
Quer ser os extremos do fio
Quer ser a castidade do cio
Repleta de tudo, mas oca
Tádzio Nanan
Prisioneiro, libertava
Ausente, convivia
São, contemplava
O que outro olhar via
Crente, duvidava
Estéril, concebia
Alienado, asseverava
O quanto não sabia
Consagrado, pregava
Ira, infâmia e orgia
Imberbe, desfolhava
Asceta, consumia
Iluminado, inventava
A superação do dia
POLIMORFIA
Minha personalidade ciclotímica
Fixamente inconstante
Ousando vôo periclitante
Refém de insidiosa química
Minha personalidade grandiloqüente
Tudo diz quando cala
Ouve o que não se fala
E diz a verdade, mas mente
Minha personalidade Hollywoodiana
Dúbia personagem em cena
Nenhum roteiro a coordena
Teatralmente insana
Minha personalidade mitológica
Fênix, renascendo
Sendo, não sendo
Em sua meta-lógica
Minha personalidade cibernética
Tende a equilibrar-se no Caos
Corrigi-se auscultando os maus
É apostolicamente cética
Minha personalidade barroca
Quer ser os extremos do fio
Quer ser a castidade do cio
Repleta de tudo, mas oca
Tádzio Nanan
domingo, 4 de outubro de 2009
MANUSCRITOS ECONÔMICO-FILOSÓFICOS parte 2
Tádzio Nanan
Economista
Temas para discussão
Fragmentos
(1)
A renda líquida advinda da exploração do petróleo do pré-sal, vindo na magnitude esperada, pode ser fator determinante para mudarmos o curso do desenvolvimento sócio-econômico do Brasil. Realizando-se os prognósticos sobre o volume das reservas e a rentabilidade desse projeto, bem como as intenções do governo federal de aplicar a renda daí advinda em áreas essenciais (educação, cultura, ciência e tecnologia, inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e combate à pobreza) podemos ter um ponto de inflexão no curso histórico do país. É claro que teremos de evitar a “doença holandesa”: a superabundância de moeda estrangeira, que valorizando a moeda nacional afetaria severamente nossa capacidade exportadora e inundaria o país de importações a ponto de gerar a desindustrialização do país. O que seria um erro crasso até pelo fato de o petróleo ser um recurso finito, a poucas décadas de ser esgotado na natureza, cuja era já está em franco declínio (“não foi por falta de pedra que superamos a Idade da Pedra”).
O petróleo do pré-sal pode ajudar o Brasil a entrar no seleto grupo de países de renda alta e elevado desenvolvimento humano e pôr o país em condições de competir com as nações mais ricas e de maior desenvolvimento científico e tecnológico pelos mercados globais. O Brasil tem totais condições de ser um global player. Temos água em abundância – recurso que será tão valioso no século XXI quanto o petróleo o foi no século passado, muita terra agricultável (somos uma das últimas fronteiras agrícolas do mundo; temos o potencial para ser o “celeiro” do mundo, pois nossa agricultura é a mais produtiva e competitiva do mundo), possuímos um dos maiores e mais diversificados parques industriais do planeta, somos o futuro da energia limpa: energia eólica e solar, a biomassa, o etanol da cana, além das tradicionais fontes de geração de energia elétrica: hidroelétrica, carvão, petróleo, gás, e a (futuramente importantíssima para o Brasil) energia nuclear.
Não obstante as expectativas há um ponto de interrogação sobre a questão do petróleo do pré-sal: a quanto estará cotado o barril nas próximas décadas? Claro, ninguém pode dizê-lo ao certo. Mas sabe-se dos compromissos que os países deverão assumir nos próximos anos no intuito de reduzir suas emissões de gases do efeito-estufa. Se o cenário otimista concretizar-se, ou seja, se a economia global conseguir crescer economicamente com menos emissões de carbono, significa que estaremos consumindo menos combustíveis fósseis, trocando-o por fontes de energia limpas e ecologicamente sustentáveis. Portanto, se a demanda por petróleo for progressivamente menor nas próximas décadas devido ao esforço de contenção do aquecimento global, o preço da commodity poderá cair. A pergunta é: este preço menor compensará os custos de extração do petróleo do pré-sal (elevados, já que estão em águas muito profundas)? E se compensar, será suficiente para fazer os vultosos investimentos que o Estado brasileiro sonha em fazer?
No cenário mais desolador, se as nações não conseguirem um acordo geral sobre como combater o aquecimento global, a temperatura no planeta subirá dois ou mais graus centígrados até o fim do século, segundo os prognósticos dos cientistas, e aí teremos uma terrível conseqüência para os brasileiros: a riquíssima biodiversidade da floresta amazônica poderá degenerar em savana. Parece-nos, assim, que o Brasil está entre o martelo e a bigorna: no melhor cenário (de contenção do aquecimento global), perderá importância o petróleo do pré-sal; no pior cenário (considerável elevação da temperatura da Terra), a Amazônia e toda sua potencial riqueza e diversidade biológica ficarão comprometidas.
(...)
(2)
Entraves econômicos enfrentados pelos países pobres e em desenvolvimento (emergentes, na nomenclatura econômica moderna) na competição pelos mercados globais:
1) Os países do capitalismo central têm estruturas de financiamento das atividades produtivas mais adequadas. As taxas de juros são estruturalmente baixas, os prazos de financiamento, maiores, o mercado de capitais é bem desenvolvido, a poupança interna e a taxa de investimento são altas;
2) As corporações econômicas dos países ricos têm economias de escala, que significa menores custos unitários de produção, e, portanto, menor preço de venda, ganhando mercado às expensas dos concorrentes; é impossível a competição entre empreendimentos econômicos que têm escala e aqueles que não têm escala;
3) Os países mais ricos investem pesadamente em ciência e tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, inovação tecnológica, o que significa novos produtos, novos serviços, novos processos produtivos e a abertura de novos mercados; enquanto no Brasil a maior parte da C&T e da P&D são financiadas com os escassos recursos da União, através das universidades federais, sobretudo, nos países do G-7, estes investimentos são feitos pelos laboratórios das grandes corporações transnacionais;
4) A mão-de-obra é muito mais qualificada e, por isso, apresenta taxas de produtividade mais elevadas (o que gera salários mais altos);
5) Existe nestes países segurança jurídica e institucional, respeito à propriedade privada e à contratos, o que diminui riscos e custos econômicos.
Nos países pobres e em desenvolvimento, com renda per capita baixa e média, observa-se a situação contrária: 1) instabilidade política, institucional, social, jurídica e macroeconômica; 2) altos índices de pobreza e desigualdade, por si só, fatores impeditivos de maior crescimento e desenvolvimento econômico; 3) mão-de-obra com baixa escolaridade; 4) baixa produtividade do trabalho; 5) os empreendimentos produtivos não apresentam economias de escala; 6) crédito caro e de curto prazo; 7) economia de baixa inovação tecnológica; poucos investimentos em ciência e tecnologia e em pesquisa e desenvolvimento.
As teorias econômicas clássica e neoclássica afirmam que o comércio internacional (e a teoria subjacente das vantagens comparativas) e a livre movimentação de capitais (que migrariam dos países ricos, com baixa produtividade do capital, para países pobres e em desenvolvimento, com alta produtividade do capital,) concorreriam para desenvolver todos os países, tornando-os homogêneos no seu desenvolvimento sócio-econômico. É a hipótese da convergência econômica (a utopia capitalista).
Já a Cepal alerta-nos para a deterioração secular dos termos de troca, conseqüência das diferenças de valor agregado entre as exportações dos países ricos e pobres e das diferentes elasticidades-renda da demanda desses produtos. Ademais, as estatísticas têm mostrado que os fluxos de capitais têm migrado dos países emergentes para os países ricos – o contrário do apregoado pela teoria (a China, por exemplo, tem ajudado a financiar os déficits gêmeos dos EUA, investindo suas reservas multibilionárias em títulos do tesouro americano) e não há qualquer tendência perceptível de convergência sócio-econômica. Ao contrário, constata-se um crescente aumento da desigualdade sócio-econômica no planeta, entre países ricos e pobres, entre regiões ricas e pobres. Mais que isso: mesmo dentro dos países mais ricos do mundo, também aumentam a desigualdade entre regiões e classes sociais. O que fez a OCDE declarar a inoperância das políticas de redistribuição de renda. Contra evidências empíricas não há teoria que resista...
(...)
voltaremos aos temas
Economista
Temas para discussão
Fragmentos
(1)
A renda líquida advinda da exploração do petróleo do pré-sal, vindo na magnitude esperada, pode ser fator determinante para mudarmos o curso do desenvolvimento sócio-econômico do Brasil. Realizando-se os prognósticos sobre o volume das reservas e a rentabilidade desse projeto, bem como as intenções do governo federal de aplicar a renda daí advinda em áreas essenciais (educação, cultura, ciência e tecnologia, inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e combate à pobreza) podemos ter um ponto de inflexão no curso histórico do país. É claro que teremos de evitar a “doença holandesa”: a superabundância de moeda estrangeira, que valorizando a moeda nacional afetaria severamente nossa capacidade exportadora e inundaria o país de importações a ponto de gerar a desindustrialização do país. O que seria um erro crasso até pelo fato de o petróleo ser um recurso finito, a poucas décadas de ser esgotado na natureza, cuja era já está em franco declínio (“não foi por falta de pedra que superamos a Idade da Pedra”).
O petróleo do pré-sal pode ajudar o Brasil a entrar no seleto grupo de países de renda alta e elevado desenvolvimento humano e pôr o país em condições de competir com as nações mais ricas e de maior desenvolvimento científico e tecnológico pelos mercados globais. O Brasil tem totais condições de ser um global player. Temos água em abundância – recurso que será tão valioso no século XXI quanto o petróleo o foi no século passado, muita terra agricultável (somos uma das últimas fronteiras agrícolas do mundo; temos o potencial para ser o “celeiro” do mundo, pois nossa agricultura é a mais produtiva e competitiva do mundo), possuímos um dos maiores e mais diversificados parques industriais do planeta, somos o futuro da energia limpa: energia eólica e solar, a biomassa, o etanol da cana, além das tradicionais fontes de geração de energia elétrica: hidroelétrica, carvão, petróleo, gás, e a (futuramente importantíssima para o Brasil) energia nuclear.
Não obstante as expectativas há um ponto de interrogação sobre a questão do petróleo do pré-sal: a quanto estará cotado o barril nas próximas décadas? Claro, ninguém pode dizê-lo ao certo. Mas sabe-se dos compromissos que os países deverão assumir nos próximos anos no intuito de reduzir suas emissões de gases do efeito-estufa. Se o cenário otimista concretizar-se, ou seja, se a economia global conseguir crescer economicamente com menos emissões de carbono, significa que estaremos consumindo menos combustíveis fósseis, trocando-o por fontes de energia limpas e ecologicamente sustentáveis. Portanto, se a demanda por petróleo for progressivamente menor nas próximas décadas devido ao esforço de contenção do aquecimento global, o preço da commodity poderá cair. A pergunta é: este preço menor compensará os custos de extração do petróleo do pré-sal (elevados, já que estão em águas muito profundas)? E se compensar, será suficiente para fazer os vultosos investimentos que o Estado brasileiro sonha em fazer?
No cenário mais desolador, se as nações não conseguirem um acordo geral sobre como combater o aquecimento global, a temperatura no planeta subirá dois ou mais graus centígrados até o fim do século, segundo os prognósticos dos cientistas, e aí teremos uma terrível conseqüência para os brasileiros: a riquíssima biodiversidade da floresta amazônica poderá degenerar em savana. Parece-nos, assim, que o Brasil está entre o martelo e a bigorna: no melhor cenário (de contenção do aquecimento global), perderá importância o petróleo do pré-sal; no pior cenário (considerável elevação da temperatura da Terra), a Amazônia e toda sua potencial riqueza e diversidade biológica ficarão comprometidas.
(...)
(2)
Entraves econômicos enfrentados pelos países pobres e em desenvolvimento (emergentes, na nomenclatura econômica moderna) na competição pelos mercados globais:
1) Os países do capitalismo central têm estruturas de financiamento das atividades produtivas mais adequadas. As taxas de juros são estruturalmente baixas, os prazos de financiamento, maiores, o mercado de capitais é bem desenvolvido, a poupança interna e a taxa de investimento são altas;
2) As corporações econômicas dos países ricos têm economias de escala, que significa menores custos unitários de produção, e, portanto, menor preço de venda, ganhando mercado às expensas dos concorrentes; é impossível a competição entre empreendimentos econômicos que têm escala e aqueles que não têm escala;
3) Os países mais ricos investem pesadamente em ciência e tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, inovação tecnológica, o que significa novos produtos, novos serviços, novos processos produtivos e a abertura de novos mercados; enquanto no Brasil a maior parte da C&T e da P&D são financiadas com os escassos recursos da União, através das universidades federais, sobretudo, nos países do G-7, estes investimentos são feitos pelos laboratórios das grandes corporações transnacionais;
4) A mão-de-obra é muito mais qualificada e, por isso, apresenta taxas de produtividade mais elevadas (o que gera salários mais altos);
5) Existe nestes países segurança jurídica e institucional, respeito à propriedade privada e à contratos, o que diminui riscos e custos econômicos.
Nos países pobres e em desenvolvimento, com renda per capita baixa e média, observa-se a situação contrária: 1) instabilidade política, institucional, social, jurídica e macroeconômica; 2) altos índices de pobreza e desigualdade, por si só, fatores impeditivos de maior crescimento e desenvolvimento econômico; 3) mão-de-obra com baixa escolaridade; 4) baixa produtividade do trabalho; 5) os empreendimentos produtivos não apresentam economias de escala; 6) crédito caro e de curto prazo; 7) economia de baixa inovação tecnológica; poucos investimentos em ciência e tecnologia e em pesquisa e desenvolvimento.
As teorias econômicas clássica e neoclássica afirmam que o comércio internacional (e a teoria subjacente das vantagens comparativas) e a livre movimentação de capitais (que migrariam dos países ricos, com baixa produtividade do capital, para países pobres e em desenvolvimento, com alta produtividade do capital,) concorreriam para desenvolver todos os países, tornando-os homogêneos no seu desenvolvimento sócio-econômico. É a hipótese da convergência econômica (a utopia capitalista).
Já a Cepal alerta-nos para a deterioração secular dos termos de troca, conseqüência das diferenças de valor agregado entre as exportações dos países ricos e pobres e das diferentes elasticidades-renda da demanda desses produtos. Ademais, as estatísticas têm mostrado que os fluxos de capitais têm migrado dos países emergentes para os países ricos – o contrário do apregoado pela teoria (a China, por exemplo, tem ajudado a financiar os déficits gêmeos dos EUA, investindo suas reservas multibilionárias em títulos do tesouro americano) e não há qualquer tendência perceptível de convergência sócio-econômica. Ao contrário, constata-se um crescente aumento da desigualdade sócio-econômica no planeta, entre países ricos e pobres, entre regiões ricas e pobres. Mais que isso: mesmo dentro dos países mais ricos do mundo, também aumentam a desigualdade entre regiões e classes sociais. O que fez a OCDE declarar a inoperância das políticas de redistribuição de renda. Contra evidências empíricas não há teoria que resista...
(...)
voltaremos aos temas
terça-feira, 29 de setembro de 2009
DITOS ESPIRITUOSOS (OU QUASE...) parte 8
Casar com a Igreja é deitar com o Cristo
Se cair, não espere ajuda; mas se alguém cair, ofereça ajuda
Não me relaciono com classes, gêneros, raças, credos, mas com pessoas
A vitória é a ideologia (e o fetiche) dos regimes totalitários; a superação é o lema das sociedades livres
Fulano consome cocaína; cicrano, álcool; beltrano, sexo; o resto de nós consome a Indústria Cultural
A paixão, só a tolera os apaixonados
Só há uma coisa melhor que uma mulher despida: uma mulher bem vestida
Na sociedade da cobiça, o pecado é ganhar a vida com o suor do próprio rosto
Sê prudente com teus inimigos; com teus amigos também
A caridade é uma fraude: quem a faz julga-se melhor do que realmente é, e quem a recebe julga estar melhor do que realmente está
Quanto mais ouço Led Zeppelin mais gosto dos Beatles
Tádzio Nanan
Se cair, não espere ajuda; mas se alguém cair, ofereça ajuda
Não me relaciono com classes, gêneros, raças, credos, mas com pessoas
A vitória é a ideologia (e o fetiche) dos regimes totalitários; a superação é o lema das sociedades livres
Fulano consome cocaína; cicrano, álcool; beltrano, sexo; o resto de nós consome a Indústria Cultural
A paixão, só a tolera os apaixonados
Só há uma coisa melhor que uma mulher despida: uma mulher bem vestida
Na sociedade da cobiça, o pecado é ganhar a vida com o suor do próprio rosto
Sê prudente com teus inimigos; com teus amigos também
A caridade é uma fraude: quem a faz julga-se melhor do que realmente é, e quem a recebe julga estar melhor do que realmente está
Quanto mais ouço Led Zeppelin mais gosto dos Beatles
Tádzio Nanan
sábado, 26 de setembro de 2009
AMADA IMORTAL ou Anti-Poema de Amor
Amada imortal, em qual séptico e bárbaro leito
Te entregaste à magia do sexo, violenta e doce?
Que inculto varão acendeu a chama do teu peito
E te possuiu com primitiva rudeza, agridoce?
Outrora, tão reticente! Acorrentada ao pudor...
Agora é um macular os lençóis em abjetas orgias
Prostrando este teu pretendente, que maldisse o amor,
E louco fugiu para ver se a teu rosto esquecia...
Mas não pôde jamais! Do teu lascivo regaço, ó voraz gana!
Não posso esquecer-me de ti, ninfa impura e profana
De tuas maneiras lúbricas, de teus vícios delirantes
Vulgívaga sorvendo o bacântico sentido da vida!
Pago-te em ouro, mas me deita em tua cama bandida
E me dá o efêmero prazer das paixões fumegantes
Tádzio Nanan
Te entregaste à magia do sexo, violenta e doce?
Que inculto varão acendeu a chama do teu peito
E te possuiu com primitiva rudeza, agridoce?
Outrora, tão reticente! Acorrentada ao pudor...
Agora é um macular os lençóis em abjetas orgias
Prostrando este teu pretendente, que maldisse o amor,
E louco fugiu para ver se a teu rosto esquecia...
Mas não pôde jamais! Do teu lascivo regaço, ó voraz gana!
Não posso esquecer-me de ti, ninfa impura e profana
De tuas maneiras lúbricas, de teus vícios delirantes
Vulgívaga sorvendo o bacântico sentido da vida!
Pago-te em ouro, mas me deita em tua cama bandida
E me dá o efêmero prazer das paixões fumegantes
Tádzio Nanan
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
R E V E L A Ç Ã O
A morte desceu de sua atmosfera fantástica
Lasciva, hedionda, fatal, ela já me escolhera
Trouxe-me visões infernais que no Hades colhera
Arrebatando-me sua lívida beleza cáustica
Fizemos amor, eu e seu corpo infinito
No findar-se de uma e alvorecer de outra era
Prenúncio de uma voraz e ignota esfera
Mas com dor e com medo lancei um grito
Que varou os espaços inauditos sem resposta
E a cruel revelação foi nesse silêncio exposta:
Um universo moral, sustentáculo da Salvação
Fora assim, sempre, nossa mais cara ilusão
E ali em meus olhos deixou-se plantar o esquecimento
Dormiu o fogo e o maniqueísmo de todo conhecimento
Tádzio Nanan
Lasciva, hedionda, fatal, ela já me escolhera
Trouxe-me visões infernais que no Hades colhera
Arrebatando-me sua lívida beleza cáustica
Fizemos amor, eu e seu corpo infinito
No findar-se de uma e alvorecer de outra era
Prenúncio de uma voraz e ignota esfera
Mas com dor e com medo lancei um grito
Que varou os espaços inauditos sem resposta
E a cruel revelação foi nesse silêncio exposta:
Um universo moral, sustentáculo da Salvação
Fora assim, sempre, nossa mais cara ilusão
E ali em meus olhos deixou-se plantar o esquecimento
Dormiu o fogo e o maniqueísmo de todo conhecimento
Tádzio Nanan
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Hálito Noturno
Adriano Oliveira Costa
O hálito da noite que me gela, enternece-me.
Sua boca que me afastou, acalmou-me.
A via escura me arrematou, confortando-me.
O céu gris me conforta, consolando-me.
A pessoa que eu amo, rejeitou-me.
Humilhei-me como um menino a embeber-se.
Vi-me como um capacho a entreter-te.
Fiz-me como palhaço ao conhecer-te.
Explicitei meus carinhos vislumbrando-os.
Curvei-me como energúmeno a gostar-te.
Virei vagabundo, adorando-te.
Virei homem humilhando-me.
Vida danosa que me humilha.
Ventos tortuosos que me esquadrilham.
Fio danoso da minha vida a partir-se
Oh noite! Traga-me um pouco de alegria divertindo-me.
O hálito da noite que me gela, enternece-me.
Sua boca que me afastou, acalmou-me.
A via escura me arrematou, confortando-me.
O céu gris me conforta, consolando-me.
A pessoa que eu amo, rejeitou-me.
Humilhei-me como um menino a embeber-se.
Vi-me como um capacho a entreter-te.
Fiz-me como palhaço ao conhecer-te.
Explicitei meus carinhos vislumbrando-os.
Curvei-me como energúmeno a gostar-te.
Virei vagabundo, adorando-te.
Virei homem humilhando-me.
Vida danosa que me humilha.
Ventos tortuosos que me esquadrilham.
Fio danoso da minha vida a partir-se
Oh noite! Traga-me um pouco de alegria divertindo-me.
sábado, 19 de setembro de 2009
É POSSÍVEL
Tantos heróis e heroínas anônimos
Sem máscaras, rostos limpos, límpidos
Poderes só de gente comum
Tecendo suas obras
Num silêncio humilde
Homens e mulheres consagrados
Às grandes esperanças coletivas:
Paz, amor ao próximo, justiça, compaixão, verdade, perdão
E às pequenas causas cotidianas:
Amar e cuidar dos seus, cuidar de tudo que é vivo, honrar a Deus, fazer o bem
Tantos Cristos anônimos
Cruz sobre as espaldas
Numa Via Dolorosa que poucos vêem ou fingem não ver
Ninguém lhes estende a mão quando caem
Mas eles se erguem sozinhos
Ungidos por Deus com fé inelutável e translúcida
Seus calvários em nobre silêncio suportam
E se choram, choram por que é de verdade e é justo
Choram para depurar o corpo e a mente de todo mal
Estes heróis e heroínas cotidianos, Cordeiros de Deus,
Paladinos da Humanidade, são o Sal da Terra
Esperança de outro porvir, cuja semente está lá plantada no coração de cada um: regue-a, convide-a a desenvolver-se
Enquanto estes homens e mulheres permanecerem alheios ao Mal que nos obsidia e confunde, intemeratos entre transviados, intimoratos entre cobardes, corações e almas plenos em meio ao esvaziamento do Espírito
Enquanto estes homens e mulheres estiverem espargindo primaveras em pleno outono, pincelando auroras quando a noite é alta, semeando virtudes em terrenos áridos, socorrendo mesmo o imigo, oferecendo sua face, seu lar, seu pão e vinho
Eu vou continuar sonhando
Sonhando que outro mundo é possível
Tádzio Nanan
Sem máscaras, rostos limpos, límpidos
Poderes só de gente comum
Tecendo suas obras
Num silêncio humilde
Homens e mulheres consagrados
Às grandes esperanças coletivas:
Paz, amor ao próximo, justiça, compaixão, verdade, perdão
E às pequenas causas cotidianas:
Amar e cuidar dos seus, cuidar de tudo que é vivo, honrar a Deus, fazer o bem
Tantos Cristos anônimos
Cruz sobre as espaldas
Numa Via Dolorosa que poucos vêem ou fingem não ver
Ninguém lhes estende a mão quando caem
Mas eles se erguem sozinhos
Ungidos por Deus com fé inelutável e translúcida
Seus calvários em nobre silêncio suportam
E se choram, choram por que é de verdade e é justo
Choram para depurar o corpo e a mente de todo mal
Estes heróis e heroínas cotidianos, Cordeiros de Deus,
Paladinos da Humanidade, são o Sal da Terra
Esperança de outro porvir, cuja semente está lá plantada no coração de cada um: regue-a, convide-a a desenvolver-se
Enquanto estes homens e mulheres permanecerem alheios ao Mal que nos obsidia e confunde, intemeratos entre transviados, intimoratos entre cobardes, corações e almas plenos em meio ao esvaziamento do Espírito
Enquanto estes homens e mulheres estiverem espargindo primaveras em pleno outono, pincelando auroras quando a noite é alta, semeando virtudes em terrenos áridos, socorrendo mesmo o imigo, oferecendo sua face, seu lar, seu pão e vinho
Eu vou continuar sonhando
Sonhando que outro mundo é possível
Tádzio Nanan
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
DITOS ESPIRITUOSOS (OU QUASE...) parte 7
O tempo mata o homem e ergue a civilização
Quanto maior o ídolo, menor o fã
Desejar sem poder é frustração; poder sem desejar é sabedoria
A vida é um labirinto; sair dele é a felicidade; não entrar nele é a sabedoria
Tudo que você almeja ter logo será sucata; TER: muito barulho por nada!
A vontade de TER é como a gravidade: impede-nos de voar!
A gente não dorme pra sonhar; a gente não vive pra sorrir
A diversificação do produto: grande mérito do capitalismo! Assim, os idiotas têm grandiosas dúvidas no shopping...
Como um espelho, reflitamos: amor aos que nos amam, ódio aos que nos odeiam
A consciência: dádiva e castigo
Tádzio Nanan
Quanto maior o ídolo, menor o fã
Desejar sem poder é frustração; poder sem desejar é sabedoria
A vida é um labirinto; sair dele é a felicidade; não entrar nele é a sabedoria
Tudo que você almeja ter logo será sucata; TER: muito barulho por nada!
A vontade de TER é como a gravidade: impede-nos de voar!
A gente não dorme pra sonhar; a gente não vive pra sorrir
A diversificação do produto: grande mérito do capitalismo! Assim, os idiotas têm grandiosas dúvidas no shopping...
Como um espelho, reflitamos: amor aos que nos amam, ódio aos que nos odeiam
A consciência: dádiva e castigo
Tádzio Nanan
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS
morri às uma da manhã, ressurgindo às cinco
ergui-me, trôpego, do féretro cotidiano, desgostoso com as quatro horas de malíssimo descanso
redivivo, comer: lixo industrializado, que me está degenerando em aterro sanitário ambulante, incapaz de gesto feroz e pensamento ágil, como deve ser na selva onde vivemos
degluti pílulas para combater todo tipo de dor, físicas e espirituais, reais e imaginárias, numa espécie de liturgia ante o altar da auto-comiseração
química fina e lixo industrializado: morte lenta e dolorosa!
o mundo ladra no ecrã do computador: vira-lata estúpido correndo atrás do rabo!
notícias, pesquisas, downloads, para quê mesmo?
redijo considerações sobre assuntos que desconheço profundamente, coisa a que os pseudo-intelectuais da minha geração do fast-food da informação se afeiçoaram
estou ficando tão bom nisso (acumular dados desconexos) que vou acabar sabendo nada sobre todas as coisas, diferentemente de conhecidos ilustres, tolos super-especializadas, conhecedores de absolutamente tudo sobre absolutamente nada
o auto-engano! Generalistas e especialistas estamos todos errados
agora é sério. horas pesquisando sobre cinema. diretores, roteiros, interpretações.listas de filmes para meses vindouros. o cinema há cinco anos o cortejo. mais de quinhentos filmes alugados em mais de sessenta meses. cem por ano, oito por mês, dois por semana, de média. quatro reais por filme, dois mil reais ao todo. o que poderia fazer de mais interessante com esse valor? e senti tantas emoções diferentes, vi tanta beleza concentrada, vesti a pele de tantas personagens, viajei a tantos lugares inimagináveis, creio que o custo de oportunidade foi baixo, desculpem-me os não-economistas. o cinema tem cem anos apenas e coisas exuberantes foram feitas, sendo apenas infante imberbe. compare com outras manifestações artísticas: poesia, literatura, pintura, escultura, arquitetura, música, todas muito mais vetustas que ele. a questão é: será que dura mais cem, duzentos anos? enquanto houver História, literatura, dramas e alegrias humanas o cinema terá matéria-prima na qual fundamentar-se (o cinema e todas as artes). mas, resta saber: quanto tempo ainda nos resta de História, dramas e alegrias humanas?
profeta do pós-humano, profeta da era pós-orgânica, acusar-me-ão.
quem viver, verá. mas não há de sobrar ninguém nem pra ver nem pra chorar...
Tádzio Nanan
ergui-me, trôpego, do féretro cotidiano, desgostoso com as quatro horas de malíssimo descanso
redivivo, comer: lixo industrializado, que me está degenerando em aterro sanitário ambulante, incapaz de gesto feroz e pensamento ágil, como deve ser na selva onde vivemos
degluti pílulas para combater todo tipo de dor, físicas e espirituais, reais e imaginárias, numa espécie de liturgia ante o altar da auto-comiseração
química fina e lixo industrializado: morte lenta e dolorosa!
o mundo ladra no ecrã do computador: vira-lata estúpido correndo atrás do rabo!
notícias, pesquisas, downloads, para quê mesmo?
redijo considerações sobre assuntos que desconheço profundamente, coisa a que os pseudo-intelectuais da minha geração do fast-food da informação se afeiçoaram
estou ficando tão bom nisso (acumular dados desconexos) que vou acabar sabendo nada sobre todas as coisas, diferentemente de conhecidos ilustres, tolos super-especializadas, conhecedores de absolutamente tudo sobre absolutamente nada
o auto-engano! Generalistas e especialistas estamos todos errados
agora é sério. horas pesquisando sobre cinema. diretores, roteiros, interpretações.listas de filmes para meses vindouros. o cinema há cinco anos o cortejo. mais de quinhentos filmes alugados em mais de sessenta meses. cem por ano, oito por mês, dois por semana, de média. quatro reais por filme, dois mil reais ao todo. o que poderia fazer de mais interessante com esse valor? e senti tantas emoções diferentes, vi tanta beleza concentrada, vesti a pele de tantas personagens, viajei a tantos lugares inimagináveis, creio que o custo de oportunidade foi baixo, desculpem-me os não-economistas. o cinema tem cem anos apenas e coisas exuberantes foram feitas, sendo apenas infante imberbe. compare com outras manifestações artísticas: poesia, literatura, pintura, escultura, arquitetura, música, todas muito mais vetustas que ele. a questão é: será que dura mais cem, duzentos anos? enquanto houver História, literatura, dramas e alegrias humanas o cinema terá matéria-prima na qual fundamentar-se (o cinema e todas as artes). mas, resta saber: quanto tempo ainda nos resta de História, dramas e alegrias humanas?
profeta do pós-humano, profeta da era pós-orgânica, acusar-me-ão.
quem viver, verá. mas não há de sobrar ninguém nem pra ver nem pra chorar...
Tádzio Nanan
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
A SÉTIMA ARTE AO ALCANCE DE TODOS - sugestões de filmes
Nos últimos cinco anos, o autor destas tortuosas linhas fez (e continuará fazendo) esforço hercúleo, metódico, determinado e infinitamente prazeroso para melhor compreender e conhecer o cinema, arte complexa, que agrega a si tantas outras. Reconheço humildemente que só agora estou chegando à metade do caminho de um razoável conhecimento do assunto, com cerca de 500 filmes alugados e assistidos, fruto de longas horas de pesquisa. Mas já me sinto à vontade para elaborar minhas próprias listinhas de filmes mais interessantes, dentre as muitas que existem por aí. Eis aqui a primeira delas que elaborei para servir de bússola aos navegantes de primeira viagem que almejam singrar os mares do cinema. Os critérios usados são muitos (um bom roteiro, boas atuações, boa direção, fotografia, efeitos visuais e sonoros, etc.) e não há qualquer espécie de ordem e cronologia. Vamos lá:
1) Assista Paul Giamatti em Anti-Herói Americano (2003)
2) Assista John Cusack em Alta Fidelidade, de Stephen Frears (2000)
3) Assista Christian Bale em O Operário (2004)
4) Confira George Clooney na direção e a atuação de Sam Rockwell em Confissões de uma mente perigosa, roteiro de Charlie Kaufman (2002)
5) Confira uma das cenas mais escatológicas do cinema em Borat, com Sasha Baron Cohen (2006)
6) Confira Will Ferrell em Mais Estranho que a Ficção, de Marc Forster (2006)
7) A direção sensível de Clint Eastwood e a atuação sempre excelente de Meryll Streep em As Pontes de Madison (1995)
8) A boa parceria, repetida em outros filmes, entre Clint Eastwood e Sondra Locke, em Rota Suicida (1977)
9) A fotografia e os efeitos especiais de Sunshine – Alerta Solar, de Danny Boyle (2007)
10) O excelente Abismo de um Sonho, do imbatível mestre italiano Federico Fellini; música de Nino Rota (1952)
Tádzio Nanan
Cinéfilo
1) Assista Paul Giamatti em Anti-Herói Americano (2003)
2) Assista John Cusack em Alta Fidelidade, de Stephen Frears (2000)
3) Assista Christian Bale em O Operário (2004)
4) Confira George Clooney na direção e a atuação de Sam Rockwell em Confissões de uma mente perigosa, roteiro de Charlie Kaufman (2002)
5) Confira uma das cenas mais escatológicas do cinema em Borat, com Sasha Baron Cohen (2006)
6) Confira Will Ferrell em Mais Estranho que a Ficção, de Marc Forster (2006)
7) A direção sensível de Clint Eastwood e a atuação sempre excelente de Meryll Streep em As Pontes de Madison (1995)
8) A boa parceria, repetida em outros filmes, entre Clint Eastwood e Sondra Locke, em Rota Suicida (1977)
9) A fotografia e os efeitos especiais de Sunshine – Alerta Solar, de Danny Boyle (2007)
10) O excelente Abismo de um Sonho, do imbatível mestre italiano Federico Fellini; música de Nino Rota (1952)
Tádzio Nanan
Cinéfilo
domingo, 6 de setembro de 2009
DITOS ESPIRITUOSOS (OU QUASE...) parte 6
• A moralidade das pessoas varia de acordo com seus interesses próprios e os dos seus
• A ousadia da mediocridade é sonhar com o óbvio
• O ego é uma ilusão; mais que isso, é cárcere; portanto, livra-te de ti mesmo
• Os exércitos têm sempre uma maioria de idiotas
• O masculino e sua ancestral amante, a concupiscência, levam celeremente a dignidade humana à obsolescência
• A violência, cujo ápice é a guerra, é atributo inato ao masculino?
• A mente humana: o software mais complexo que existe; até agora...
• O preço da liberdade radical é a solidão absoluta
• A vaidade torna-nos vulneráveis
• É preciso mil pequenos fracassos para cada grande sucesso
• Já que não tem identidade própria, seus bens emprestam-lhe uma
• Correr, correr, correr... Companheiros, para onde?
Tádzio Nanan
• A ousadia da mediocridade é sonhar com o óbvio
• O ego é uma ilusão; mais que isso, é cárcere; portanto, livra-te de ti mesmo
• Os exércitos têm sempre uma maioria de idiotas
• O masculino e sua ancestral amante, a concupiscência, levam celeremente a dignidade humana à obsolescência
• A violência, cujo ápice é a guerra, é atributo inato ao masculino?
• A mente humana: o software mais complexo que existe; até agora...
• O preço da liberdade radical é a solidão absoluta
• A vaidade torna-nos vulneráveis
• É preciso mil pequenos fracassos para cada grande sucesso
• Já que não tem identidade própria, seus bens emprestam-lhe uma
• Correr, correr, correr... Companheiros, para onde?
Tádzio Nanan
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Tétricas Reflexões
por Adriano Oliveira Costa
Fiz-me retraído para agradar-te
Guardei-me tétrico para regozijar-te
Tornei-me solitário para suportar-te
Busquei um futuro para amar-te
Encarei o mundo a contragosto
Tornei-me hipócrita para teu gozo
Absorvi meus traumas para teu desgosto
Entreguei-me ao álcool para ver-te de novo
Magoei-me com tuas atitudes
Constrangi-me com tua felicidade
Descobri tua falsidade
Findei com minhas veleidades
Minha vida é uma farsa
Meus sentimentos se esgarçam
Desgraça que não passa
Acabei-me em bares que se espaçam
Joguei minha vida no ralo
Morte traz-me um regalo!
Solidão faz-me teu amigo!
Vida, porque me fez tão exíguo?
I’M SO TIRED
(LENNON/McCARTNEY)
I`M SO TIRED, I HAVEN`T SLEPT A WINK - I´M SO TIRED, MY MIND IS ON THE BLINK
I WONDER SHOULD I GET UP AND FIX MYSELF A DRINK, NO , NO , NO
I`M SO TIRED, I DON`T KNOW WHAT TO DO
I`M SO TIRED, MY MIND IS SET ON YOU
I WONDER SHOULD I CALL YOU BUT I KNOW WHAT YOU`D DO
YOU`D SAY, I`M PUTTING YOU ON, BUT IT´S NO JOKE
IS DOING ME HARM, YOU KNOW I CAN`T SLEEP, I CAN`T STOP MY BRAIN
YOU KNOW IT`S THREE WEEKS, I`M GOING INSANE
YOU KNOW I`D GIVE YOU EVERYTHING I`VE GOT FOR LITTLE PEACE OF MIND
I`M SO TIRED, I`M FEELING SO UPSET
ALTHOUGH I`M SO TIRED, I`LL HAVE ANOTHER CIGARRETE
AND CURSE SIR WALTER RALEIGH
HE WAS SUCH A STUPID GET
YOU`D SAY, I`M PUTTING YOU ON, BUT IT´S NO JOKE
IS DOING ME HARM, YOU KNOW I CAN`T SLEEP, I CAN`T STOP MY BRAIN
YOU KNOW IT`S THREE WEEKS, I`M GOING INSANE
YOU KNOW I`D GIVE YOU EVERYTHING I`VE GOT FOR LITTLE PEACE OF MIND
TRADUÇÃO:
Estou tão cansado, Eu não tenho dormido por um
instante
Estou tão cansado, minha mente está enguiçada
Eu imagino se eu devo me levantar e preparar uma
bebida para mim
Não, não, não.
Estou tão cansado, Eu não sei o que fazer
Estou tão cansado, minha mente está atacando você
Eu imagino se eu devo ligar para você, mas eu sei o
que você faria
Você diria que eu estou me exibindo para você
Mas não é piada, isso está me fazendo mal
Você sabe que eu não posso dormir, Eu não posso parar
meu cérebro
Você sabe que já faz três semanas, estou ficando
doido
Você sabe que eu daria tudo que eu tenho
por um pouquinho de paz interior.
Estou tão cansado, estou me sentindo tão perturbado
Embora eu esteja tão cansado eu pegarei mais um
cigarro
E a amaldiçoar Sir Walter Raleigh
Ele era um filhote tão estúpido
Você diria que eu estou me exibindo para você
Mas não é piada, isso está me fazendo mal
Você sabe que eu não posso dormir, Eu não posso parar
meu cérebro
Você sabe que já faz três semanas, estou ficando
doido
Você sabe que eu daria tudo que eu tenho
por um pouquinho de paz interior.
Fiz-me retraído para agradar-te
Guardei-me tétrico para regozijar-te
Tornei-me solitário para suportar-te
Busquei um futuro para amar-te
Encarei o mundo a contragosto
Tornei-me hipócrita para teu gozo
Absorvi meus traumas para teu desgosto
Entreguei-me ao álcool para ver-te de novo
Magoei-me com tuas atitudes
Constrangi-me com tua felicidade
Descobri tua falsidade
Findei com minhas veleidades
Minha vida é uma farsa
Meus sentimentos se esgarçam
Desgraça que não passa
Acabei-me em bares que se espaçam
Joguei minha vida no ralo
Morte traz-me um regalo!
Solidão faz-me teu amigo!
Vida, porque me fez tão exíguo?
I’M SO TIRED
(LENNON/McCARTNEY)
I`M SO TIRED, I HAVEN`T SLEPT A WINK - I´M SO TIRED, MY MIND IS ON THE BLINK
I WONDER SHOULD I GET UP AND FIX MYSELF A DRINK, NO , NO , NO
I`M SO TIRED, I DON`T KNOW WHAT TO DO
I`M SO TIRED, MY MIND IS SET ON YOU
I WONDER SHOULD I CALL YOU BUT I KNOW WHAT YOU`D DO
YOU`D SAY, I`M PUTTING YOU ON, BUT IT´S NO JOKE
IS DOING ME HARM, YOU KNOW I CAN`T SLEEP, I CAN`T STOP MY BRAIN
YOU KNOW IT`S THREE WEEKS, I`M GOING INSANE
YOU KNOW I`D GIVE YOU EVERYTHING I`VE GOT FOR LITTLE PEACE OF MIND
I`M SO TIRED, I`M FEELING SO UPSET
ALTHOUGH I`M SO TIRED, I`LL HAVE ANOTHER CIGARRETE
AND CURSE SIR WALTER RALEIGH
HE WAS SUCH A STUPID GET
YOU`D SAY, I`M PUTTING YOU ON, BUT IT´S NO JOKE
IS DOING ME HARM, YOU KNOW I CAN`T SLEEP, I CAN`T STOP MY BRAIN
YOU KNOW IT`S THREE WEEKS, I`M GOING INSANE
YOU KNOW I`D GIVE YOU EVERYTHING I`VE GOT FOR LITTLE PEACE OF MIND
TRADUÇÃO:
Estou tão cansado, Eu não tenho dormido por um
instante
Estou tão cansado, minha mente está enguiçada
Eu imagino se eu devo me levantar e preparar uma
bebida para mim
Não, não, não.
Estou tão cansado, Eu não sei o que fazer
Estou tão cansado, minha mente está atacando você
Eu imagino se eu devo ligar para você, mas eu sei o
que você faria
Você diria que eu estou me exibindo para você
Mas não é piada, isso está me fazendo mal
Você sabe que eu não posso dormir, Eu não posso parar
meu cérebro
Você sabe que já faz três semanas, estou ficando
doido
Você sabe que eu daria tudo que eu tenho
por um pouquinho de paz interior.
Estou tão cansado, estou me sentindo tão perturbado
Embora eu esteja tão cansado eu pegarei mais um
cigarro
E a amaldiçoar Sir Walter Raleigh
Ele era um filhote tão estúpido
Você diria que eu estou me exibindo para você
Mas não é piada, isso está me fazendo mal
Você sabe que eu não posso dormir, Eu não posso parar
meu cérebro
Você sabe que já faz três semanas, estou ficando
doido
Você sabe que eu daria tudo que eu tenho
por um pouquinho de paz interior.
O VELHO

Cada velho, na forma de estrela, aos céus ascende
Quando passa. Palpita luz nas constelações infinitas
Seu coração, no vazio silente, ressoa verdades tão bonitas
E sua memória, na escuridão universal, é vela que se acende
Cada velho é um diamante pelas mãos do tempo lapidado
Cujos quilates são decênios de aprendizado e experiência
É uma biblioteca de livros raros, cheios de dor e sapiência
É sorriso e pranto, sonho e realidade, tudo amalgamado
Delirante, entre as temporais esferas, ele vigia
A chegada do sétimo dia, quando irá descansar
Tudo viveu, gerou, cuidou... Não, não temeria...
Já morreu tantas vezes (e renasceu o quanto queria)
A que virá, apenas passagem: mergulho num mar
Que a inefáveis plagas, tempos e sonhos o levará
Tádzio Nanan
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